O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito da aplicação de Azospirillum Trichoderma na semeadura e aos 30 dias após a semeadura em dois híbridos de milho.

Autores: Luana Souza Silva¹; Marco Antonio Camillo de Carvalho1; Tainara Rafaely de
Medeiros1; Sabrina Cassia Fernandes1; Eslaine Camichelli Lopes1; Rubens Vieira Maia1; Jean Correia de Oliveira1

Introdução

O milho (Zea mays L.) encontra-se como uma das culturas mais produzidas no mundo, devido principalmente a sua utilização na alimentação animal (Coêlho, 2017). Diante deste cenário, se faz necessário a adoção de tecnologias que visem manter a produtividade e a redução de custos de produção. Dentre essas tecnologias, formulações a base de microrganismos podem proporcionar melhor germinação e desenvolvimento nas primeiras fases da cultura e melhorar a produção de grãos (Cadore et al., 2016). Neste contexto, espécies do gênero Trichoderma vem sendo estudadas como agente de controle biológico por apresentar características antagonistas sobre fungos, e além de induzirem a defesa do
hospedeiro, aumentam a sua resistência contra fungos patogênicos (Gauch, 1996). Em conjunto com o Trichoderma, bactérias do gênero Azospirilum sp. são largamente utilizadas, uma vez que atuam como promotoras de crescimento e maior desenvolvimento radicular, através da produção de fitohormônios e pela fixação de nitrogênio atmosférico, influenciando diretamente no aumento de rendimento do milho (Portugal et al., 2017). O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito da aplicação de Azospirillum e Trichoderma na semeadura e aos 30 dias após a semeadura em dois híbridos de milho.

Material e Métodos

O delineamento experimental foi o de blocos casualizados, em esquema fatorial do tipo 6×2, com 4 repetições, totalizando 48 parcelas. Foram estabelecidos doze tratamentos com quatro repetições, os quais resultaram da combinação de duas variedades de milho (BG7049YH – BioGene® e PRE 22S18 Sempre Sementes®) e aplicações de microrganismos da seguinte forma: aplicação de Azospirillum brasilense na semeadura (TB1 e TP1); Trichoderma asperellum na semeadura (TB2 e TP2); A. brasilense e T. asperellum juntos na semeadura (TB3 e TP3); A. brasilense trinta dias após a semeadura (TB4 e TP4) e T. asperellum trinta dias após a semeadura (TB5 e TP5). Para a inoculação das sementes foram utilizados os produtos comerciais a base de Trichoderma asperellum (Trichoplus®) na dosagem de 20 g kg-1 de semente e o Azospirillum brasilense, estirpe AbV5 e AbV6 (Nitro Geo AZ®) na dosagem de 100 ml por 60.000 sementes.

As sementes foram inoculadas com auxílio de uma solução açucarada (10%) para garantir a aderência dos produtos à semente. Logo após a inoculação procedeu-se a semeadura. Trinta dias após a semeadura foram realizadas a aplicação de solução do Azospirillum e do Trichoderma na mesma dosagem realizada na semeadura, por meio de pulverização manual de 100 ml para cada parcela. Aos 112 dias após a semeadura, forma analisadas as seguintes variáveis: número de fileiras por espigas, números de grãos por fileiras e produtividade total do milho. Os resultados foram submetidos à análise de variância, sendo que as médias comparadas pelo teste de F (híbridos) e teste de Tukey (microrganismos) a 5% de probabilidade, utilizando-se o programa estatístico R.

 

Resultados e Discussão

A análise de variância através do teste F demonstrou que houve diferença significativa apenas entre os híbridos de milho, em que o híbrido PRE22S18 apresentou melhor média em número de fileiras por espiga e o híbrido BG7049YH obteve melhor desempenho em número de grãos por fileira. Quanto a produtividade, o hibrido BG7049YH demonstrou ser superior, o que possivelmente se deve a melhor adaptação as condições edafoclimáticas locais. (Tabela 1).

Tabela 1. Diferença mínima significativa (DMS), coeficiente de variação (CV) e valores médios de número de fileiras (NF), número de grãos por fileira (NGF) e produtividade total (PT), para o milho em função da aplicação de Azospirillum brasilense e Trichoderma asperellum em híbridos de milho, Alta Floresta – MT, 2019.

O número de fileiras por espigas, número de grãos por fileira e produtividade total não foram influenciadas pela aplicação de Azospirillum sp. e Trichoderma asperellum, não diferindo os mesmos do controle (Tabela 1). Sangoi et al. (2015) ao analisarem o desempenho agronômico do milho, também não verificaram efeitos significativos em função da aplicação de Azospirillum sp. via semente. Ao avaliarem a resposta do milho com a aplicação de Azospirillum brasilense, Araujo et al. (2014) verificaram que a inoculação proporcionou aumento notório na produtividade e redução na dose de nitrogênio, o que demonstram inconstância nos resultados utilizando microrganismos, o que pode acontecer em função das condições em que cada pesquisa foi desenvolvida. Reis et al. (2000), enfatizaram em seus estudos a importância da seleção de genótipos que viabilize ou favoreça o processo de fixação biológica de nitrogênio, identificou ainda em sua pesquisa que genótipos distintos responderam à fixação biológica de várias estirpes de forma diferente, por vezes de forma negativa. De acordo com Dobbelaere et al. (2001), a ineficiência observada em resposta a aplicação de Trichoderma asperellum, se deve possivelmente, as variações no ambiente, solo, plantas e nos componentes da microflora.


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Conclusão

A aplicação de Azospirillum brasilense e Trichoderma asperellum isolado ou em mistura, não influencia as características produtivas avaliadas na cultura do milho. O híbrido de milho BG7049YH apresenta maior potencial produtivo.

Referências

ARAUJO, R. M.; ARAUJO, A. S. F.; NUNES, L. A. P. L.; FIGUEIREDO, M.V.B. Resposta do milho verde à inoculação com Azospirillum brasilense e níveis de nitrogênio. Ciência Rural, 44:(9), 2014.

CADORE, L. S.; SILVA, N.G.; VEY, R. T.; SILVA, C. F. Inoculação de Sementes com Trichoderma harzianum e Azospirillum brasilense No Desenvolvimento Inicial de Arroz. Centro Científico Conhecer, 13:1725, 2016.

COÊLHO, J. D. Produção de grãos: Feijão, milho e soja. Caderno setorial Etene. Banco do Nordeste. Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste, 9 p. 2017.

DOBBELAERE, S.; CROONENBORGHS, A.; THYS, A.; PTACEK, D.; VANDERLEYDEN, J.; DUTTO, P. Response of agronomically important crops to inoculation with Azospirillum. Australian journal of plant physiology, 28:871-879, 2001.

GAUCH, F. Micoparasitismo de espécies de Pythium com oogônio equinulado e o controle de Pythium ultimum Trow causador de tombamento de mudas, em hortaliças. 1996. 94 p. Dissertação (Mestrado) – Universidade de Brasília, Brasília.

PORTUGAL, J. R.; ARF, O.; PERES, A. R.; GITTI, D. C.; GRACIA, N. F. S. Coberturas Vegetais, doses de nitrogênio e inoculação com Azospirillum brasilense em milho no cerrado. Revista de Ciência Agronômica, 48: 639-649, 2017.

REIS, V. M.; BALDANI, J. I.; BALDANI, V. L. D. Biological Dinitrogen Fixation in Gramineae end Palm Trees. Critical Reviews in Plant Science, 19:227–247, 2000.

SANGOI, L.; SILVA, L. M. M.; MOTA, M. R.; PANISON, F.; SCHIMITT, A.; SOUZA, N. M.; SCHENATTO, D. E. Desempenho agronômico do milho em razão do tratamento de sementes com Azospirillum sp. e da aplicação de doses de nitrogênio mineral. Revista Brasileira de Ciência do Solo, 39:1141-1150, 2015.

Informações dos autores

1PPG em Biodiversidade e Agroecossistemas Amazônicos, Universidade do Estado do Mato Grosso (UNEMAT), Alta Floresta/MT.

Disponível em: Anais do II Congresso Online para Aumento de Produtividade do Milho e Soja (COMSOJA), Santa Maria, 2019.

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