O percevejo-marrom Euschistus heros é um dos principais percevejos que ocorrem na cultura da soja. Os adultos e ninfas da praga sugam as vagens, danificando os grãos, sendo seus danos irreversíveis em altas densidades populacionais.

Em sendo uma das pragas mais abundantes na cultura da soja no Brasil, sua ocorrência tem sido ampla por todas as regiões de cultivo, tanto em regiões mais quentes como em Tocantins, como nas regiões mais frias como no Rio Grande do Sul, onde não ocorria com tanta intensidade no passado. Em muitos locais, atualmente, o percevejo-marrom responde por mais de 80% do total de percevejos coletados em soja. Estima-se que um percevejo marrom/m² pode reduzir em média 80 kg de soja/ha.



Em trabalho apresentado e publicado nos anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja, número 38, página 140 da sessão de Entomologia, realizado em Goiânia no ano passado, os autores RATTES, J. F; JAKOBY, G. L; BERGER NETO, A; MEGDA, F; FERREIRA, J. P. S; ANDRADE, W. F. compararam três manejos para o controle desses percevejos na cultura da soja, com base no MIP, com aplicações de inseticidas sempre que a população da praga atingisse nível de controle, versus manejo da fazenda e o manejo com aplicações calendarizadas. O trabalho completo pode ser encontrado nos anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja, número 38, página 140 da sessão de Entomologia.

Os autores realizaram o monitoramento dos percevejos com auxílio de pano de batida (Pano Vertical). No manejo 1 (Man. 1), calendarizado, as aplicações de inseticidas foram realizadas a cada 10 dias sem levantamento populacional da praga com base no monitoramento. No manejo 2 (Man. 2), com base no monitoramento, as aplicações de inseticidas foram realizadas com população de 0,5 a 1,0 percevejos por metro e no manejo 3 (Man. 3) conforme o programa da fazenda.

Os parâmetros avaliados foram o número de aplicações necessárias para o controle de E. heros, população de E. heros após as aplicações, rendimento e qualidade de grãos e número de percevejos coletados na descarga da colhedora.

No Manejo 1 (Calendarizado), foram realizadas três aplicações de inseticidas. A primeira aplicação foi realizada no estádio fenológico R5.3 (Acefato – 970 g i.a ha-1) e mais duas aplicações com intervalo de 11 dias cada. Na segunda aplicação em R5.5 foi utilizado o inseticida Acefato – 970 g i.a ha-1 e na terceira, estádio R6 o inseticida Acetamiprido & Bifentrina na concentração de 50 + 50 g i.a ha-1.

No manejo 2, realizado com base no monitoramento, as aplicações se iniciaram no estádio R5.3, com repetidas aplicações conforme a necessidade para a manutenção de uma baixa população de E. heros. No total, no manejo Monitoramento foram realizadas quatro aplicações de inseticidas com intervalo variando de 7 a 12 dias entre cada aplicação. Na primeira, segunda e quarta aplicação foi utilizado o inseticida Acefato, na concentração de 970 g i.a ha-1 e na terceira aplicação o inseticida Acetamiprido & Bifentrina na concentração de 50 + 50 g i.a ha-1.  E no Manejo 3 (Fazenda) a primeira e única aplicação de inseticida para o controle de percevejo foi realizada no estádio R.4, com população superior a cinco percevejos por pano de batida.

Os resultados obtidos pelos autores podem ser observados nas tabelas abaixo:

Tabela 1. Rendimento e qualidade de grãos em função do manejo utilizado para o controle de E. heros na cultura da soja. Edéia – GO. Safra 2016/17.

Fonte: RATTES, J. F; JAKOBY, G. L; BERGER NETO, A; MEGDA, F; FERREIRA, J. P. S; ANDRADE, W. F.

Tabela 2. Número médio de percevejos coletados na descarga da colhedora em função do manejo utilizado para o controle de E. heros na cultura da soja. Edéia – GO. Safra 2015/16.

Fonte: RATTES, J. F; JAKOBY, G. L; BERGER NETO, A; MEGDA, F; FERREIRA, J. P. S; ANDRADE, W. F.

Através dos dados obtidos, os autores verificaram que no Manejo 3 (Fazenda), houve um aumento crescente da população de percevejos, deixando as vagens e grãos desprotegidos durante a fase crítica ao ataque da praga, de R5.1 a R5.4. Além disso, aplicações de inseticidas realizadas no manejo 1 (Calendarizado) e manejo 2 (Monitoramento), refletiram em maior rendimento da cultura, assim como, proporcionaram uma maior qualidade de grãos, com menor peso de grãos danificados e chochos em função do ataque do percevejo-marrom.

Com isso, foi possível concluir que os resultados obtidos pelos autores nesse trabalho confirmam a importância do monitoramento no manejo de percevejos na cultura da soja para a tomada de decisão, visto que a aplicação associada às aplicações dos fungicidas em função do operacional, sem o conhecimento prévio da população da praga, podem acontecer em momentos não adequados para a tomada de decisão, com aumento da população e danos à cultura.

O trabalho completo pode ser encontrado nos anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja, número 38, página 140 da sessão de Entomologia.


Leia também:  Euchistus heros em soja




Elaboração: Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

Nenhum comentário

Deixar um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.