Todas as regiões produtoras de soja do mundo apresentam lacuna de produtividade por déficit hídrico, destacando-se o Sul do Brasil, a Argentina, Paraguai e o centro dos Estados Unidos que apresentam as maiores perdas por deficiência hídrica nas lavouras de sequeiro (Figura 1).

Figura 1. Lacuna de produtividade por água nas regiões produtoras de soja do mundo.
Adaptado de: Global Yield Gap Atlas (2025)

As lavouras de soja são geralmente irrigadas por pivôs centrais, aspersores ou sulcos. Os grandes polos irrigantes de soja no mundo estão em Nebraska (Estados Unidos), Oeste da Bahia e Noroeste do Rio grande do Sul (Brasil) e Sul da África. A irrigação de uma lavoura visa disponibilizar às plantas a quantidade de água requerida, no momento certo, visando manter a máxima taxa de crescimento nos momentos adequados e, consequentemente, a máxima produtividade atingível.

A maneira mais assertiva e cientificamente validada para saber o volume e o momento de cada irrigação é através do monitoramento do balanço hídrico do solo, em outras palavras é o entra de água (por chuva ou irrigação) e o que sai de água (por evaporação e transpiração). Nesse caso, o solo atua como reservatório de água onde a textura do solo (teores de areia, argila, silte e matéria orgânica) determina a capacidade de retenção de água no solo ou o tamanho do “reservatório”.

Como os solos diferem nos teores de areia, argila, silte e matéria orgânica, o limite crítico de água no solo também é variável o que influencia o percentual de água no solo que deve ser mantido para a cultura permanecer no conforto hídrico, deve-se ter cautela na utilização de tensiômetros para determinar o manejo de irrigação pois os valores de referência adequados para um tipo de solo podem não ser validos para outro (Figura 2).

Figura 2. Relação entre a tensão da água no solo e o percentual água no solo e os diferentes níveis de água em solos argilosos (esquerda) e solos arenosos (direita).
Adaptado de: Lena et al., (2021).

As irrigações nos estágios reprodutivos são as que apresentam maior eficiência no uso da água, essa é a fase mais importante para definição da produtividade e ocorre concomitantemente ao período de maior demanda de água, porém, irrigações insuficientes repercutem de grande forma na produtividade, como se observa na figura 3, onde uma falha na irrigação durante o período crítico, gerou uma perda de produtividade de 22 sc ha-1.

Figura 3. Balanço hídrico do solo de dois pivôs de soja com mesmo manejo e época de semeadura, porém com irrigação deficitária no pivô B durante o período crítico da cultura.
Cortesia de: Water Crop – O potencial da sua irrigação.
Referências:

WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 2025.

GLOBAL YIELD GAP ATLAS (GYGA). www.yieldgap.org

LENA, B.; BONDERSAN, L.; ORTIZ, B.; MORATA, G.; KUMAR, H. Irrigation scheduling using soil water tension sensors. Alabama Cooperative Extension System, 2021. Disponível em: < https://www.aces.edu/blog/topics/crop-production/irrigation-scheduling-using-soil-water-tension-sensors/ >, acesso: 10/12/2025

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