As doenças são um dos principais fatores limitantes para a produtividade do milho, afetando a cultura ao longo de todo o seu ciclo de desenvolvimento. Entre essas doenças, as foliares são particularmente prejudiciais, destacando-se a helmintosporiose. Causada pelo fungo Exserohilum turcicum, essa doença está presente em todas as áreas de cultivo de milho no Brasil e é considerada uma das mais significativas para essa cultura em diversas regiões do mundo onde o cereal é cultivado (Cota et al., 2013).
No Brasil, Costa et al. (2021) afirmam que as maiores severidades dessa doença têm ocorrido em plantios de milho safrinha. Em condições favoráveis ao desenvolvimento da doença, as perdas na produção podem chegar a 50% quando a infestação ocorre antes do período de floração.
De acordo com Grigolli & Grigolli (2020), o patógeno sobrevive na forma de micélio e conídios em restos de cultura, podendo haver formação de estruturas de resistência chamadas clamidósporos, que podem permanecer na área por vários anos e servir como fonte de inóculo para plantios subsequentes. Os conídios são disseminados a longas distâncias pelo vento, e as infecções secundárias ocorrem devido à disseminação de conídios produzidos em grande quantidade nas lesões foliares.
As condições favoráveis ao desenvolvimento da doença incluem temperaturas moderadas entre 18ºC e 27°C, bem como a ocorrência de longos períodos de molhamento foliar ou a presença de orvalho. O patógeno tem como hospedeiros o sorgo, o capim sudão, o sorgo-de-alepo e o teosinto. No entanto, isolados provenientes do sorgo não são capazes de infectar plantas de milho (Costa et al., 2021). Conforme afirmam Henriques et al. (2014), a redução na produtividade causada pela doença depende da severidade e do estádio de desenvolvimento da cultura na época da infecção, o ataque antes do embonecamento (R1) é considerado altamente prejudicial.
Com o objetivo de elaborar e validar uma escala diagramática para avaliação da severidade de helmintosporiose, Lazaroto et al. (2012) desenvolveram uma escala. A escala elaborada sugere sete níveis de severidade: 0,5; 1,0; 2,5; 6,5; 15,5; 30,0; 54,0%, cada um representando o percentual de área foliar afetada. Os autores destacam que a escala permite uma quantificação acurada e precisa dos sintomas, permitindo sua validação e recomendação como ferramenta nas avaliações da severidade da doença.
Figura 1. Escala diagramática para avaliação de severidade de helmintosporiose comum em milho (Zea mays) causada por Exserohilum turcicum. Valores em percentual de área foliar com sintomas.

Os sintomas da helmintosporiose costumam se manifestar aproximadamente uma semana após a infecção, embora esse período possa variar dependendo do híbrido. Os sintomas típicos incluem lesões necróticas de formato elíptico, com comprimento variando entre 2,5 e 15 cm. A coloração do tecido necrosado varia do verde-cinza ao marrom. As primeiras lesões surgem nas folhas mais velhas e avançam para as partes superiores da planta, podendo ocorrer coalescência das lesões, o que dá às folhas um aspecto queimado.
Embora os grãos não sejam diretamente afetados, algumas lesões podem se formar nas palhas externas das espigas. Em casos de infecção severa, pode ocorrer necrose completa dos tecidos foliares, e as espigas geralmente ficam menores em comparação com plantas saudáveis não atacadas pelo patógeno (Wordell Filho et al., 2016).
Cota et al. (2013) ressaltam que condições de temperatura moderadas e umidade relativa acima de 90% são consideradas ideais para o desenvolvimento de epidemias. A utilização de cultivares resistentes, é considerada a principal medida de controle da helmintosporiose no milho, contribuindo para mitigar os impactos negativos da doença e a manter a produtividade da cultura.
Figura 2. Sintomas helmintosporiose em um genótipo susceptível (A) e a ausência de sintomas no genótipo resistente (B).

O controle da helmintosporiose deve ser realizado através da integração de diversas estratégias de manejo. Além do uso de híbridos resistentes, é fundamental utilizar sementes sadias e realizar a semeadura conforme o zoneamento de risco climático. Práticas como a adubação equilibrada também são essenciais para manter a sanidade da cultura e minimizar os riscos de infecção (Wordell Filho et al., 2016).
Além disso, Grigolli & Grigolli (2020) destacam que o controle da doença também pode ser realizado através da rotação de culturas em áreas de cultivo direto. Quanto ao controle químico, existem alguns produtos registrados para o controle da helmintosporiose em milho, mas seu uso deve ser realizado apenas mediante a identificação correta da doença.
Confira, a seguir, o calendário de doenças do milho:
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Referências:
COSTA, R. V. et al. MILHO: DOENÇAS FOLIARES. Embrapa, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/milho/producao/pragas-e-doencas/doencas/doencas-foliares >, acesso em: 22/05/2024.
COTA, L. V. et al. HELMINTOSPORIOSE CAUSADA POR Exserohilum turcicum NA CULTURA DO /MILHO. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/milho/producao/pragas-e-doencas/doencas/doencas-foliares >, acesso em: 22/05/2024.
GRIGOLLI, J. F. J.; GRIGOLLI, M. M. K. DOENÇAS DO MILHO SAFRINHA. Tecnologia e Produção: Safrinha, 2019, cap. 4. Maracaju – MS, 2020. Disponível em: < https://www.fundacaoms.org.br/wp-content/uploads/2021/02/Tecnologia-e-Producao-Milho-Safrinha-2019.pdf >, acesso em: 22/05/2024.
HENRIQUES, M. J. et al. CONTROLE DE HELMINTOSPORIOSE EM MILHO PIPOCA COM A APLICAÇÃO DE FUNGICIDAS EM DIFERENTES ÉPOCAS. Revista Ciências Exatas e da Terra e Ciências Agrárias, v. 9, n. 2, p. 45-57, 2014. Disponível em: < https://revista.grupointegrado.br/revista/index.php/campodigital/article/view/1807/609 >, acesso em: 22/05/2024.
LAZAROTO, A. ESCALA DIAGRAMÁTICA PARA AVALIAÇÃO DE SEVERIDADE DA HELMINTOSPORIOSE COMUM EM MILHO. Ciência Rural, v. 42, p. 2131-2137. Santa Maria – RS, 2012. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/cr/a/5cDvMyVXYXMVLpKnDGnNM7h/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 22/05/2024.
WORDELL FILHO, J. A. et al. PRAGAS E DOENÇAS DO MILHO: DIAGNOSE, DANOS E ESTRATÉGIAS DE MANEJO. Epagri, boletim técnico, n. 170. Florianópolis – SC, 2016. Disponível em: < https://ciram.epagri.sc.gov.br/ciram_arquivos/agroconnect/boletins/BT_PragasDoencasMilho.pdf >, acesso em: 22/05/2024.
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