Introdução.

Na cultura do trigo ocorrem três doenças com o nome comum de ferrugem: ferrugem do colmo, ferrugem da folha, ferrugem linear. Essa última recebe ainda as denominações de ferrugem amarela ou ferrugem da gluma (Fig. 1). O nome comum de ferrugem se deve a coloração dos esporos que lembram a ferrugem (óxido de ferro = esporos) dos metais ferrosos. Figura 1. Ferrugens do trigo: sintomas e sinais da ferrugem do colmo, da folha e da linear.

A ferrugem linear tem como agente causal o fungo, basidiomiceto, Puccinia striiformis Westend. f. sp. tritici Erikss. Esta ferrugem foi descrita pela primeira vez na Europa em 1777 e na Argentina em 1929.

Dano (redução do rendimento). A ferrugem linear é de importância econômica secundária. No Brasil ocorre esporadicamente, sendo observada nos anos de invernos mais rigorosos no Rio Grande do Sul e nos Campos Gerais do Paraná.

Sintomas e sinais- A ferrugem linear manifesta-se inicialmente em focos na lavora e em todos os órgãos verdes (Fig. 2). Em folhas na forma de listras ou linhas pontilhadas amarelas no sentido das nervuras donde o nome comum de ‘ferrugem linear’.

Figura 2. Reboleiras de plantas de trigo atacadas pela ferrugem linear.

Após o espigamento, nas plantas mais severamente atacadas, ocorre abundante esporulação no interior das glumas, donde o nome comum de ferrugem da gluma [Puccinia glumarum (Schm.) Hericss. & Henn.] (Fig. 3).

Figura 3. Sintomas e sinais da ferrugem linear em espiga e glumas (Puccinia glumarum)

Em folhas na forma de listras ou linhas pontilhadas amarelas no sentido das nervuras donde o nome comum de ‘ferrugem linear’ (Fig. 4)

Requerimentos térmicos.

Das três ferrugens do trigo essa é com requerimentos térmicos mais baixos. Temperatura inferior para o desenvolvimento da doença é de 0oC, a ótima de 7 – 12oC e a máxima de 20 – 26oC. A ferrugem linear é uma doença policíclica cujos ciclos se repetem várias vezes durante o ciclo do trigo resultando no crescimento de sua intensidade. Cada ciclo de uredosporo a uredosporo é em torno de 10 dias com condições ambientais ideais. A ferrugem linear é considerada uma doença de baixa temperatura e frequentemente ocorre em áreas temperadas com condições de clima frio e úmido.

Epidemias severas têm ocorrido em áreas mais quentes onde a doença inicialmente foi relada como infrequente ou ausente. Com isso tem sido proposta que a população do fungo desenvolveu adaptação a temperatura mais alta, segundo Milus et al. (2008).

Etiologia.

Os urediniosporos são elipsoidais a obovoides, com média de 24.5 × 21.6 μm, amarelo-laranja em cor e equinulados (Fig. 5) e formados em urédias ou pústulas (Fig. 6). Os esporos germinam rapidamente na presença de água na faixa térmica de 7 de 12 °C.

Figura 5. Uredosporos de Puccinia striiformis tritici.


Figura 6. Urédias contendo uredosporos de Puccinia striiformis tritici.

Os teliosporos são formados no final do ciclo do trigo quando a temperatura aumenta. Esses esporos são bicelulados, pardo-escuros com paredes espeças medindo (Fig. 7).

Figura 7. Télias negras entremeadas com uredosporos em folha de trigo e teliosporos de Puccinia striiformis tritici.

Hospedeiros.

Forma uredinial e telial: trigo comum (Triticum aestivum L.), trigo duro (T. turgidum var. durum L.) e triticale (Triticosecale). Pode infectar algumas cultivares de cevada (Hordeum vulgare L.) e de centeio (Secale cereale L.), mas geralmente não causa dano severo.

Forma picnial e aecial (em hospederios alternativos): Berberis (Berberis chinensis, B. koreana, B. holstii, B. vulgaris, B. shensiana, B. potaninii, B. dolichobotrys, B. heter opoda, etc.) e uva de Oregon (Mahonia aquifolium). Estes hospedeiros não ocorrem no Brasil.

Distancia da dispersão dos uredosporos.

Na América do Norte o fungo (uredosporos) cobrem uma distância de cerca de 2400 km do norte do México e sul do Texas a Dakota do Norte em seis meses.

Controle químico – Na Argentina, tem sido indicados fungicidas à base de IDMs + IQes, e como limiar de dano econômico sugerido de 10 – 20 % incidência folhar a partir da elongação considerando a contribuição das folhas e da espiga para o rendimento de grãos do trigo (Fig.5).



Foto de capa: Instituto Agris.

Referências consultadas

Carmona, M., Sautua, F. (2018). Epidemias de roya amarilla del trgio. Nuevas razas em em mundo, monitoreo y decisiones de uso de fungicidas. Agronomía y ambiente. Revista de la Facultad de Agronomia, v. 38, no.1, p. 37-58, 2018

Carmona M, Sautua F, Pérez-Hérnandez O, Reis EM (2020). Role of Fungicide Applications on the Integrated Management of Wheat Stripe Rust. Front. Plant Sci. 11:733. doi: 10.3389/fpls.2020.00733

Carmona, M.A., Sautua, F.J., Pérez-Hernández, O. et al. Rapid emergency response to yellow rust epidemics caused by newly introduced lineages of Puccinia striiformis f. sp. tritici in Argentina. Trop. plant pathol. 44, 385–391 (2019). https://doi.org/10.1007/s40858-019-00295-y

Chen, X.M., Penman, L., Wan, A.M. and Cheng, P. (2010). Virulence races of Puccinia striiformis f. sp. tritici in 2006 and 2007 and development of wheat stripe rust and distributions, dynamics, and evolutionary relationships of races from 2000 to 2007 in the United States. Can. J. Plant Pathol. 32, 315– 333.

Chen, W., Wellings,C., Chen, X., Kang, Z. & Liu, T. (2014). Wheat stripe (yellow) rust caused by puccinia striiformis f. sp. Tritici. Molecular plant pathology, 15 (5), p. 433-446.

Embrapa. Ocorrência de ferrugem linear do trigo no Rio Grande do Sul safra 2020. Embrapa trigo nota técnica, Passo Fundo, 17 de setembro 2020

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