A escalada das tensões no Oriente Médio e os riscos de interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz voltaram a acender um alerta global sobre segurança energética. Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), o momento reforça a importância de o Brasil avançar em uma estratégia nacional que valorize sua capacidade de produzir energia renovável a partir da própria agricultura.

Cerca de um quarto do petróleo transportado por via marítima no mundo passa pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do comércio global. Qualquer ameaça de bloqueio nessa região costuma provocar elevação imediata nos preços do petróleo, aumento do custo do frete e instabilidade no abastecimento internacional de combustíveis.

Apesar de ser um dos maiores produtores e exportadores de petróleo do planeta, o Brasil ainda depende da importação de uma parcela relevante do diesel consumido internamente, combustível que movimenta setores essenciais da economia, como o transporte de cargas e a própria agricultura. Para a Aprosoja MT, essa dependência expõe a produção de alimentos a riscos que poderiam ser mitigados por meio de uma política energética mais integrada ao potencial agroindustrial do país.

O Brasil é hoje o maior produtor e exportador de soja do mundo e possui uma das cadeias agroindustriais mais eficientes do planeta. Parte significativa dessa produção já abastece a indústria nacional de biodiesel, colocando o país entre os maiores produtores globais desse combustível renovável.

O biodiesel brasileiro consolidou-se como uma política pública relevante, capaz de reduzir emissões, gerar renda no interior do país e diminuir a dependência de combustíveis fósseis importados. Diante de um cenário internacional cada vez mais instável, no entanto, o setor produtivo avalia que o país precisa avançar.

Entre as medidas consideradas estratégicas está a elevação da mistura obrigatória de biodiesel no diesel comercializado no país. O avanço para o B17 ampliaria a segurança energética nacional, reduziria a necessidade de importação de diesel e fortaleceria a cadeia nacional de biocombustíveis.

Para a entidade, o debate também precisa evoluir para discutir o papel do biodiesel puro (B100) como instrumento de segurança energética capaz de reduzir a exposição à situações excepcionais de risco de abastecimento. A agricultura depende diretamente do diesel para operar. Tratores, colheitadeiras, pulverizadores, caminhões e toda a logística agrícola utilizam esse combustível.

Em cenários extremos de crise internacional ou interrupção de fornecimento, a falta de combustível poderia comprometer o plantio, a colheita e a produção de alimentos. Nesse contexto, a possibilidade de utilização de biodiesel produzido a partir da própria cadeia agrícola surge como alternativa estratégica.

A Aprosoja MT defende que o país discuta mecanismos que permitam que cooperativas, agroindústrias regionais ou que produtores organizados possam produzir biodiesel destinado ao consumo das próprias operações agrícolas, garantindo a continuidade da produção.

A ideia não é de substituir o sistema nacional de distribuição de combustíveis, mas sim criar um mecanismo de segurança para reduzir a dependência do fornecimento externo. Além do impacto direto no campo, o debate sobre segurança energética também envolve toda a economia brasileira. O transporte rodoviário, responsável pela maior parte da logística nacional, depende majoritariamente do diesel para garantir o abastecimento de alimentos, medicamentos e bens de consumo em todo o território.

Para a entidade, ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética nacional, fortalecer a cadeia de biodiesel e debater o uso estratégico do B100 são passos importantes para aumentar a resiliência energética do país.

Em um cenário internacional marcado por conflitos geopolíticos e instabilidade nos mercados de energia, o Brasil reúne condições únicas para transformar sua potência agrícola em uma vantagem estratégica também no campo da segurança energética. Um país que alimenta mais de um bilhão de pessoas no mundo precisa garantir que sua produção não seja interrompida por falta de insumos essenciais.

Fonte: Aprosoja MT



 

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Autor:Aprosoja MT

Site: Aprosoja MT

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