As condições climáticas e ambientais observadas no Sul do Brasil têm favorecido o rápido desenvolvimento e a progressão da ferrugem-asiática em lavouras de soja. A presença de molhamento foliar, caracterizado pela água livre na superfície das folhas, associada a temperaturas entre 18 °C e 26,5 °C cria um ambiente altamente propício à infecção pelo fungo causador da doença.
De acordo com Soares et al. (2023), são necessárias no mínimo seis horas de molhamento foliar contínuo para que a infecção ocorra. Nesse contexto, a ocorrência frequente de orvalho e/ou chuvas, aliada à presença de inóculo nas áreas de cultivo, tem contribuído de forma significativa para o avanço da ferrugem-asiática no território nacional.
Ainda que medidas preventivas venham sendo adotadas para o manejo da ferrugem-asiática da soja, atualizações do Consórcio Antiferrugem demonstram um aumento significativo nos casos de ferrugem, especialmente no Sul do Brasil, nos estados do Paraná e Rio Grande do Sul. Atualmente, são relatados casos de ocorrência da ferrugem na safra 2025/2026 nos estados do Paraná (110 casos), Mato Grosso do Sul (58 casos), Rio Grande do Sul (25 casos), São Paulo (5 casos), Santa Catarina (2 casos), Mato Grosso (1 caso) e Minas Gerais (1 caso).
Figura 1. Distribuição dos casos de ferrugem-asiática na safra 2025/2026 quanto ao estado de ocorrência. Atualização de 20 de Janeiro de 2026.

Figura 2. Mapa de dispersão dos casos de ferrugem-asiática em soja, na safra 2025/2026. Atualização de 20 de Janeiro de 2026.

A maioria dos casos foram relatados em período reprodutivo da soja, em estádio de enchimento de grãos (figura 3), sendo esse, um dos períodos mais sensíveis da soja a ocorrência de estresses bióticos e abióticos.
Figura 3. Distribuição dos casos de ferrugem-asiática na safra 2025/2026 quanto ao estádio de desenvolvimento das plantas afetadas. Atualização de 20 de Janeiro de 2026.

Mesmo que possa ocorrer em qualquer estádio do desenvolvimento da soja, os danos em decorrência da ferrugem tendem a ser mais severos quando a doença ocorre na fase reprodutiva da soja. Estudos indicam que para cada 1% de incidência foliolar, para a densidade de lesões variaram de 13,34 a 127,4 kg/ha/1 lesão/cm² e para densidade urédias variaram de 5,53 a 110,0 kg/ha/1 uredia/cm², tem-se a redução da produtividade de 3,41 a 9,02 kg/ha (Danelli; Reis; Boaretto, 2015).
Sobretudo, vale destacar que o impacto gerado pelos danos ocasionados pela ferrugem-asiática pode variar de acordo com a suscetibilidade da cultivar, época e período de ocorrência da doença, bem como severidade dos danos. Ainda assim, a doença apresenta um elevado potencial em reduzir a produtividade. Logo, medidas preventivas à ocorrência da ferrugem devem ser adotadas, especialmente em áreas próximas aos relatos de ocorrência da doença.
Acompanhe as atualizações dos casos de ferrugem pelo site do Consórcio Antiferrugem. Clique aqui!.
Referências:
CONSÓRCIO ANTIFERRUGEM. MAPA DA DISPERSÃO. Consórcio Antiferrugem: Parceria público-privada no combate à ferrugem asiática da soja, 2025. Disponível em: < http://www.consorcioantiferrugem.net/#/main >, acesso em: 20/01/2026.
DANELLI, A. L. D.; REIS, E. M.; BORETTO, C. CRITICAL-POINT MODEL TO ESTIMATE YIELD LOSS CAUSED BY ASIAN SOYBEAN RUST. Summa Phytopathol., Botucatu, v. 41, n. 4, p. 262-269, 2015. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/sp/v41n4/0100-5405-sp-41-4-0262.pdf >, acesso em: 20/01/2026.
SOARES, R. M. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa Soja, Documentos, n. 256, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/handle/doc/1158639 >, acesso em: 20/01/2026.





