Com a semeadura da soja se aproximando, é fundamental atentar para o controle de plantas daninhas da área de cultivo, dando preferência para a semeadura “no limpo”. A matocompetição pode gerar perdas de produtividade significativas para a cultura da soja, sendo mais expressiva para algumas espécies de plantas daninha.

Uma delas é o capim-amargos (Digitaria insularis) que segundo dados do grupo Supra Pesquisa, quando em densidades populacionais de uma planta por metro quadrado pode reduzir em até 21% a produtividade da soja.

Figura 1. Interferência de diferentes populações de capim-amargoso na produtividade da soja.

Fonte: Supra Pesquisa

Segundo Grigolli (2017), quando pequenas as plantas de capim-amargoso são mais fáceis de serem controladas, sendo o estádio inicial do desenvolvimento da daninha o período ideal para seu controle. Entretanto, assim como o capim-amargoso, plantas de milho espontâneas “milho tiguera” são frequentemente encontradas nas lavouras de soja brasileiras, principalmente em regiões de clima mais ameno onde o inverno não é tão rigoroso.

Assim como o capim-amargoso, o milho tiguera pode causar reduções significativas na produtividade da soja, segundo Faria (2019) em condições de densidade populacional de duas plantas por metro quadrado, o milho pode causar reduções de produtividade de até 33% na cultura da soja (figura 2), sendo assim, é necessário o controle eficiente dessas plantas daninhas. Para o planejamento de um controle eficiente deve-se atentar para os períodos de aplicação dos produtos e os casos conhecidos de resistência, visando utilizar diferentes mecanismos de ação que possibilitem o controle eficientes dessas daninhas.

Figura 2. Interferência de diferentes populações de milho tiguera sobre a produtividade da soja.

Fonte: Faria (2019).


Uma alternativa é a utilização de herbicidas pré-emergentes, muito utilizados antes do surgimento da tecnologia RR mas que podem ser ferramentas fundamentais no controle de plantas daninhas nos dias atuais. No trabalho intitulado “Herbicidas aplicados em pré-emergência para o controle de milho voluntário e capim-amargoso”, Coradin et al. (2019) testaram a eficiência de controle de diferentes herbicidas sobre o milho tiguera e o capim-amargoso.

Os autores avaliaram a testemunha (sem herbicidas), S-metolachlor, Diclosulam, Imazethapyr, Flumioxazin e Imazethapyr + Flumioxazin. Os herbicidas foram aplicados em pré-emergência das espécies, ou seja, os autores semearam as espécies de daninhas simulando o banco de sementes do solo e logo após realizaram a aplicação dos herbicidas.

As avaliações de contagem de plantas e porcentagem de controle foram realizadas aos 14, 21 e 28 dias após a emergência (DAE). Conforme observado por Coradin et al. (2019), para as condições do presente estudo, os melhores herbicidas visando o controle do milho tiguera foram o diclosulam aplicado de forma isolada e a associação dos herbicidas imazethapyr + flumioxazin. Contudo os autores destacam que para as avaliações realizadas aos 21 e 28 dias após a emergência, apesar dos herbicidas apresentarem resultados semelhantes, nenhum foi capaz de inibir a germinação do milho.

Tabela 1. Controle de plantas de milho voluntário submetidas à aplicação de herbicidas, em pré-emergência. Rio Verde (GO), 2018.

* Médias seguidas por letras iguais não diferem entre si pelo Teste de Tukey a 5% de probabilidade.
Adaptado: Coradin et al. (2019).

Já para o controle de capim-amargoso, nas condições do presente estudo, os autores observaram que todos os herbicidas avaliados apresentaram controle satisfatório do capim-amargoso quando aplicados em pré-emergência da planta daninha. Contudo a maior eficiência de controle aos 28 DAE foi observada com a utilização do S-metalachlor, Flumioxazin e a associação entre Imazethapyr + Flumioxazin, sendo que o S-metalachlor foi capaz de reduzir significativamente a emergência da planta daninha.

Veja também: Perdas por matocompetição em soja: o caso da buva e do amargoso

Tabela 2. Controle de plantas de capim-amargoso submetidas à aplicação de herbicidas em pré-emergência. Rio Verde (GO), 2018.

* Médias seguidas por letras iguais não diferem entre si pelo Teste de Tukey a 5% de probabilidade.
Adaptado: Coradin et al. (2019).

Cabe destacar que conforme os resultados obtidos por Coradin et al. (2019), a utilização de herbicidas em pré-emergência das plantas daninhas pode proporcionar níveis de controle satisfatórios, reduzindo o fluxo de emergência de plantas daninhas e auxiliando no manejo da resistência dessas plantas. Conduto, cabe destacar que é fundamental a análise das condições de cultivo do sistema de produção, atentando para a utilização de produtos adequados e boas condições de tecnologia de aplicação, sendo fundamental evitar a matocompetição e sempre que possível iniciar o cultivo da soja com a lavoura “no limpo”. Confira o trabalho completo de Coradin et al. (2019) clicando aqui.



Referências:

CORADIN, J. et al. HERBICIDAS APLICADOS EM PRÉ-EMERGÊNCIA PARA O CONTROLE DE MILHO VOLUNTÁRIO E CAPIM-AMARGOSO. Revista Científica Rural, v. 21, n. 3, 2019. Disponível em: <http://revista.urcamp.tche.br/index.php/RCR/article/view/2785>, acesso em: 21/09/2020.

FARIA, A. CONTROLE DE MILHO E SOJA TIGUERA. II Seminário Mato-Grossense sobre Manejo da Resistencia. Cuiabá, jul. 2019. Disponível em: <https://b73f4c7b-d632-4353-826f-b62eca2c370a.filesusr.com/ugd/48f515_dba25b8d58fb48ffab6ca47c599bd0d5.pdf>, acesso em: 28/08/2020.

GRIGOLLI, J. F. J. MANEJO E CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS NA CULTURA DA SOJA. Tecnologia e Produção: Soja 2016/2017, Fundação MS, 2017.

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