O objetivo do presente trabalho foi validar a informação no tocante à época (soja ou milho) e modo (lanço ou sulco) de aplicação de fertilizante fosfatado em solos com alto teor de fósforo na sucessão soja/milho.

Autores: HORVATICH, P.1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

Tradicionalmente, no estado de Mato Grosso, o milho cultivado em sucessão a soja é adubado com nitrogênio ou com nitrogênio e potássio. A adubação fosfatada geralmente é aplicada por ocasião do planto da soja de modo a suprir a demanda da soja e do milho. Trabalho publicado por Duarte e Kappes (2017) atesta que o milho segunda safra apresenta resposta em produtividade com a adubação fosfatada por ocasião de seu plantio. O entrave à adoção da aplicação de adubação fosfatada no milho segunda safra é a maior facilidade operacional, principalmente junto aos produtores que aplicam o fertilizante fosfatado em superfície durante a estação seca, antes da semeadura da soja. A época de plantio deste milho coincide com a operação de colheita de soja e com um período de chuvas, geralmente intensas (janeiro/fevereiro) e, o plantio de milho apenas com “semente” é muito mais facilitado. O objetivo do presente trabalho foi validar a informação no tocante à época (soja ou milho) e modo (lanço ou sulco) de aplicação de fertilizante fosfatado em solos com alto teor de fósforo na sucessão soja/milho.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido nas safras 2017/17 (milho segunda safra); 2017/18 (soja verão) e 2018/18 (milho segunda safra), na Fazenda Medianeira, localizada no município de Santo Antônio do Leste, MT. O solo da área foi identificado como Latossolo Vermelho e apresentava os seguintes atributos, na camada de 0 a 20 cm, antes da implantação do experimento: 29,3 g dm-3 de matéria orgânica; 5,24 de pH em CaCl2; 17 mg dm-3 de P resina; 58 mg/ dm-3 de K; 2,72 cmolc dm-3 de Ca; 1,08 cmolc dm-3 de Mg; ausência de Al; 53,88% de saturação da CTC por bases e 11 ppm de S. Trata-se de um experimento permanente com aplicação dos tratamentos nas mesmas parcelas de maneira subsequente. O delineamento experimental foi de blocos casualizados, em oito tratamentos e cinco repetições.

A área útil de cada parcela foi de 3.000 m², sendo 12 linhas no espaçamento de 0,5 m e 500 m de comprimento. Safra milho 2017/17: os fertilizantes utilizados 09-45-00+ 10%S e 25-00-25. O híbrido foi DKB 310 PRO2, plantio em 14/02/2017 e os tratamentos utilizados foram: T1 – 200 kg/ha de 09-45-00+S, no sulco de plantio; T2 – 200 kg/ha de 09-45-00+S, em superfície no plantio; T3 – 200 kg/ha de 09-45-00+S, em superfície no plantio + 200 kg de 25-00-25 em cobertura em V4; T4- 200 kg de 25-00-25 em cobertura em V4; T5 – testemunha (ausência de Nitrogênio/Fósforo/Potássio/Enxofre); T6 – 200 kg/ha de 25-00-25 em superfície no plantio; T7 – 100 kg/ha de 25-00-25 em superfície no plantio; T8 – 100 kg/ha de 25-00-25 em superfície plantio + 100 kg de 25-00-25 em cobertura em V4. Safra soja 2017/18: os fertilizantes utilizados 09-45-00 + 10%S e Cloreto de potássio (KCl).

A variedade soja foi M 7739 IPRO, plantio em 20/10/2017 e os tratamentos utilizados foram: T1 – 135 kg/ha de KCl em superfície; T2 – 135 kg/ha de KCL em superfície ; T3 – 135 kg/ha de KCl em superfície ; T4- 200 kg de 09-45-00+10%S e 135 kg/ha de KCl ambos em superfície; T5 – testemunha (ausência de Nitrogênio/Fósforo/Potássio/Enxofre); T6 – 200 kg de 09-45-00+10%S e 135 kg/ha de KCl ambos em superfície; T7 – 200 kg de 09-45-00+10%S e 135 kg/ha de KCl ambos em superfície; T8 – 200 kg de 09-45-00+10%S e 135 kg/ha de KCl ambos em superfície. Safra milho 2018/18: os fertilizantes utilizados Superfosfato Triplo (45%) e Uréia (45%).

O híbrido foi MG 588 PW, plantio em 28/01/2018 e os tratamentos utilizados foram: T1 – 200 kg/ha de Superfosfato triplo (SFT), no sulco de plantio; T2 – 200 kg/ha de Superfosfato triplo, em superfície no plantio; T3 – 200 kg/ha de Superfosfato triplo, em superfície no plantio + 100 kg de uréia em cobertura em V3; T4- 100 kg de ureía em cobertura em V3; T5 – testemunha (ausência de Nitrogênio/Fósforo/Potássio/Enxofre); T6 – 100 kg/ha de uréia em superfície no plantio; T7 – 50 kg/ha de uréia em superfície no plantio; T8 – 50 kg/ha de uréia em superfície plantio + 50 kg de uréia em cobertura em V3. O controle de doenças, insetos-praga e plantas daninhas foi efetuado em função da necessidade. O único parâmetro avaliado foi produtividade das culturas. Os dados foram submetidos à análise de variância e a comparação das médias foi realizada pelo teste de Scoott-Knott ao nível de 5% de probabilidade.

Resultados e Discussão

Para a cultura de soja não houve diferenças significativas na produtividade em função da época de aplicação do fertilizante fosfatado e enxofre (Tabela 1).

Tabela 1. Produtividade de soja, na Fazenda Medianeira, safra 2017/2018.

Este comportamento já era esperado em função dos bons teores no solo e histórico da área
de cultivo. Na safrinha de milho 2017/17 o melhor tratamento foi aplicação de 18 kg/ha de
N + 90 Kg/ha de P2O5 +20 kg/ha de S em superfície no plantio associado a 50 kg/ha de N e K2O em cobertura V4. A aplicação de 200kg/ha de 09-45-00+S no sulco de plantio (sem adubação de cobertura) igualou à produção com 50 kg/ha de N e K20 (estes parcelados ou em única aplicação de V4). A adubação com 200kg/ha de 09-45-00+S em superfície por ocasião do plantio se igualou a 50 kg/ha de N e K20 (no plantio) e a 25 kg/ha de N e K20 (no plantio). A aplicação de 09-45-00+S no sulco de plantio foi superior à aplicação em superfície (Tabela 2).

Tabela 2. Produtividade de milho, na Fazenda Medianeira, safrinha 2017/17.

Na safrinha de milho 2018/18, onde a fonte de fósforo foi superfosfato triplo (45% P2O5) 90 kg/ha de P2O5 em superfície no plantio associado a 50 kg/ha de N foi o melhor tratamento. A aplicação de 45 kg/ha de N fracionado ou uma única aplicação em V3 foram a segunda melhor forma de adubação. A aplicação de 22,5 kg/ha de N em superfície no plantio foi a terceira melhor forma de adubação, sendo todas superiores à aplicação de 90 kg/ha de P2O5 no sulco de plantio ou em superfície, que não diferiram entre si, sendo esta superior à testemunha (Tabela 3).

Tabela 3. Produtividade de milho, na Fazenda Medianeira, safrinha 2018/18.

Está evidenciado que a adubação fosfatada por ocasião do plantio de milho safrinha oferece retorno em produtividade à cultura, em solos similares a este ensaio.

Na safrinha 2017/17 a adubação fosfatada aplicada no sulco de plantio foi superior à em superfície. Este comportamento é devido a fonte de fósforo utilizada, 09-45-00, que ofereceu 18 kg/ha de nitrogênio. Esta conclusão é respaldada nos dados da safrinha 2018/18 onde a fonte fosfatada foi superfosfato triplo, que não fornece nitrogênio, neste ciclo a adubação fosfatada em sulco ou em superfície não deferiram estatisticamente e foram inferiores à aplicação de 22,5 kg/ha de N no momento do plantio, reforçando que a adição de fósforo e nitrogênio podem resultar em ganhos à cultura de milho segunda safra.

Assim, conclui-se que a aplicação fosfatada associada à nitrogenada no plantio do milho com a adubação nitrogenada em cobertura e plantio de soja na ausência de  adubação fosfatada, quando comparada com o sistema tradicional de aplicação de adubo fosfatado na soja e no milho, apenas o nitrogenado e/ou potássico, a diferença positiva de produtividade no milho pode “pagar” até 100% da adubação fosfatada do sistema soja/milho safrinha (Tabela 4).

Tabela 4. Receita adicional pela utilização da adubação fosfatada no milho.

Conclusão

Há de se considerar também, que as aplicações de fertilizante fosfatado em superfície ou no sulco de plantio (safrinha 2018/18) não diferem entre si e são superiores à testemunha. Ao mesmo tempo, devem-se analisar os resultados da safrinha 2017/17, onde a produtividade oferecida pela adubação nitrogenada em V4 se iguala à adubação fosfatada associada a 18 kg/ha de N aplicado no sulco de plantio, o que também sugere que se pode fazer economia de insumos em relação ao sistema tradicional.


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Referências

DUARTE, A. P.: KAPPES, C. Doses de nitrogênio em cobertura no milho safrinha: fontes e modo de aplicação de fósforo em sistema de sucessão com soja no estado de Mato Grosso. In: SEMINÁRIO NACIONAL [DE] MILHO SAFRINHA, 14., 2017, Cuiabá.

Construindo sistemas de produção sustentáveis e rentáveis: anais. Sete Lagoas: Associação Brasileira de Milho e Sorgo, 2017.

Informações dos autores

1Pratec Assessoria Agroflorestal Ltda, Rua Caiapós, 430, Barra do Garças-MT, CEP 78600 000, paulohorvatich@gmail.com.

Disponível em: Anais da 37ª Reunião de Pesquisa de Soja. Londrina – PR, Brasil.

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