O fósforo (P) desempenha um papel central no metabolismo vegetal, atuando no transporte de energia celular (ATP), na fotossíntese e na respiração, além de compor moléculas essenciais como ácidos nucleicos, fosfolipídios e coenzimas (Melo & Mendonça, 2019). Devido à sua importância para o alcance de altos tetos produtivos, a baixa disponibilidade de P nos estádios fenológicos iniciais pode comprometer o desenvolvimento da cultura de forma irreversível, reduzindo o potencial de rendimento final (Pinto & Duarte, 2019).
Em sistemas agrícolas consolidados, é comum observar um gradiente de concentração de P nas camadas superficiais do solo (Figura 1). Esse fenômeno, somado à elevada capacidade de fixação de fósforo característica dos solos brasileiros, demanda aplicações regulares de fertilizantes fosfatados para atender à exigência das culturas. Na cultura da soja, por exemplo, a taxa de absorção de P pode atingir 400 g ha-1 dia-1 entre R5 e R7 (aproximadamente dos 80 aos 115 dias do ciclo) (Figura 2).
Figura 1. Distribuição da concentração de fósforo (mg dm-3) (Mehlich-1) ao longo do perfil do solo, mostrando a variação com a profundidade (cm). Dados referentes a 218 lavouras de 15 estados do Brasil.

Figura 2. Marcha de acúmulo e redistribuição de fósforo de uma lavoura de soja com produtividade de 6,3 t ha-1.

Embora o requerimento de P pela soja seja inferior comparado à quantidade de nitrogênio e potássio que a planta precisa, a adubação de P apresenta baixa eficiência devido à fixação do solo. Por esse motivo, rotineiramente é necessário fertilizações em quantidades superiores ao requerimento. Dados de lavouras da Equipe FieldCrops apontam as máximas produtividades com adubação de 91 kg ha-1 de P2O5 e teor de P no solo de 23 mg dm-3 (Mehlich-1) na camada de 0-20 cm (Winck et al., 2023) (Figura 3A e Figura 3B).
Complementarmente, a análise de 709 lavouras de soja revelou que a Eficiência de Uso do Fósforo (EUP) que maximiza a produtividade é de74 kg de grãos kg-1 de P2O5 aplicado (Winck et al., 2023) (Figura 3C). Observou-se que, em média, para cada quilograma de incremento na EUP, há um aumento de 66 kg ha-1 na produtividade de grãos (Winck et al., 2023) (Figura 3D). Vale ressaltar que valores de EUP superiores aos citados anteriormente podem estar relacionados à baixa fertilização da lavoura, o que pode resultar em empobrecimento de P no solo.
Figura 3. Relação entre produtividade da soja e teor de P no solo (Mehlich-1, camada 0-20 cm) (A), Relação entre produtividade e adubação de P2O5 (B), Relação entre eficiência do uso do fósforo e produtividade (C) e pH (H2O) do solo e eficiência do uso do P2O5 (D).

Referências:
MELO, F. M.; MENDOÇA, L. P. C. Avaliação da disponibilidade de fósforo em solo argiloso com diferentes teores de matéria orgânica. Humanidades e tecnologia, v. 18, n. 1, p. 52–67, 2019. Disponível em: < https://revistas.icesp.br/index.php/FINOM_Humanidade_Tecnologia/article/view/794 >, acesso: 10/04/2026
PINTO, J. DA S.; DUARTE, I. N. Diferentes doses de fósforo com e sem ácidos humicos na cultura do feijão, 2019. Disponível em: < http://repositorio.fucamp.com.br/jspui/handle/FUCAMP/450 >, acesso: 10/04/2026
WINCK, J.E.M et al. Decomposition of yield gap of soybean in environment x genetics x management in Southern Brazil. European Journal of Agronomy, v. 145, p. 126795, 2023. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1161030123000631?via%3Dihub > , acesso: 12/04/2026
WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 2025.




