A produtividade da cultura da soja é construída a partir dos seus componentes de rendimento (ou componentes de produtividade). Na soja, os principais componentes são o número de legumes por área, o número de grãos por legume e o peso de mil grãos (PMG). Quando expressos em valores ótimos, esses componentes permitem alcançar altas produtividades, resultando da interação G × A × M (genética × ambiente × manejo) (Figura 1), a qual viabiliza a máxima exploração de cada componente.
Figura 1. Relação entre genética x ambiente x manejo na expressão dos componentes de produtividade.

O primeiro componente, o número de legumes por área, começa a ser definido na semeadura e no estabelecimento inicial das plântulas. A densidade ótima de plantas deve ser determinada com base nas características genéticas da cultivar, na época de semeadura e nos recursos disponíveis no ambiente de produção. Por outro lado, o número de grãos por legume é o componente que apresenta maior estabilidade, devido à alta herdabilidade genética da característica e à menor influência ambiental (Van Roekel, 2015; Jeong et al., 2012). Por fim, o peso de mil grãos (PMG) é uma variável determinada geneticamente, mas fortemente influenciada pelo ambiente (como a disponibilidade hídrica) e pelo manejo (fertilidade do solo e proteção contra o ataque de doenças e insetos praga, como os sugadores).
A alta plasticidade da planta de soja decorre do efeito de compensação entre esses componentes, ou seja, a redução de um deles pode ser compensada pelo incremento nos demais. Esse efeito compensatório depende do estádio fenológico em que os estresses ocorrem (Figura 2) e é determinado pela relação fonte-dreno de fotoassimilados. Conforme demonstrado por Cerrudo & Naeve (2024), restrições severas em estádios avançados, como no enchimento de grãos (R5.5 a R6), reduzem drasticamente o peso relativo dos grãos sem que a planta consiga compensar no número total, visto que os componentes anteriores já foram definidos.
Figura 2. Efeito de compensação entre o número de grãos e o peso de grãos em soja em função do estágio fenológico da imposição de um estresse em experimentos conduzidos durante 2022 e 2023 em St Paul/ Minnesota, EUA. Os valores são normalizados em relação às parcelas de controle sem estresse (linha tracejada preta horizontal e vertical). As linhas tracejadas cinza conectam pontos com a mesma proporção (%) de produtividade em relação ao controle.

Em suma, a alta produtividade da soja não depende de um fator isolado, mas sim do equilíbrio e da proteção de cada componente de rendimento ao longo do ciclo. Sabendo que os estresses tardios afetam o peso dos grãos sem chance de recuperação, compreender essa dinâmica fisiológica e a capacidade de resposta da cultura é o que diferencia o manejo convencional de uma agricultura de alta performance. O sucesso do produtor reside em antecipar cenários e blindar a lavoura nos momentos críticos, garantindo que a interação G × A × M atinja sua máxima eficiência econômica e produtiva.
Referências:
CERRUDO, A.; NAEVE, S. L. Redefining soybean critical period for yield determination. Field Crops Research, v. 321, p. 109662, 2024. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0378429024004155 >, acesso: 13/06/2026
JEONG, N. et al. Ln Is a Key Regulator of Leaflet Shape and Number of Seeds per Pod in Soybean. The Plant Cell, v. 24, n. 12, p. 4807–4818, 2012. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23243125/> , acesso: 10/06/2026
VAN ROEKEL, R. J.; PURCELL, L. C.; SALMERÓN, M. Physiological and management factors contributing to soybean potential yield. Field Crops Research, v. 182, p. 86–97, 2015. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0378429015001847 >, acesso 10/06/2026
WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 2025.





