O objetivo deste trabalho foi de verificar o efeito da inoculação com Bradyrhizobium no sulco de semeadura, reinoculação com Bradyrhizobium e adubação nitrogenada em cobertura na cultura da soja em área de reforma de canavial.

Autores: KANEKO, F.H.1; SANTOS, L.A.M.1; OLIVEIRA, G.F.1; CARDOSO, J.H.F.1; MADEIRA, H.S.1; CARMO, A.L.1; CHIODEROLI, C.A1.

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

A cana-de-açúcar ocupa atualmente 8,38 milhões de hectares no Brasil (Conab, 2019), com predomínio da colheita mecanizada sem queima, mantendo-se a palhada dos restos culturais sobre a superfície do solo (colheita de “cana crua”). Neste sistema, a produtividade do canavial decresce ao longo das safras, e com 5 anos em média, se faz necessário realizar o replantio da cultura (Mateus et al., 2017), normalmente entre os meses de fevereiro a abril. Desta forma, entre outubro e abril, é possível realizar o cultivo de outras culturas nessas áreas, principalmente quando em semeadura direta, na palha da cana. Neste contexto, a implantação da cultura da soja, pode amortizar os custos de implantação da cultura da cana, gerar receitas e fornecer nitrogênio (N) através da fixação biológica realizadas pelas bactérias do gênero Bradyrhizobium, inoculadas nas sementes ou no sulco de semeadura.

Em áreas com baixa frequência de cultivo com a soja, a população de Bradyrhizobium no solo é baixa ou mesmo nula, tornando necessário utilizar maiores quantidades de inoculante no tratamento de sementes, ou no sulco de semeadura. A reinoculação em cobertura na fase vegetativa da soja através de pulverização, complementando a população inicialmente inoculada pode ser uma alternativa. Outra dúvida entre técnicos do setor é quanto a necessidade de realizar adubação nitrogenada em cobertura, visando suprir parte do N requerido pela cultura, principalmente em condições severas de veranicos, nas quais, prejudica a sobrevivência das bactérias, e consequentemente a FBN. O objetivo deste trabalho foi de verificar o efeito da inoculação com Bradyrhizobium no sulco de semeadura, reinoculação com Bradyrhizobium e adubação nitrogenada em cobertura na cultura da soja em área de reforma de canavial.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido em sequeiro, no ano agrícola 2018/19 na Fazenda Barreiro IV em Iturama MG, em solo de textura arenosa ocupado anteriormente com a cultura da cana-de-açúcar. As características químicas e físicas do solo estão disponibilizadas na Tabela 1.

Tabela 1. Análise de solo da área experimental.

O clima da região é do tipo Aw da escala de Koppen, com precipitação anual média de 1.462 mm. No entanto, para o ano agrícola em questão, houve forte “veranico” nos meses de dezembro e janeiro conforme verificado na Figura 1.

Figura 1. Dados de precipitação para a área experimental na Fazenda Barreiro IV em Iturama MG no ano agrícola 2018/19.

A variedade de soja AS 3730 Ipro foi semeada mecanicamente “na palha” da cultura da cana, com espaçamento de 0,50 m e 15 sementes por metro no dia 02/11/2018. A adubação foi realizada com 240 kg ha-1 de MAP (10-52-00) no sulco de semeadura e 200 kg ha-1 de KCl (00-00-60) em cobertura na fase V5 da cultura. O manejo de plantas daninhas foi feito com a aplicação de 2.376 g i.a ha-1 de glifosato na dessecação da soqueira da cana + 200 g i.a ha-1 de sulfentrazone em pré-emergência + 1.188 g i.a ha-1 de glifosato em pós-emergência. Para o manejo de lagartas e percevejos, procederam-se pulverizações com inseticidas conforme o nível de dano assim exigia.

Os tratamentos experimentais foram constituídos pela inoculação com Bradyrhizobium japonicum no sulco de semeadura (com e sem inoculação), reinoculação com Bradyrhizobium japonicum e adubação nitrogenada em cobertura (sem reinoculação com Bradyrhizobium; reinoculação com Bradyrhizobium; sem reinoculação com Bradyrhizobium + 45 kg ha-1 de N; com reinoculação com Bradyrhizobium + 45 kg ha-1 de N), constituindo um fatorial 2 x 4 com 4 repetições em blocos ao acaso. A inoculação foi realizada com 10 doses ha-1 de inoculante líquido (Semia 5079+5080 5×109 UFC/mL) no sulco de semeadura através de pulverizador em jato dirigido acoplado a própria semeadora (Micron®) com vazão de 90 L ha-1.

Para a reinoculação, foram utilizadas 16 doses ha-1 de inoculante líquido (Semia 5079+5080 5×109 UFC/mL) pulverizadas sobre as plantas através de pulverizador costal pressurizado com barra de 4 pontas do tipo leque 110015, e 350 L ha-1 de vazão, aplicadas as 17:00 h (horário de Brasília) em 22/11/2018 (fase V3 da cultura). A umidade relativa, e temperatura do ar, no momento da aplicação era de 60% e 30,5 ºC respectivamente. A adubação nitrogenada em cobertura foi realizada também em 22/11/2018 com 100 kg ha-1 de ureia tratada com inibidor de nitrificação (DMPP). Ressalta-se que no dia 23/11/2018 houve precipitação de 15 mm na área. As unidades experimentais foram compostas por 8 linhas de 10 m de comprimento.

 

Foram realizadas as seguintes avaliações: número de vagens por planta (em 3 plantas seguidas por parcela), número de grãos por vagem (em 3 plantas seguidas por parcela), massa de 100 grãos (dados corrigidos para 13% em base úmida) e produtividade de grãos (colheita manual realizada em 2 linhas de 4 m , com posterior trilha mecanizada e dados corrigidos para 13% em base úmida e extrapolados para sacas de 60 kg ha-1). Os dados foram submetidos a análise de variância e posteriormente ao Teste de Tukey, ambos a 5% de probabilidade.

Resultados e Discussão

A inoculação no sulco de semeadura com Bradyrhizobium não alterou significativamente o número de vagens por planta (Tabela 2). Já a reinoculação proporcionou significativamente maior número de vagens por planta quando comparado ao tratamento sem reinoculação. O número de grãos por vagem, não foi influenciado significativamente em função dos tratamentos, oscilando entre 2,41 a 2,69 grãos por vagem (Tabela 2). A inoculação com Bradyrhizobium no sulco de semeadura proporcionou significativamente maior massa de 100 grãos, sendo 11,78% maior, quando comparada ao tratamento sem inoculação (Tabela 2). Já a reinoculação e o fornecimento de N em cobertura, não alterou esta variável. Houve interação significativa entre a inoculação no sulco de semeadura e o manejo em cobertura da reinoculação e fornecimento de N (Tabela 2).

Tabela 2. Número de vagens por planta, grãos por vagem, massa de 100 grãos e
produtividade da soja cultivada em Iturama MG, safra 2018/19.

A Inoculação no sulco de semeadura proporcionou significativamente maior produtividade de grãos, independentemente do manejo adotado em cobertura (Tabela 3). Porém, quando não realizada a inoculação no sulco de semeadura, a maior produtividade foi obtida com o fornecimento de 45 kg ha-1 de N sem reinoculação com Bradyrhizobium (Tabela 3).

Tabela 3. Interação significativa entre inoculação no sulco de semeadura e manejo em
cobertura com Bradyrhizobium e nitrogênio, para a produtividade de grãos de soja cultivada em Iturama MG safra 2018/19.

Conclusão

A inoculação com Bradyrhizobium no sulco de semeadura proporcionou maior produtividade de grãos. A reinoculação com Bradyrhizobium em cobertura apesar de aumentar o número de grãos por vagem, não proporcionou ganhos em produtividade de grãos. O fornecimento de N em cobertura foi eficiente quando não foi realizada a inoculação com Bradyrhizobium.


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Referências

CONAB. Acompanhamento da safra brasileira: cana-de-açúcar. v.6 – safra 2019/20 – n.1 – primeiro levantamento, mai. 2019. Disponível em: <https://www.conab.gov.br/info agro/safras/cana>. Acesso em 9 mai. 2019.

MATEUS, G. P.; ARAUJO, H. S.; MULLER, R. V.; CRUSCIOL, C. A. C.; BORGES, W. L. B. Produção e massa seca de culturas em rotação em diferentes manejos do solo em áreas de reforma de canavial no Oeste Paulista. In: Encontro técnico sobre as culturas da soja e do milho no noroeste paulista, 2., Ituverava, 2017. Nucleus, v. 14, edição especial, p. 121-136, 2017. DOI: 10.3738/1982.2278.2829.

Informações dos autores

1UFTM campus Iturama. Avenida Rio Paranaíba 1295, Centro, CEP 38280-000, Iturama-MG, flavio.kaneko@uftm.edu.br.

Disponível em: Anais da 37ª Reunião de Pesquisa de Soja. Londrina – PR, Brasil.

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