A qualidade do solo, é um dos fatores relacionados ao bom crescimento, desenvolvimento e produtividade das culturas agrícolas. Além de boa fertilidade, solos de boa qualidade devem apresentar bons atributos químicos, biológicos e físicos, que atendam as necessidades da planta e estimulem o crescimento e desenvolvimento vegetal.
Embora a qualidade química do solo, especialmente relacionada ao seu pH e disponibilidade de alumínio na solução do solo sejam o foco de muitos manejo, a qualidade física também deve ser analisada com cuidado, visando intervir para sua melhoria quando necessário. Estudos demonstram que a compactação do solo, mensurada muitas vezes pela resistência do solo à penetração (RP), é um dos principais fatores limitantes do crescimento vegetal, com impacto real na produtividade final da cultura.
É consenso que as raízes são os órgãos mais afetados pela compactação do solo. De acordo com Savioli et al. (2021), solos compactados tendem a restringir o crescimento e desenvolvimento radicular, limitando a faixa de solo explorado pela planta, e consequentemente o acesso a recursos como água e nutrientes.
Pesquisas demonstram que em alguns casos, a partir 0,85 Mpa de RP já é possível observara perda de produtividade na soja (Beulter & Centurion, 2004). Sobretudo, em termos gerais, pode-se dizer que valores de densidade do solo a partir 1,3 g cm-3 ou superiores, podem limitaram o desenvolvimento geral da cultura (Savioli et al., 2021).
Mesmo que o impacto direto da compactação seja observado principalmente no crescimento radicular das plantas, indiretamente a parte aérea das plantas é afetada pela compactação do solo. A restrição a expansão do sistema radicular tende a limitar o crescimento da parte aérea das plantas, afetando inclusive a formação de componentes de produtividade.
A altura da planta é uma das principais variáveis afetadas negativamente pela, compactação do solo. Conforme analisado por Silva, Maia e Bianchini (2006), com o aumento da densidade do solo tem-se a redução da altura das plantas, variando de acordo com a cultura agrícola.
Figura 1. Altura relativa observada (■) e estimada pelo modelo (□) para plantas de algodão, Brachiaria brizantha, milho e soja, considerando a compactação em Latossolo Vermelho-Escuro distrófico.

Os autores destacam que a sensibilidade aos efeitos da compactação do solo pode variar de acordo com a cultura agrícola, sendo o algodoeiro uma das espécies com maior susceptibilidade aos efeitos da compactação do solo. Enquanto as gramíneas apresentam maior tolerância aos efeitos da compactação do solo, soja e algodão são mais afetadas pelo adensamento do solo.
No entanto, os resultados obtidos por Silva, Maia e Bianchini (2006) demonstram que o maior crescimento vegetal nem sempre ocorre em solos com menor densidade. Em algumas culturas, a densidade de 1,2 Mg ha⁻¹ proporcionou respostas positivas, como observado para a soja, que apresentou incremento de 31,92% na massa seca relativa de frutificação em relação à densidade de referência. Já o milho apresentou aumento mais discreto, de 4,17%, enquanto o algodoeiro registrou pequena redução, da ordem de 4,92%, na massa seca relativa total da parte aérea nessa mesma condição de densidade do solo.
Figura 2. Massa seca relativa de frutificação (MSRF), área foliar relativa (AFR) e massa seca relativa total da parte aérea (MSRAT) de plantas de soja (●), milho (□), algodoeiro (∆) e Brachiaria brizantha (■), considerando a compactação em Latossolo Vermelho-Escuro distrófico.

Isso indica que as culturas respondem de maneira distinta à compactação do solo, sendo algumas mais sensíveis que outras. Essa variabilidade dificulta a definição de um valor único de densidade do solo como parâmetro universal para quantificar os efeitos da compactação sobre o desenvolvimento vegetal. Embora sejam necessários mais estudos para estabelecer limites mais precisos, os resultados obtidos por Silva, Maia e Bianchini (2006) evidenciam que culturas como soja e algodão tendem a ser mais sensíveis à compactação em comparação a gramíneas, como milho e braquiária. Além disso, o estudo demonstra que densidades do solo a partir de 1,5 Mg m⁻³ comprometem significativamente o crescimento da parte aérea das plantas.
Confira o estudo completo desenvolvido por Silva, Maia e Bianchini (2006) clicando aqui!
Referências:
BEULTER, A. N.; CENTURION, J. F. COMPACTAÇÃO DO SOLO NO DESENVOLVIMENTO RADICULAR E NA PRODUTIVIDADE DA SOJA. Pesq. agropec. bras., Brasília, v.39, n.6, p.581-588, jun. 2004. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/pab/v39n6/v39n6a10.pdf >, acesso em: 11/05/2026.
SAVIOLI, M. R. et al. COMPONENTES DE PRODUÇÃO DA SOJA SOB NÍVEIS DE COMPACTAÇÃO DO SOLO. Acta Iguazu, Cascavel, v.10, n.2, p. 1-12, 2021. Disponível em: < https://e-revista.unioeste.br/index.php/actaiguazu/article/view/26312/17560 >, acesso em: 11/05/2026.
SILVA, G. J.; MAIA, J. C. S.; BIANCHINI, A. CRESCIMENTO DA PARTE AÉREA DE PLANTAS CULTIVADAS EM VASO, SUBMETIDAS À IRRIGAÇÃO SUBSUPERFICIAL E A DIFERENTES GRAUS DE COMPACTAÇÃO DE UM LATOSSOLO VERMELHO-ESCURO DISTRÓFICO. R. Bras. Ci. Solo, 2006. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/rbcs/a/LSb8SHtqvgHwgtpyTxySxvn/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 11/05/2026.
Foto de capa: Henrique Debiasi.





