Com perspectivas de crescimento da área total de trigo cultivo do Brasil, estimativas da Emater apontam que o Rio Grande do Sul, poderá ter maior produção de trigo da história em 2022. Em comparação a safra passada (2021), segundo levantamento da Emater, são esperados aumentos de aproximadamente 15% da área cultivada e 12,5% da produção (Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, 2022).

Tabela 1. Levantamento da estimativa de área cultivada, produção e produtividade de trigo safra 2022, em comparação a safra 2021 para o Rio Grande do Sul.

* a produtividade é calculada pela tendência. ** Fonte: IBGE/LSPA, citado por Emater/RS (2022)

Entretanto, cabe destacar que o aumento na área de produção de trigo ascende um alerta frente as condições favoráveis ao desenvolvimento de doenças que acometem a cultura. Cultivado muitas vezes após a soja, conforme destacado pelo Professor e Pesquisador Marcelo Madalosso, em virtude da deficiência hídrica e mau fechamento das entrelinhas da soja na safra passada, grandes populações de plantas daninhas puderam ser observadas na colheita da soja, permanecendo para a cultura do trigo.

Essas plantas, dentre elas o azevém, podem servir como pontes verde para a sobrevivência de diversos patógenos causadores de doenças fungicas que acometem o trigo. Sob condições adequadas de temperatura e umidade, esses patógenos podem desenvolver doenças, infectando plantas de trigo e causando significativa redução da produtividade. Além de reduzir a pressão de inoculo, o controle de plantas daninhas remanescentes é essencial para reduzir perdas por matocompetição no trigo, especialmente se tratando de espécies de difícil controle como o azevém.


Veja mais: Controle do azevém em trigo


De modo geral, é necessário compreender que é possível ter inoculo de doenças em áreas de produção do trigo, antes mesmo da implantação da cultura, sendo fundamental, adotar medidas fitossanitárias que contribuam para o manejo de doenças. Atrelado a sobrevivência de plantas daninhas e patógenos, com o aumento da área de trigo, áreas “periféricas/marginais” até então não cultivadas podem passar a receber a cultura. Essas áreas normalmente apresentam grande carga de patógenos, sendo necessário intensificar o manejo e monitoramento de doenças nelas.

Além disso, com a valorização do trigo, o cultivo de áreas onde se teve trigo na safra passada (2021), passa a ser atrativo, entretanto, com a quebra do esquema da rotação de culturas (trigo sobre trigo), o manejo fitossanitário pode se tornar mais complexo, o que aliado ao uso de sementes com baixa qualidade sanitária contribui para o aumento da incidência de doenças no trigo.

Entre outros aspectos, com o elevado custo dos fertilizantes, é esperada a redução da quantidade de fertilizantes aportados à cultura do trigo, o que em casos mais severos, pode resultar em maior suscetibilidade das plantas à patógenos, em decorrência da má nutrição. Já se tratando do controle propriamente dito de doenças com fungicidas, “não evite, ou não retarde muito aplicação de fungicidas”, o posicionamento de fungicidas é determinante para reduzir o impacto das doenças na produtividade do trigo.

Confira o vídeo abaixo com as dicas do Professor e Pesquisador Marcelo Madalosso.


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Referências:

EMATER/RS. ESTIMATIVA INICIAL DA SAFRA DE INVERNO 2022. Porto Alegre, junho, 2022. Disponível em: < http://www.emater.tche.br/site/arquivos_pdf/safra/safraTabela_07062022.pdf >, acesso em: 20/06/2022.

SECRETARIA DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E DESENVOLVIMENTO RURAL. ESTIMATIVA DA EMATER APONTA QUE RS PODERÁ TER A MAIOR PRODUÇÃO DE TRIGO DA HISTÓRIA EM 2022. Secretaria Da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, junho, 2022. Disponível em: < https://www.agricultura.rs.gov.br/estimativa-da-emater-aponta-que-rs-podera-ter-maior-producao-de-trigo-da-historia-em-2022 >, acesso em: 20/06/2022.

Foto de capa: La Nacion – Argentina

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