Dentre as principais doenças fungicidas que acometem a cultura do trigo, as manchas foliares se destacam pela persistência em áreas de cultivo e potencial em causar danos. Segundo Santana et al. (2012), dependendo da mancha foliar, severidade e suscetibilidade da cultivar, perdas de produtividade de até 80% podem ser observadas.

Embora o uso de cultivares com maior resistência genética e o tratamento de sementes com fungicidas compreendam algumas das principais medidas de controle de doenças em trigo, em algumas situações é preciso atentar para o uso de fungicidas via pulverização da parte aérea do trigo. Embora o tratamento de sementes com fungicidas proporcione controle inicial de doenças em trigo, a alta pressão de inoculo e condições ambientais adequadas podem favorecer o desenvolvimento inicial dessas doenças.

Conforme observado por Grigolli & Grigolli (2019), muitas vezes o inoculo da doença já está presenta na lavoura, em plantas hospedeiras e/ou no solo e resíduos culturais.  Entretanto, para que ocorra o desenvolvimento de uma doença fungica, além do inoculo e hospedeiro, é necessário que o ambiente apresente condições adequadas.



Figura 1. Diagrama esquemático das inter-relações dos fatores envolvidos em epidemias de doenças de plantas.

Fonte: Grigolli & Grigolli (2019)

A alta pressão de inoculo pode ser observada principalmente em lavouras de “trigo sobre trigo”. Conforme destacado por Santana et al. (2012), a exemplo da mancha-amarela, uma das principais doenças foliares do trigo, como forma de sobrevivência do fungo, o patógeno produz pseudotécios em resíduos culturas do trigo e de outros cereais. Sob condições adequadas de temperatura e umidade, o fungo germina dando início ao desenvolvimento da doença.

Conforme destacado pelo professor e pesquisador Marcelo Madalosso, em anos chuvosos a incidência de manchas foliares no início do desenvolvimento do trigo é mais expressivo. No caso da mancha-amarela, com respingos de chuva, os pseudotécios liberam ascósporos, que causam as primeiras infecções na planta (Santana et al., 2012). O mesmo pode ser aplicável para as demais doenças fungicas cujo inoculo esta presente no solo ou resíduos culturais, passando a infectar a planta após dispersão pelos respingos de chuva. Logo, a chuva pode ser vista como um agente dispersante, contribuindo para o desenvolvimento de doenças em trigo.

Dessa forma, mesmo com o tratamento de sementes com fungicidas, em virtude das condições climáticas favoráveis e da elevada pressão de inoculo, principalmente em áreas de “trigo sobre trigo”, tem-se observado significativo desenvolvimento de manchas foliares no trigo. Cabe destacar que a eficiência de fungicidas no controle das manchas foliares esta condicionada ao momento de aplicação, sendo fundamental atentar para o monitoramento da área a fim de melhor definir estratégias e momentos de aplicação visando reduzir os danos causados pelas manchas foliares na cultura do trigo.

Confira o vídeo abaixo o que o Professor e Pesquisador Marcelo Madalosso tem a dizer sobre o tema.


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Referências:

GRIGOLLI, J. F. J.; GRIGOLLI, M. M. K. MANEJO DE DOENÇAS NA CULTURA DA SOJA. Tecnologia e Produção: Soja 2018/2019, Fundação MS, 2019.

SANTANA, F. M. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS EM TRIGO. Embrapa, Documentos, n. 108, 2012, disponível em: < https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/990828/manual-de-identificacao-de-doencas-de-trigo >, acesso em: 04/07/2022.

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