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Escolha dos genótipos de milho

A escolha dos híbridos e/ou de variedades de polinização aberta que serão utilizadas em uma lavoura é um dos fatores de definição da produtividade, juntamente com a escolha da época de semeadura (Lobell et al., 2009).

Para o produtor escolher o melhor genótipo, é necessário fazer um diagnóstico da lavoura e levar em consideração os seguintes fatores:

  • 1) adaptação às condições edafoclimáticas da região de cultivo;
  • 2) ciclo adequado para as diferentes regiões e sistemas de produção;
  • 3) potencial produtivo e/ou estabilidade;
  • 4) nível de tecnologia da lavoura e expectativa de produtividade;
  • 5) resistência ou tolerância aos principais problemas fitossanitários;
  • 6) aceitação comercial da textura e cor do grão (Cruz et al., 2011).

Os genótipos de milho são classificados em: cultivares crioulas, variedades de polinização aberta (VPAs) e híbridos (simples, duplos e triplos). As cultivares crioulas de milho, aquelas que não passaram pelo processo convencional de melhoramento genético, possuem grande capacidade de adaptação aos diferentes ambientes de produção (rusticidade) e estão em constante processo evolutivo, o que gera uma alta diversidade genética.

Os HS são aqueles que possuem maior potencial produtivo, maior uniformidade de plantas e de espigas. Esses híbridos, produzidos a partir do cruzamento de duas linhagens puras, são indicados para lavouras que tem como objetivo altas produtividades, necessitando maior nível de investimento, uma vez que possuem sementes de alto valor comercial.

Já os HD são obtidos a partir do cruzamento entre dois híbridos simples, e os HT são desenvolvidos através do cruzamento entre uma linhagem pura e um híbrido simples, sendo indicados para lavouras de média a alta tecnologia.

Em relação à duração do ciclo de desenvolvimento, as empresas de melhoramento genético de milho classificam os genótipos em hiperprecoce, superprecoce, semiprecoce, precoce e normal. Porém a duração de um mesmo ciclo de desenvolvimento pode variar de acordo com a empresa obtentora.

A classificação mais apropriada é através do acúmulo térmico (ºC dia) necessário para atingir a maturidade fisiológica. Assim, os genótipos de ciclo hiperprecoce, superprecoce e precoce necessitam de 1488, 1634 e 1711ºC dia, respectivamente, para atingirem o estágio de maturidade fisiológica (R6).

Na Figura 1, são apresentadas a soma térmica total e a faixa do número total de dias para que genótipos precoces, superprecoces e hiperprecoces completem o ciclo de desenvolvimento.

Figura 1. Soma térmica acumulada (vermelho) e faixa de número de dias (preto) necessárias para genótipos de milho de ciclo precoce, superprecoce e hiperprecoce completarem o ciclo de desenvolvimento. Para as estimativas foram consideradas semeaduras desde o mês de agosto até fevereiro no Brasil.
Fonte: Ecofisiologia do milho visando altas produtividades 1ª edição.

Os genótipos de ciclo precoce são disponibilizados em maior quantidade (69%) pelas empresas de melhoramento genético de milho (Figura 2). Esse é também o ciclo mais cultivado no Brasil, por apresentar elevado potencial produtivo, o que está associado a maior duração do ciclo em relação aos super e hiperprecoces.

Figura 2. Percentual de genótipos de milho disponíveis no Brasil, nos últimos nove anos agrícolas (2014/15 a 2022/23), quanto a duração do ciclo de desenvolvimento. Adaptado de: Pereira Filho; Borghi (2020, 2022).
Fonte: Ecofisiologia do milho visando altas produtividades 2ª edição.

O aumento da tolerância a altas densidades de plantas e da eficiência no uso dos recursos permitiram aos produtores de milho alcançar altas produtividades utilizando genótipos de ciclo hiperprecoce e superprecoce (Figura 3), associado a um excelente manejo (Assefa et al., 2018).

Isso causou um crescimento no uso desses ciclos, intensificando os sistemas de produção no Brasil. No Rio Grande do Sul, o uso de genótipos de ciclo superprecoce ou hiperprecoce, juntamente com a  antecipação da semeadura do milho (há registo de semeaduras no final do mês de julho), possibilitam o cultivo da soja na segunda safra, e assim, a intensificação do sistema produtivo.

Na região Central do Brasil e no Paraná, geralmente a semeadura do milho ocorre na segunda safra, logo após a cultura da soja. Nessa situação, o ciclo de desenvolvimento utilizado vai impactar no sucesso do cultivo em função do período seco (Cerrado Brasileiro) e evitando que a cultura seja afetada por geadas antecipadas (Paraná).

Todos estes fatores associados levam ao aumento de produtividade e produção de milho nas últimas décadas.

Figura 3. Potencial médio de produtividade de milho (simulado pelo modelo Hybrid Maize, versão 2019, YANG et al., 2004a) para genótipos de ciclo precoce, superprecoce e hiperprecoce no Centro-oeste, Sudeste e Sul do Brasil, considerando a data de semeadura preferencial para cada região. 
Fonte: Ecofisiologia do milho visando altas produtividades 1ª edição.

A escolha de genótipos resistentes ou tolerantes a estresses bióticos, sejam doenças ou insetos, é a primeira e a mais ecológica alternativa para o controle, apresentando custo menor e possibilitando boas produtividades, mesmo em lavouras com alta incidência de pragas (Fritsche-Neto; Môro, 2015).

Outra estratégia importante a ser adotada é a diversificação da base genética da lavoura, posicionando os materiais de acordo com as características de cada talhão da propriedade, escalonando a época de semeadura, de acordo com o ciclo dos híbridos. Além disso, escolher os genótipos da preferência das indústrias e do mercado consumidor do produto. Os grãos de milho podem ser divididos em grãos duros ou dentados.

Os grãos duros são aqueles que possuem uma redução na proporção de endosperma farináceo, apresentando endosperma predominantemente córneo, com aspecto vítreo, enquanto que os grãos dentados possuem consistência parcial ou totalmente farinácea.

Para o ano agrícola 2022/23 estavam disponíveis 98 genótipos, porém este número já foi muito superior. Por exemplo, no ano agrícola 2010/11 foram 498 genótipos, e mesmo em safras mais recentes, como 2021/22, haviam 259 genótipos disponíveis no mercado (Figura 4).

Figura 4. Número de genótipos disponíveis no mercado de sementes de milho no Brasil, desde a safra 2000/01 até 2022/23. Fonte: adaptado de Pereira Filho, Israel Alexandre (2020) e Conab (2022).
Fonte: Ecofisiologia do milho visando altas produtividades 2ª edição.

A escolha de cultivares de milho é uma decisão crucial que pode influenciar significativamente a produtividade e rentabilidade agrícola. Considerar fatores como a adaptabilidade ao clima local, resistência a pragas e doenças, potencial de rendimento, e requisitos de manejo é fundamental para maximizar os benefícios.

Além disso, a integração de tecnologias modernas, como sementes geneticamente modificadas e práticas de agricultura de precisão, pode otimizar ainda mais os resultados. Em última análise, a seleção criteriosa de cultivares, aliada a práticas agrícolas sustentáveis, é essencial para garantir a sustentabilidade e eficiência da produção de milho.

Autora: Cintia Piovesan Pegoraro – Equipe Field Crops UFSM

Referências Bibliográficas

ECOFISIOLOGIA DO MILHO: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES / BRUNA SAN MARTIN ROLIM RIBEIRO… [ET AL.]. 1. ED. SANTA MARIA: [S. N.], 2020 (EDIÇÃO ESGOTADA).

Em breve livro impresso da 2ª edição do livro Ecofisiologia do milho: visando altas produtividades. Lista de espera, clicando aqui.



Equipe Mais Soja
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