As perspectivas de crescimento da área plantada e do aumento da produção de trigo, principalmente como um reflexo do bom preço pago pelo grão e da baixa produção de soja da última safra, aumentam as expectativas para a safra de trigo 2022. Entretanto, visando a manutenção do potencial produtivo da cultura e da qualidade da produção, é necessário utilizar de boas práticas sendo uma delas, a adequada plantabilidade do trigo.

A plantabilidade é tão importante quando a utilização de sementes de boa qualidade fisiológica, genética, física e sanitária, permitindo com que essas sementes sejam alocadas adequadamente no solo e possam completar com êxito o processo de germinação e emergência. Além de cuidados básicos como a velocidade de deslocamento do conjunto trator-semeadora (de 6 a 8 km h-1), critérios fundamentais como densidade e profundidade de semeadura, assim como espaçamento entre linhas são determinantes para o bom estabelecimento da cultura no campo, adequado perfilhamento e bom rendimento.



Para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a densidade de semeadura indicada é de 250 sementes viáveis m–² para cultivares semitardias e tardias e de 300 sementes viáveis m–² a 330 sementes viáveis m–² para cultivares médias e precoces. Para cultivares tardias, quando semeadas para duplo propósito (pastejo e colheita de grãos ou somente pastejo), a densidade indicada é de 330 sementes viáveis m–² a 400 sementes viáveis m–² (Joris et al., 2022). É recomendado realizar o ajuste da densidade de semeadura com base no potencial germinativo das sementes. As recomendações da densidade de semeadura para a cultura do trigo para os estados do RS, SC, PR, MS, SP, MG, GO, BA, MT e Distrito Federal (DF) podem ser observadas na tabela 1, conforme critérios estabelecidos para cada região.

Tabela 1. Densidade de semeadura para a cultura do trigo (sementes viáveis m-2), para diferentes estados do Brasil e Distrito Federal, conforme critérios estabelecidos.

* Variação em função do ciclo, porte das cultivares e, algumas vezes, dos tipos de clima e solo. Adaptado: Joris et al. (2022)

Além da germinação das sementes, uma variável a ser considerada na semeadura é o vigor. Embora não tão analisado quando a germinação, segundo Henning et al. (2019), sementes de alto vigor tendem a expressar melhor estabelecimento inicial no campo, assim como maior potencial produtivo em comparação a sementes de baixo vigor.

Figura 1. Parcelas experimentais de trigo no início do perfilhamento, instaladas com sementes de níveis de vigor alto (a) e baixo (b).

Fonte: Henning et al. (2019)

Com relação ao espaçamento entre linhas para a cultura do trigo, normalmente, o mais utilizado é de 17cm entre linhas. Embora seja possível trabalhar com outros espaçamentos ajustando a densidade de semeadura, não é recomendado utilizar espaçamentos superiores a 20 cm entre linhas. Já a profundidade de semeadura deve ficar entre 2cm a 5cm, sempre dando preferencia para a semeadura em linha (Joris et al., 2022).

Além da boa plantabilidade e uso de sementes de boa qualidade sanitária, física, genética e fisiológica, o posicionamento de cultivares de trigo é fundamental para reduzir riscos ambientais e obter melhores respostas produtivas, sendo aconselhado para isso, seguir as orientações estabelecidas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático, bem como a recomendação de cultivares com base na região de cultivo.


Veja mais: Indicação de cultivares de trigo para cultivo no estado do Rio Grande do Sul



Referências:

HENNING, F. A. et al. VIGOR DE SEMENTE E DENSIDADE DE SEMEADURA NA CULTURA DO TRIGO EM DIFERENTES AMBIENTES DE PRODUÇÃO DO PARANÁ. Embrapa, Documentos, n. 425, 2019. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1118972/1/DOC-425.pdf >, acesso em: 20/06/2022.

JORIS, H. A. W. et al. INFORMAÇÕES TÉCNICAS PARA TRIGO E TRITICALE: SAFRA 2022. 14° Reunião da Comissão brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale, Fundação ABC e Biotrigo Genética, 2022. Disponível em: < https://www.conferencebr.com/conteudo/arquivo/informacoes-tecnicas-para-trigo-e-triticale–safra-2022-1649081250.pdf >, acesso em: 20/06/2022.

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