O nitrogênio é um dos principais macronutrientes requeridos pelas plantas. Para a cultura da soja, são necessários cerca de 80 kg de nitrogênio para cada tonelada de grãos produzida, sendo que desses, 60% são exportados com os grãos (Nogueira & Hungria, 2014).

Felizmente, todo o nitrogênio requerido para produtividades médias de até 3600 kg.ha-1 é fornecido através da simbiose entre raízes de soja e bactérias fixadoras de nitrogênio do gênero Bradyrhizobium, além disso, esse processo simbiótico proporciona de 20 a 30 kg.ha-1 de nitrogênio para as culturas sucessoras (Gitti, 2016). Esse processo é popularmente conhecido como Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN).



Uma característica da FBN é a formação de nódulos no sistema radicular da soja. Em vídeo, o professor da UFPF Geraldo Chavarria explica que simbiose entre as plantas e bactérias fixadoras de nitrogênio ocorrem a partir de V3, sendo possível observar a nodulação nas raízes. Nódulos sadios e em pleno funcionamento devem apresentar coloração interior rosácea, destacando a presença da leghemoglobina. O ideal é que se tenha de 15 a 20 nódulos sadios na raiz pivotante por planta de soja.

Figura 1. Corte transversal de um nódulo resultante da simbiose entre raízes e bactérias do

gênero Bradyrhizobium.

Fonte: EMBRAPA

Tradicionalmente, a inoculação da soja é realizada via inoculantes nas sementes (TS) ou mais recentemente no sulco de semeadura. Quando a inoculação ocorre nas sementes, é possível adicionar micronutrientes como o Cobalto e o Molibdênio (Nogueira & Hungria, 2014).

Entretanto, o que fazer quando a soja não apresenta nodulação?

Chavarria explica que em casos em que não se observa a nodulação da soja é possível a utilização de ferramentas que possibilitem o “reforço” da inoculação, sendo uma delas, a aplicação de inoculante na parte aérea da planta por meio de pulverizações. Contudo, é necessário cautela para tal prática. Chavarria destaca que é preciso que as bactérias fixadoras de nitrogênio alcancem o sistema radicular da soja, pra isso, é necessário o uso de elevadas doses de inoculante (6 a 10 doses) e elevado volume de calda (150 a 200 L.ha-1).

Avaliando a Inoculação de Bradyrhizobium em soja por pulverização em cobertura, Zilli et al. (2008) observaram bons resultados da aplicação de inoculante via pulverização entretanto, resultados ainda inferiores aos obtidos pela inoculação padrão.  Os tratamentos avaliados pelos autores consistiam em: controle – sem inoculação e sem adubação nitrogenada; padrão – inoculação com duas doses com inoculante comercial contendo 160 g ha-1 do inoculante com aproximadamente 2,65×109 células g-1; nitrogenado – adubação com 200 kg ha-1 de N na forma de uréia (50% no plantio e 50% aos 35 DAE); e inoculação em cobertura – inoculação pela pulverização, aos 18 DAE, do triplo da dose de inoculante utilizada no padrão (Zilli et al., 2008).

Tabela 1. Número e massa de nódulos secos e massa de matéria seca da parte aérea, de plantas de soja ‘BRS Tracajá’, 35 dias após a emergência, e rendimento e nitrogênio acumulado nos grãos(1).

(1)Médias seguidas por letras iguais, nas colunas, não diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade; os dados de número e massa de nódulos foram transformados para raiz quadrada.
Fonte: Zilli et al. (2008)

Os resultados encontrados por Zilli et al. (2008) demonstram que a inoculação via pulverização é uma alternativa viável para uso, demonstrando melhores resultados em comparação a testemunha. No entanto, a inoculação por pulverização em cobertura não deve ser uma prática para substituir a inoculação tradicional nas sementes, haja vista os melhores resultados na inoculação padrão. Logo, a inoculação por pulverização mostra-se uma interessante ferramenta de uso em situações onde houve falha na nodulação, sendo considerada uma estratégia para minimizar a redução da produtividade decorrente da baixa nodulação e consequentemente baixa disponibilidade de nitrogênio para as plantas (Zilli et al., 2008).

Confira o vídeo abaixo com as dicas do professor Geraldo Chavarria e da Dra. Marielle Müller.


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Referências:

GITTI, D. C. INOCULAÇÃO E COINOCULAÇÃO NA CULTURA DA SOJA. Fundação MS, Tecnologia e Produção: Soja 2015/2016, 2016. Disponível em: < https://www.fundacaoms.org.br/base/www/fundacaoms.org.br/media/attachments/234/234/newarchive-234.pdf >, acesso em: 05/01/2021.

NOGUEIRA, M. A., HUNGRIA, M. BOAS PRÁTICAS DE INOCULAÇÃO EM SOJA. Embrapa, 40ª Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul – Atas e Resumos, 2014. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/126872/1/Boas-Praticas-de-Inoculacao.pdf >, acesso em: 05/01/2021.

ZILLI, J. É. et al. INOCULAÇÃO DE Bradyrhizobium EM SOJA POR PULVERIZAÇÃO EM COBERTURA. Pesq. agropec. bras., Brasília, v.43, n.4, p.541-544, abr. 2008. Disponível em: < https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-204X2008000400014 >, acesso em: 05/01/2021.

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