InícioDestaqueInoculação do trigo: aumento da produtividade e sustentabilidade a um baixo custo

Inoculação do trigo: aumento da produtividade e sustentabilidade a um baixo custo

O trigo é uma das culturas de inverno mais utilizadas na rotação de culturas, especialmente em território gaúcho onde há certa tradição no cultivo do grão e condições adequadas ao desenvolvimento da cultura. Segundo danos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano de 2019 foram cultivadas 760.911 hectares de trigo no Rio Grande do Sul, resultando em uma produção de 2.287.720 toneladas, correspondendo a uma produtividade médias de aproximadamente 3 t.ha-1.

Sendo assim, fica evidente que o trigo além de ser uma cultura com finalidade de rotação, também exerce papel econômico no sistema de produção. Dessa forma, assim como na cultura da soja, no trigo também se busca o aumento da produtividade e rentabilidade do cultivo.

            A busca por tecnologias que possibilitem o aumento da produtividade do trigo sem elevar drasticamente o custo de produção da cultura é cada vez mais comum, tendo em vista que a lavoura deva ser cada vez mais lucrativa. Uma das principais ferramentas para possibilitar o aumento da produtividade do trigo a um baixo custo é a inoculação com bactérias do gênero Azospirillum.

Essas bactérias atuam como promotoras do crescimento vegetal, estimulando o crescimento radicular do trigo e com isso promovendo maior volume radicular e volume de solo explorado. Estima-se que o a inoculação do trigo com bactérias do gênero Azospirillum possa promover aumento de produtividade de trigo de 13 a 18%, onde no trigo cultivado após soja a inoculação com aplicação de 20 kg.ha-1 de nitrogênio permite a obtenção de produtividade médias de até 2600 kg.ha-1 (Hungria, 2011).

Embora conforme observado por Lemos et al. (2013) possa haver diferentes respostas do trigo à inoculação com Azospirillum brasilense em função da cultivar, Dartora et al. (2016) observaram considerável aumento da produtividade do trigo com o uso dessa bactéria em relação a testemunha.



Tabela 1. Comprimento de espiga (CE), número de espigas por metro linar (NE), número de grãos por espiga (NGE), massa de 1000 grãos (M1000) e produtividade (PROD) de plantas de trigo, cultivar CD104, em função da inoculação com estirpes de A. brasilense (AbV5) e H. seropedicae (SmR1) de forma isolada e combinada. Marechal Cândido Rondon – PR, 2010 (Dartora et al., 2016).

Adaptado: Dartora et al. (2016)

Ainda que Dartora et al. (2016) não apontem diferença estatística com o uso do Azospirillum brasilense, conforme observado na tabela 1, em comparação a testemunha, o uso de Azospirillum brasilense promoveu incremento de produtividade de aproximadamente 28% (900,9 kg.ha-1). Contudo, cabe destacar que as respostas de produtividade a inoculação do trigo com Azospirillum brasilense podem variar de acordo com as condições de cultivo, ambiente e cultivar e manejo.

 Outro atributo interessante das bactérias promotoras de crescimento a exemplo do Azospirillum brasilense, é que elas possuem a capacidade de fornecer parcialmente o nitrogênio requerido pela cultura. Por se tratar de bactérias associativas, ao contrário de bactérias simbióticas, elas excretam somente uma parte do nitrogênio fixado diretamente para a planta associada; posteriormente, a mineralização das bactérias pode contribuir com aportes adicionais de nitrogênio para as plantas, contudo, é importante salientar que o processo de fixação biológica por essas bactérias consegue suprir apenas parcialmente as necessidades das plantas (Hungria, 2011).

Conforme observado, bactérias promotoras de crescimento como o Azospirillum brasilense são interessantes alternativas para promover maior produtividade do trigo a um baixo custo, aumentando a rentabilidade e sustentabilidade do cultivo.

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Referências:

DARTORA, J. et al. ADUBAÇÃO NITROGENADA ASSOCIADA À CO-INOCULAÇÃO DE Azospirillum brasilense E Herbaspirillum seropedicae NA CULTURA DO TRIGO. Revista Cultivando o Saber, v. 9, n. 2, p. 243-253, 2016. Disponível em: < https://www.fag.edu.br/upload/revista/cultivando_o_saber/57a3b24d4ab57.pdf >, acesso em: 05/03/2021.

HUNGRIA, M. INOCULAÇÃO COM Azospirillum brasilense: INOVAÇÃO EM RENDIMENTO A BAIXO CUSTO. Embrapa, Documentos, n. 325, 2011. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/29560/1/DOC325.2011.pdf >, acesso em: 05/03/2021.

IBGE. PRODUÇÃO AGRÍCOL-LAVOURA TEMPORÁRIA. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, 2019. Disponível em: < https://cidades.ibge.gov.br/brasil/rs/pesquisa/14/10193 >, acesso em: 05/03/2021.

LEMOS, J. M. RESPOSTA DE CULTIVARES DE TRIGO À INOCULAÇÃO DE SEMENTES COM Azospirillum brasilense, E À ADUBAÇÃO NITROGENADA EM COBERTURA. Científica, Jaboticabal, v.41, n.2, p.189–198, 2013. Disponível em: < http://cientifica.org.br/index.php/cientifica/article/view/429/257 >, acesso em: 05/03/2021.

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Equipe Mais Soja
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