InícioDestaqueErvilhaca (Vicia sativa): uma alternativa interessante como cobertura de solo

Ervilhaca (Vicia sativa): uma alternativa interessante como cobertura de solo

Manter uma boa cobertura do solo entre os períodos de cultivo é uma prática importante para manutenção da sua estrutura física e biológica. A seleção da espécie mais apropriada para essa finalidade desempenha um papel fundamental nesse processo. Garantir uma cobertura vegetal contínua do solo é essencial para promover a saúde do sistema agrícola, controlar a erosão, conservar a umidade do solo e fornecer nutrientes essenciais às culturas subsequentes. Nesse contexto, a ervilhaca surge como uma opção altamente benéfica, destacando-se por suas propriedades na promoção da fertilidade do solo e na melhoria da sua estrutura.

A ervilhaca:

A ervilhaca (Vicia sativa) é uma leguminosa anual de inverno pertencente à família Fabaceae, originária do Mediterrâneo e da Ásia Ocidental. A ervilhaca comum proporciona boa cobertura do solo, podendo atingir de 50 a 80 cm de altura, possui flores isoladas de coloração azul, violácea ou arroxeadas, que auxiliam na sua identificação. Adaptada ao clima sul-brasileiro, a ervilhaca é utilizada para adubação verde, cobertura do solo e forragem, frequentemente integrada em consórcios ou misturas forrageiras com gramíneas (Carvalho et al., 2022).

Figura 1. Ervilhaca, leguminosa anual de inverno do gênero Vicia.

Foto: Renato Serena Fontaneli (2017).

De acordo com Carvalho (2022), a Vicia sativa é caracterizada por raízes profundas e ramificadas, o que contribui para a melhoria da estrutura física do solo. Além disso, ela apresenta uma excelente capacidade de fixação de nitrogênio, bem como um potencial de supressão de plantas daninhas devido ao seu rápido desenvolvimento e efeito alelopático. Essa espécie geralmente se desenvolve bem em solos argilosos e férteis, embora também possa se adaptar a solos arenosos desde que tenham uma fertilidade adequada. No entanto, ela não tolera solos excessivamente úmidos ou muito ácidos (Santos et al.).

Tiecher (2016) destaca que a ervilhaca é uma herbácea com hábito de crescimento trepador, apresenta boa quantidade de raízes, além de proporcionar uma boa cobertura de solo. A época indicada para a semeadura da ervilhaca estende-se de março a agosto, podendo ser realizada a lanço ou em linhas de semeadura, geralmente com espaçamentos entre 0,25 e 0,30 m e a densidade de semeadura varia entre 50 e 80 Kg por hectare e de acordo com o número de espécies que serão consociadas. Quando semeada a lanço, podem ser utilizados 20% a mais de sementes (Calegari, 2016).

Segundo Boeni et al. (2021), a ervilhaca se desenvolve muito bem em associação com gramíneas de inverno, como a aveia-preta, destacando-se pelo seu excelente potencial para produção de fitomassa e no fornecimento de nitrogênio para a cultura seguinte. Estudos realizados por Forte et al. (2018), observaram que a ervilhaca semeada de forma isolada ou em consórcio, produz um volume considerável de resíduos vegetais para a cobertura do solo.

Figura 2. Produção de massa seca da parte aérea (MS) pelas coberturas vegetais do solo.

Fonte: Adaptado de Forte et al. (2018).

A ervilhaca, conforme destacam Carvalho et al. (2022), se insere no sistema de conservação como uma leguminosa de inverno. Ela é capaz de ocupar o solo durante os meses sem cultivo, desde que a demanda por água seja suprida. Uma de suas características mais importante é a capacidade de fixação de nitrogênio. Além de aumentar o fornecimento de nitrogênio para a cultura subsequente, a ervilhaca também oferece cobertura ao solo, ajudando a minimizar a erosão.

O estabelecimento da associação simbiótica com bactérias fixadoras de grandes quantidades de nitrogênio na ervilhaca, proporciona um bom aporte do nutriente ao solo. A planta é capaz de produzir uma biomassa que fornece aproximadamente 145 Kg ha-1 de nitrogênio (N), 30 Kg ha-1 de fósforo (P), 117 Kg ha-1 de potássio (K), 49 Kg ha-1 de cálcio (Ca) e 49 Kg ha-1 de magnésio (Mg) em 5,5 t ha-1 de massa seca (MS) (Carvalho et al., 2022).

Figura 3. Identificação, características e semeadura da ervilhaca comum.

Fonte: Calegari (2016).

Vicia sativa é caracterizada por uma baixa relação carbono/nitrogênio (C/N= 18,6), o que acelera a decomposição dos resíduos vegetais. De acordo com Heinrichs et al. (2001), a inclusão de gramíneas em consócios com a espécie é considerada uma alternativa para incrementar essa relação e proporcionar, consequentemente, uma maior persistência dos resíduos culturais sobre a superfície do solo.

Dentre as principais vantagens do uso da ervilhaca como planta de cobertura, Calegari (2016) destaca a ótima supressão na população de plantas daninhas, devido ao cobertura que proporciona ao solo e o elevado aporte de nitrogênio pela fixação biológica de nitrogênio. No entanto, é importante notar que a ervilhaca é uma planta exigente em pH do solo, sendo necessária a correção do solo para garantir seu desenvolvimento adequado. É uma espécie extremamente versátil, podendo desempenhar diversas funções como cobertura do solo, adubação verde e forragem para alimentação animal. As múltiplas vantagens de sua utilização a tornam uma alternativa atraente para ser incorporada nos sistemas de cultivo agrícola.


Veja mais: Nabo forrageiro: Uma Excelente Opção para Cobertura Verde



Referências:

BOENI, M. et al. CULTURAS DE COBERTURA DE SOLO EM SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE GRÃOS. Governo do Estado do Rio Grande do Sul, circular técnica, 10. Porto Alegre – RS, 2021. Disponível em: < https://www.agricultura.rs.gov.br/upload/arquivos/202107/13151231-n-10-2021-culturas-de-cobertura-de-solo-em-sistemas-de-producao-de-graos.pdf >, acesso em: 01/03/2024.

CALEGARI, A. PLANTAS DE COBERTURA: MANUAL TÉCNICO. IAPAR, Projeto Solo Vivo, 2016. Disponível em: < https://www.ecoagri.com.br/web/wp-content/uploads/Plantas-de-Cobertura-%E2%80%93-Manual-T%C3%A9cnico.pdf >, acesso em: 01/03/2024.

CARVALHO, M. L. et al. GUIA PRÁTICO DE PLANTAS DE COBERTURA: ASPECTOS FITOTÉCNICOS E IMPACTOS SOBRE A SAÚDE DO SOLO. ESALQ, Piracicaba – SP, 2022. Disponível em: < https://www.esalq.usp.br/biblioteca/pdf/Livro_Plantas_de_Cobertura_completo.pdf >, acesso em: 01/03/2024.

FORTE, C. T. et al. COBERTURAS VEGETAIS DO SOLO E MANEJO DE CULTIVO E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA AS CULTURAS AGRÍCOLAS. Universidade Federal Rural de Pernambuco, 2018. Disponível em: < https://www.redalyc.org/jatsRepo/1190/119060469008/html/index.html >, acesso em: 01/03/2024.

HEINRICHS, R. et al. CULTIVO CONSORCIADO DE AVEIA E ERVILHACA: RELAÇÃO C/N DA FITOMASSA E PRODUTIVIDADE DO MILHO EM SUCESSÃO. Revista Brasileira de Ciências do Solo, 2001. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/rbcs/a/PdFt5M6wTqcZp7FfbScJwcc/?format=pdf#:~:text=A%20rela%C3%A7%C3%A3o%20C%2FN%20das,como%20cultura%20solteira%20(T1). >, acesso em: 01/03/2024.

SANTOS, H. P. et al. LEGUMINOSAS FORRAGEIRAS ANUAIS DE INVERNO. Embrapa, cap. 10. Disponível em: < http://www.cnpt.embrapa.br/biblio/li/li01-forrageiras/cap10.pdf >, acesso em: 01/03/2024.

TIECHER, T. MANEJO E CONSERVAÇÃO DO SOLO E DA ÁGUA EM PEQUENAS PROPRIEDADES RURAIS NO SUL DO BRASIL: PRÁTICAS ALTERNATIVAS DE MANEJO VISANDO A CONSERVAÇÃO DO SOLO E DA ÁGUA. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre – RS, 2016. Acesso em: < https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/149123/001005239.pdf?sequence=1&isAllowed=y >, acesso em: 01/03/2024.

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Equipe Mais Soja
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