Com ampla distribuição no Brasil, a mancha-alvo, causada pelo fungo Corynespora cassiicola, destaca-se como uma das principais doenças da soja, especialmente em sistemas de produção que envolvem a sucessão soja–algodão. Trata-se de um patógeno necrotrófico, capaz de sobreviver em resíduos culturais e restos vegetais, característica que dificulta sua erradicação nas áreas agrícolas.

Diante desse comportamento, torna-se indispensável a adoção de estratégias integradas de manejo para reduzir os impactos da doença na cultura da soja, sobretudo considerando que o inóculo pode estar presente na área antes mesmo da implantação da lavoura. Nesse sentido, a rotação de culturas com espécies não hospedeiras, preferencialmente gramíneas, aliada ao tratamento de sementes, ao adequado arranjo de plantas e a uma nutrição equilibrada, constitui a base para a redução da incidência e da severidade da mancha-alvo (Forcelini, 2010).

Figura 1. Esquema de manejo integrado de doenças por fungos necrotróficos em soja.
Adaptado: Forcelini (2010)

Associado às estratégias supracitadas, o uso de fungicidas torna-se indispensável para o manejo da mancha-alvo, especialmente em áreas com histórico da doença e/ou com baixa adoção da rotação de culturas. No entanto, a eficácia do controle depende diretamente do correto posicionamento dos fungicidas. Além da definição adequada do momento de aplicação, é fundamental selecionar princípios ativos e grupos químicos de forma estratégica. De modo geral, ensaios conduzidos pela Embrapa indicam que fungicidas formulados com mais de um princípio ativo apresentam maior performance no controle da mancha-alvo. Esse resultado é potencializado quando há a associação de fungicidas sítio-específicos com multissítios, podendo elevar o nível de controle em mais de 10% (Godoy et al., 2025).

Nesse contexto, embora a adoção de medidas integradas contribua para reduzir a incidência da mancha-alvo na soja, o correto posicionamento dos fungicidas na lavoura permanece como uma das principais estratégias para mitigar os danos causados pela doença. Essa prática torna-se ainda mais relevante em anos com condições climáticas favoráveis ao seu desenvolvimento, especialmente sob elevada umidade relativa do ar.



Ainda que varie em função da cultivar, estima-se que a mancha-alvo possa reduzir em até 40% a produtividade da soja (Godoy et al., 2023). Em função dos danos ocasionados a área foliar e consequentemente capacidade fotossintética da planta, a mancha-alvo apresenta grande capacidade em reduzir o rendimento da soja.

Um estudo conduzido por Molina e colaboradores (2019) demonstra que, para produtividade médias de 3500 kg ha-1, para cada 10% de incremento de severidade da mancha-alvo, tem-se a redução de aproximadamente 168 kg ha-1. Essa redução da produtividade pode ser ainda superior se tratando de cultivares mais suscetíveis a doença. Para cultivares consideradas tolerantes a mancha-alvo, a cada 10% de severidade tem-se a redução de aproximadamente 77 kg ha-1 da produtividade, enquanto, para uma cultivar suscetível, a perda de produtividade pode chegar a quase 300 kg ha-1 (Molina et al., 2019, apud. Assoni).

Figura 2. Linhas de regressão para as relações entre o rendimento da soja e a gravidade da mancha-alvo em 41 Ensaios Uniformes de Fungicidas realizados no Brasil nas safras de 2012 a 2016. Os histogramas na parte superior e à direita mostram as distribuições da gravidade da mancha-alvo (horizontal) e do rendimento da soja (vertical), respectivamente. As linhas pontilhadas que se estendem dos histogramas até os eixos x e y representam a mediana da gravidade da mancha-alvo e do rendimento da soja, respectivamente.
Adaptado: Molina et al. (2019)

Considerando os impactos da mancha-alvo na soja, torna-se evidente a importância do correto posicionamento dos fungicidas para o manejo eficiente da doença. Nesse contexto, deve-se priorizar produtos de alta performance, preferencialmente compostos por mais de um princípio ativo e, sempre que possível, associados a fungicidas multissítios. Essa estratégia, aliada à adoção de boas práticas de manejo integrado, é fundamental tanto para o controle eficaz da doença quanto para a mitigação do risco de seleção de resistência aos fungicidas.

Referências:

ASSONI, G. Mancha-alvo e os impactos na safra 19/20 da soja. BASF. Disponível em: < https://agriculture.basf.com/br/pt/conteudos/cultivos-e-sementes/soja/Mancha-alvo-e-os-impactos-na-safra-1920-da-soja.html#:~:text=Para%20a%20cultivar%20de%20soja,et%20al.%2C%202019). >, acesso em: 24/04/2026.

FORCELINI, C. A. DOENÇAS EM SOJA: ENTENDENDO AS DIFERENÇAS ENTRE BIOTRÓFICOS E NECROTRÓFICOS. Revista Plantio Direto, Doenças, 2010. Disponível em: < https://pt.scribd.com/document/711702511/3-230207-193658 >, acesso em: 24/04/2026.

GODOY, C. V. et al. EFICÁCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA MANCHA-ALVO, Corynespora cassiicola, NA CULTURA DA SOJA, NA SAFRA 2024/2025: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 213, 2025. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1176454/eficacia-de-fungicidas-para-o-controle-da-mancha-alvo-corynespora-cassiicola-na-cultura-da-soja-na-safra-20242025-resultados-sumarizados-dos-ensaios-cooperativos >, acesso em: 24/04/2026.

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA MANCHA-ALVO, Corynespora cassiicola, NA CULTURA DA SOJA, NA SAFRA 2022/2023: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa, circular técnica, 194. Londrina – PR, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1154756/1/Circ-Tec-194.pdf >, acesso em: 24/04/2026.

MOLINA, J. P. E. et al. META-ANALYSIS OF FUNGICIDE EFFICACY ON SOYBEAN TARGET SPOTAND COST–BENEFIT ASSESSMENT. Plant Pathology, 2019. Disponível em: < https://bsppjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/ppa.12925 >, acesso em: 24/04/2026.

Foto de capa: Maurício Stefanelo.

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