A fase juvenil de uma planta é o período entre a emergência e o início da indução fotoperiódica, ou seja, é a fase durante a qual a planta não responde ao fotoperíodo. Em plantas de soja sem melhoramento genético, a fase juvenil é curta e dura da emergência até o estágio VC (folhas unifolioladas estendidas) o que significa que a soja sem melhoramento apresenta uma alta sensibilidade ao fotoperíodo, portanto, as semeaduras eram restritas em determinadas latitudes e com épocas específicas de semeadura (Setiyono et al., 2007). Hoje em dia a soja apresenta um período juvenil longo (PJL) o que retarda o início do florescimento (Hartwig & Kiihl, 1979).
Essa alta sensibilidade da soja às mudanças de latitude ou datas de semeadura por muito tempo foi o grande limitador para que a cultura fosse cultivada em regiões tropicais, a solução para aumentar a fase vegetativa da cultura veio na década de 70, com a introdução de cultivares com genes de juvenilidade longa (Hartwig & Kiihl, 1979). Nessas cultivares, a taxa de desenvolvimento durante a fase semeadura-florescimento é menor (florescimento tardio) permitindo um maior crescimento vegetativo em fotoperíodos curtos (11 a 13 horas) nos locais com baixa latitude (trópicos).
Para entender o efeito do PJL, foi conduzido no município de Santa Maria no Rio Grande do Sul, um trabalho durante a safra 2017/18 com oito épocas de semeadura, foram semeadas cultivares de soja que representam os principais grupos de maturidade relativa: GMR 4.8 (NS 4823 RR – sem PJL), GMR 5.5 (BMX Elite IPRO – sem PJL), GMR 6.2 (TMG 7062 IPRO – com PJL), GMR 6.8 (BMC Ícone IPRO – com PJL) e GMR 7.8 (TEC 7849 IPRO – sem PJL). O resultado esperado era que quanto maior o GMR, maior vai ser a duração do ciclo.
Os resultados mostraram que para a semeadura em outubro, a duração do ciclo reduziu conforme a redução do GMR (Figura 1a), porém para a semeadura em agosto, isso não ocorreu e dois GMRs menores (6.2 e 6.8) tiveram ciclos maiores que o GMR 7.8 (Figura 1b). Essa alteração na duração do ciclo está relacionada ao PJL nessas cultivares que tiveram um atraso no florescimento devido ao período inicial sem indução fotoperiódica.
Figura 1. Duração do ciclo de desenvolvimentos, em dias, de cinco cultivares de soja, semeadas em outubro (A) e agosto (B) em Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil.

O PJL aumenta a plasticidade da cultura de soja em semeaduras realizadas fora do período recomendando. Essas são características desejadas em lavouras semeadas em condições não ótimas para o cultivo, como por exemplo, o cultivo da soja segunda safra no RS, ou a antecipação da semeadura antes de outubro.
Referências:
HARTWIG, E. E.; ROMEU A.S. KIIHL. Identification and utilization of a delayed flowering character in soybeans for short-day conditions. Field crops research, v. 2, p. 145–151, 1 jan. 1979. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/0378429079900170 >, acesso: 15/01/2026
SETIYONO, T. D. et al. Understanding and modeling the effect of temperature and daylength on soybean phenology under high-yield conditions. Field Crops Research, v. 100, n. 2-3, p. 257–271, fev. 2007. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0378429006001560 >, acesso: 15/01/2026
WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 2025.





