A cultura do trigo “Triticum aestivum” é uma das opções mais utilizadas pelos produtores no período de inverno, por ser considerada uma ótima opção de renda e, principalmente, pelos inúmeros benefícios que ela proporciona à cultura sucessora (geralmente soja).

Entre essas vantagens, pode-se destacar a produção de uma boa palhada que facilita o manejo de plantas daninhas na cultura em sucessão. Além disso, se houver a necessidade corretiva de algum nutriente como o fósforo, por exemplo, na semeadura do trigo é o momento certo de se realizar essa prática. Isso acontece porque esse nutriente tem como característica a baixa mobilidade no solo e, como o espaçamento das entrelinhas é reduzido (17 cm) para o trigo, ocorre melhor espacialização e incorporação do fósforo na área. Mas, para chegar à produção esperada, em quantidade e qualidade, o produtor precisa estar preparado para todas as etapas da safra envolvidas durante o ciclo de cultivo, principalmente quanto ao manejo de doenças, que relaciona a prevenção e controle de ferrugens na planta.

No Rio Grande do Sul, o trigo é cultivado nos meses de maior variabilidade das condições ambientais (outono-inverno), com excesso de umidade ou a ocorrência de significativas mudanças de temperaturas. Dessa forma, a cultivar pode ficar exposta e vulnerável ao ataque de diferentes patógenos, que encontram nessas condições o melhor ambiente para se desenvolver, como é o caso dos fungos causadores da ferrugem.

A ferrugem em plantas de trigo é ocasionada por fungos fitopatogênicos que podem interferir nas diferentes fases de desenvolvimento da cultura. Dependendo do local onde eles atuam e a sua forma de inóculo, pode-se classificar três tipos principais de ferrugem no trigo: as ferrugens que ocorrem na folha “Puccinia triticina” e “Puccinia striiformis f. sp. tritici“ e a ferrugem do colmo “Puccinia graminis”.

Considerada o tipo de doença mais destrutiva no trigo, a ferrugem do colmo, causada pelo fungo “Puccinia graminis” pode acarretar perdas de até 100% quando ocorre de forma intensa na lavoura. Isso porque, com a senescência dos tecidos acontece a quebra do colmo e consequente perda da planta. O início dos sintomas aparecem de dois a três dias após a penetração do fungo, na forma de manchas com coloração amarelada e com condições ambientais ótimas de desenvolvimento na faixa dos 30 ºC.

Nas folhas, destaca-se a ferrugem linear do trigo ou estriada, que é causada pelo fungo “Puccinia striiformis f. sp. tritici“. Este fungo apresenta seu desenvolvimento mais acentuado quando em condições de orvalho e chuva contínua, com temperatura ideal variando entre 10 a 15 ºC. Essa doença é de baixa incidência no Brasil, mas no último ano, apesar de ter sido considerado um ano seco, a verificação de novas raças adaptadas a temperaturas mais elevadas, tornaram mais importante o monitoramento nas lavouras para esse tipo de ferrugem. O sintoma mais característico é a formação de pústulas com coloração amarelo-clara paralelas às nervuras da folha, em listras (EMBRAPA, 2020).

Dentre os patógenos já destacados, a ferrugem da folha do trigo causada pelo fungo “Puccinia triticina” é uma das principais e mais comum que ataca a cultura, podendo surgir na planta desde a emergência das primeiras folhas ao estádio de maturação e com desenvolvimento acelerado em condições de temperatura de 10 a 30 ºC. É caracterizada pelo surgimento de pústulas aleatórias na superfície das folhas, com esporos de coloração amarelo-escura. A presença do patógeno “Puccinia triticina”, reduz a área fotossintética ativa das plantas com aumento da respiração, podendo causar perdas de produtividade superiores a 50%, principalmente quando a infecção ocorre na folha bandeira antes da antese (EMBRAPA, 2006).

Diante disso, se torna de extrema importância o manejo integrado de doenças que inicia com o planejamento da semeadura, a utilização de cultivares resistentes, o monitoramento e o manejo preventivo da doença. Caso ocorra o aparecimento e a necessidade de controle químico, é necessário que se faça a escolha correta do fungicida, bem como, se tenha assertividade quanto ao momento de se fazer a aplicação. A eliminação de plantas voluntárias, como a cevada e triticale na entressafra, também é importante, pois estas são fontes de inóculo inicial para a nova lavoura, além de servirem de hospedeiro para que o patógeno possa completar seu ciclo de vida, sendo que o mesmo necessita de tecidos vegetais vivos, para que haja sua sobrevivência.

O produtor ou responsável técnico pela lavoura deve estar sempre monitorando o desenvolvimento da cultura visando identificar o estádio inicial de desenvolvimento da doença e a presença de possíveis pústulas, buscando o manejo preventivo. Uma vez que haja a identificação de pústulas, se deve dar a entrada na lavoura, através de manejos com fungicidas, preferencialmente estrobilurinas e triazóis sistêmicos, visando um melhor espectro de ação, proteção e consequente manutenção de residual. Sempre deve se seguir a recomendação das dosagens dos produtos utilizados, evitando se utilizar subdosagens, o que poderá levar ao aparecimento de resistência do patógeno aos produtos.

 Portanto, os manejos preventivos de controle dos diferentes agentes causais da ferrugem do trigo, se demonstram eficientes e de extrema importância para uma boa produtividade. Resultam no maior controle do patógeno a ponto de evitar e não permitir danos e prejuízos significativos à produtividade da cultura.

Autores: Alfredo H. Suptiz e Fernanda Trentin – Acadêmicos de Agronomia e Bolsista do Grupo PET Ciências Agrárias/FW – UFSM – Campus Frederico Westphalen

Referências:

EMBRAPA. Ferrugem da folha (puccinia triticina = P. recondita f. sp. tritici). Disponível em: http://www.cnpt.embrapa.br/biblio/do/p_do64_2.htm. Acesso em: 07/06/2021.

EMBRAPA. Principais doenças do trigo no sul do Brasil: diagnóstico e manejo. Disponível em: https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1129989/principais-doencas-do-trigo-no-sul-do-brasil-diagnostico-e-manejo. Acesso em: 08/06/2021.

Manual de fitopatologia / editado por Hiroshi Kimati (…) [et al.]. – 3ª ed. – São Paulo: Agronômica Ceres, 1995 – 1997. 2 v.: il. Conteúdo: v.1 Princípios e conceitos – v.2 Doenças das plantas cultivadas 1. Cultura agrícola – Doenças 2. Planta – Doença l. Kimati, Hiroshi, ed. CDD 581.2

Foto de capa: Flávio Santana

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