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Lagarta-do-cartucho do milho (Spodoptera frugiperda)

A cultura do milho está sujeita a várias ameaças causadas por diferentes insetos-praga ao longo do seu ciclo de desenvolvimento e, uma das pragas que de destacam devido ao dano ocasionado nas folhas em formação, na região conhecida como cartucho do milho, é a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda). Essa lagarta é considerada a praga mais prejudicial, uma vez que ataca as plantas tanto na fase vegetativa quanto na fase reprodutiva, comprometendo significativamente o rendimento da cultura (Rosa, 2011).

A Spodoptera frugiperda possui mais de 100 plantas hospedeiras, atacando as plantas em estádios iniciais e comprometendo seu crescimento. Seu elevado potencial reprodutivo, ciclo biológico relativamente curto e a diversidade de hospedeiros favorecem seu estabelecimento durante o ano inteiro. Essas características, portanto, representam um desafio para o controle da espécie, impondo a necessidade de implementar diferentes estratégias para o seu manejo (IRAC – BR, 2016).  Dentre os alvos da lagarta-do-cartucho, tem-se as folhas, espigas, colo e colmo das plantas de milho. Os danos causados por essa praga podem atingir proporções significativas, chegando a comprometer até 60% da produção do milho (Rossato et al., 2020).

A praga possui um ciclo de desenvolvimento completo, abrangendo quatro fases distintas: ovos, lagartas, pupas e adultos. Os danos econômicos são provocados principalmente pelas lagartas, enquanto os adultos são responsáveis pelo acasalamento, postura de ovos e, consequentemente, pela disseminação dos insetos nas lavouras (Tavares, 2019).

Figura 1. Ciclo de vida Spodoptera frugiperda.

Fonte: PROMIP (2019).

Uma fêmea de S. frugiperda tem capacidade de ovipositar aproximadamente 200 a 500 ovos por postura (IRAC – BR, 2018).  De acordo com Cruz et al. (2010), a mariposa pode ser encontrada, durante o dia, sob as folhagens, próximo ao solo ou entre as folhas fechadas do cartucho do milho, apresentando clara distinção entre machos e fêmeas. Os ovos são depositados em massa e, após um período de três a quatro dias, eclodem as lagartas que se alimentam raspando o tecido de um lado das folhas, deixando a epiderme com aspecto membranoso.  As lagartas maiores deslocam-se para o interior do cartucho do milho, perfurando as folhas, entre o quarto e sexto ínstar, após oito a 14 dias, essas lagartas são capazes de destruir completamente pequenas plantas ou causar danos severos em plantas maiores.

Uma lagarta bem desenvolvida, atinge aproximadamente 5 cm de comprimento, e sua fase larval dura de 12 a 30 dias. A identificação da lagarta pode ser realizada por meio da observação da marca em forma de “Y” invertido na cabeça, das três linhas longitudinais dorsais branco-amareladas e dois pontos pretos presentes no corpo (Rosa, 2011).

Figura 2. Lagarta Spodoptera frugiperda.

Foto: Alberto Marsaro Júnior (2021).

Além disso, a praga também se alimenta do colmo, ou da região do pedúnculo da espiga, interferindo a formação ou danificando diretamente os grãos, resultando na redução do rendimento da cultura. Os locais de ataque, assim como o tipo de dano causado pela lagarta no milho, podem variar de acordo com a região e época de plantio (Cruz et al., 2010).

Conforme destaca Silva (2021), os principais sintomas do ataque da lagarta-do-cartucho do milho incluem a ocorrência de folhas raspadas ou com perfurações, a presença de excreções das lagartas nas plantas, danos no cartucho do milho e na espiga. Em situações de alta incidência, é possível observar um nível significativo de mortalidade das plantas logo após a germinação.

Figura 3. Danos de Spodoptera frugiperda no cartucho do milho.

De acordo com o Comitê de Ação à Resistencia a Inseticidas (IRAC – BR, 2018), o controle da lagarta-do-cartucho do milho tem se mostrado uma tarefa difícil, em parte devido a falhas de controle com o emprego de inseticidas relacionados a problemas com tecnologias de aplicação, comportamento da praga e casos de resistência. No entanto, destacam que plantas geneticamente modificadas, contendo a tecnologia Bt (Bacillus thurungiensis) tem demonstrado eficácia no controle, porém, alguns problemas têm surgido devido à evolução da resistência às proteínas Cry, tornando necessária a implementação de estratégias de manejo de resistência para garantir o controle eficiente dessa praga.

A proteína Cry é altamente específica para espécies-alvo de insetos devido à coevolução com proteínas receptoras no intestino médio (mesêntero) dos insetos sensíveis. A ligação específica dessas toxinas às δ-endotoxinas modifica sua conformação, causando vazamento de íons e dano osmótico nas células. Esse processo resulta na desintegração do mesêntero e na morte do inseto (Loguercio et al., 2002). Quando são cultivadas plantas Bt, deve-se realizar a semeadura de áreas de refúgio, com 10% de área de refúgio para a cultura do milho, utilizando híbridos ou variedades de milho não Bt (IRAC – BR, 2018).



Para o monitoramento da lagarta-do-cartucho do milho, existem dois métodos que podem ser empregados. O primeiro consiste na avaliação visual do dano e da lagarta em plantas, já a segunda, envolve o monitoramento de adultos por meio de feromônio sexual sintético. No caso das armadilhas com feromônios, é recomendado o uso de, pelo menos, uma armadilha por hectare, sendo que o nível de controle é estabelecido quando três mariposas são capturadas pela armadilha (Rosa, 2011).

O monitoramento é fundamental para o controle eficiente da lagarta-do-cartucho do milho, principalmente considerando que lagartas mais desenvolvidas tendem a se concentrar na região do cartucho das plantas de milho, tornando o seu controle mais difícil. A dificuldade em atingir o alvo por meio de aplicações foliares, dada a sua localização na planta, torna necessária a adoção de estratégias que envolvam aplicações direcionadas, com uso de jatos dirigidos, sendo essencial para aumentar a eficiência de controle. Com relação à tomada de decisão para o manejo químico com a aplicação de inseticidas, com base na amostragem e na infestação média da área de cultivo, o nível de controle é estabelecido quando atingir 10% de plantas com folhas raspadas (Grigolli & Grigolli, 2020).

Diante dos impactos que a S. frugiperda pode causar à cultura do milho, características particulares da espécie, desafios relacionados ao manejo e, aos casos de resistência à tecnologia Bt, fica evidente a necessidade da implementação de diferentes estratégias de manejo para seu controle. Nesse sentido, o manejo integrado é fundamental para obtenção de um controle eficiente a fim de alcançar um controle eficiente e evitar os prejuízos provocados por essa espécie na cultura do milho.


Veja mais: Estria bacteriana na cultura do milho



Referências:

CRUZ, I. et al. MONITORAMENTO DE ADULTOS DE Spodoptera frugiperda (J. E. SMITH) (LEPIDOPTERA: NOCTUIDAE) E Diatraea saccharalis (FABRICIUS) (LEPIDOPTERA: PYRALIDAE) EM ALGUMAS REGIÕES PRODUTORAS DE MILHO NO BRASIL. Embrapa Milho e Sorgo, documentos, 93. Sete Lagoas – MG, 2010. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/879462/1/Doc93.pdf >, acesso em: 23/11/2023.

GRIGOLLI, J. F. J.; GRIGOLLI, M. M. K. MANEJO E CONTROLE DE PRAGAS DO MILHO SAFRINHA. Tecnologia e Produção: Safrinha 2019, cap. 3. Fundação MS, Maracaju – MS, 2020. Disponível em: < https://www.fundacaoms.org.br/wp-content/uploads/2021/02/Tecnologia-e-Producao-Milho-Safrinha-2019.pdf >, acesso em: 23/11/2023.

IRAC – BR. MANEJO DE RESISTÊNCIA A INSETICIDAS E PLANTAS Bt. Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas, Brasil, 2018. Disponível em: < https://www.irac-br.org/_files/ugd/6c1e70_d509bf58d94048358f3a3e6cb448f761.pdf >, acesso em: 23/11/2023.

IRAC. POTENCIAL DE RESISTÊNCIA DA LAGARTA-DO-CARTUCHO A MILHO Bt PIRAMIDADO. Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas, Brasil, 2016. Disponível em: < https://www.irac-br.org/single-post/2016/05/11/potencial-de-resist%C3%AAncia-da-lagarta-do-cartucho-a-milho-bt-piramidado >, acesso em: 23/11/2023.

LOGUERCIO, L. L. et al. MILHO Bt: ALTERNATIVA BIOTECNOLÓGICA PARA CONTROLE BIOLÓGICO DE INSETOS-PRAGA. Biotecnologia Ciência & Desenvolvimento, n. 24, 2002. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/50711/1/milho-bt.pdf >, acesso em: 23/11/2023.

ROSA, A. P. S. A. MONITORAMENTO DA LAGARTA-DO-CARTUCHO DO MILHO. Embrapa, 2011. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/37326/1/Monitoramento-da-lagarta.pdf >, acesso em: 23/11/2023.

ROSSATO, A. C. et al. MANEJO INTEGRADO DA LAGARTA-DO-CARTUCHO EM MILHO. Revista Cultivar, Grandes Culturas, ed. 205, 2020. Disponível em: < https://revistacultivar.com.br/artigos/manejo-integrado-da-lagarta-do-cartucho-em-milho >, acesso em: 23/11/2023.

SILVA, R. ALERTA PARA A LAGARTA-DO-CARTUCHO EM MILHO. Campo & Negócios, 2021. Disponível em: < https://revistacampoenegocios.com.br/alerta-para-lagarta-do-cartucho-em-milho/ >, acesso em: 23/11/2023.

TAVARES, M. MANEJO INTEGRADO DA Spodoptera frugiperda NO MILHO. Promip, 2019. Disponível em: < https://promip.agr.br/o-manejo-integrado-da-spodoptera-frugiperda-no-milho/ >, acesso em: 23/11/2023.

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