Uma das principais pragas da cultura da soja, a lagarta falsa-medideira (Chrysodeixis includens), incide sobre a soja principalmente durante o final do período vegetativo e durante o período reprodutivo da cultura (Figura 1). Seus danos são características dessa espécie, já que a lagarta consome o parênquima folia, deixando as nervuras das folhas intactas, dando a folha um aspecto rendilhado (Sosa-Gómez et al., 2014).

Figura 1. Ocorrência das principais pragas da soja durante seu período de desenvolvimento.

Adaptado: Aegro

A lagarta apresenta algumas características corporais que fazem com que a praga seja diferenciada das demais, entretanto, uma das principais particularidades da falsa-medideira é sua forma de deslocamento, deslocando-se como que “medindo palmos”.

Figura 2. Características da lagarta falsa-medideira.

Fonte: PROMIP

Conforme destacado por Grigolli (2016), o nível de ação para o controle da falsa-medideira corresponde a 20 lagartas maiores do que 1,5 cm ou 30% de desfolha na fase vegetativa ou 15% de desfolha na fase reprodutiva. Contudo, para um adequando manejo e controle, não basta apenas conhecer o período de ocorrência e níveis de ação para o controle da praga, sendo essencial a utilização de inseticidas que demonstrem eficiência conhecida quando empregados de forma correta.

A eficiência de diferentes inseticidas químicos para controle da lagarta falsa-medideira foi avaliada pela Fundação MS em experimento conduzido na safra 2018/2019, onde diferentes inseticidas foram utilizados para controle de diferentes populações da praga, sendo avaliadas a eficiência desses produtos no controle de populações com até 8 lagartas por metro linha e populações com mais de 20 lagartas por metro de linha.



Os resultados obtidos pelo estudo indicaram variações na eficiência de controle dos inseticidas utilizados. No experimento de baixa população, verificou-se que os inseticidas Pirate, Proclaim 50 + Ochima (250 + 600 ml ha-1), Voraz (nas duas dosagens utilizadas), Exalt (nas três dosagens utilizadas) e Avatar apresentaram valores iguais ou superiores à 80% em pelo menos três avaliações realizadas (tabela 1). Já no experimento de alta população, apenas um dos inseticidas avaliados (Pirate) atingiu o patamar de pelo menos 80% de controle em três avaliações ou mais (Grigolli & Grigolli, 2019).

Tabela 1. Eficiência de inseticidas químicos no controle de Chrysodeixis includens na cultura da soja aos 1, 4, 7, 10 e 14 dias após a aplicação dos tratamentos (DAA) em baixa população da praga (até 8,0 lagartas por metro de linha). Maracaju, MS, 2019.

Fonte: Grigolli & Grigolli (2019).

Os resultados obtidos no estudo realizado pela Fundação MS demonstram a importância de o controle ser realizado ainda com baixas populações da praga visando maior eficiência de controle, visto que sob altas populações, grande parte dos produtos analisados apresenta baixa eficiência conforme os resultados observados no presente estudo. Os princípios ativos e respectivas doses avaliadas no experimento podem ser observados na tabela 2.

Tabela 2. Inseticidas, dosagem (ml ou g p.c. ha-1) e ingrediente ativo dos tratamentos utilizados. Maracaju, MS, 2019.

Fonte: Grigolli & Grigolli (2019)

Confira o Trabalho completo clicando aqui!


Veja também: Eficiência de inseticidas no controle de tripes em soja


Referências:

GRIGOLLI, J. F. J. PRAGAS DA SOJA E SEU CONTROLE. Fundação MS, Tecnologia e Produção: Soja 2015/2016, 2016. Disponível em: < http://www.fundacaoms.org.br:8080/base/www/fundacaoms.org.br/media/attachments/239/239/newarchive-239.pdf >, acesso em: 30/03/2021.

GRIGOLLI, J. F. J.; GRIGOLLI, M. M. K. PRAGAS DA SOJA E SEU CONTROLE. Fundação MS, Tecnologia e Produção: Soja 2018/2019, 2019. Disponível em: < https://www.fundacaoms.org.br/base/www/fundacaoms.org.br/media/attachments/342/342/5e398269671f468acd675754c30cc84b8d3109c20345f_05.-pragas-da-soja-e-seu-controle.pdf >, acesso em: 30/03/2021.

SOSA-GÓMEZ, D. R. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE INSETOS E OUTROS INVERTEBRADOS DA CULTURA DA SOJA. Embrapa, Documentos, n. 269, 2014. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/105924/1/Doc269-OL.pdf >, acesso em: 30/03/2021.

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