Dependendo das condições ambientais e da presença de inoculo, várias doenças podem incidir sobre a cultura da soja, causando reduções significativas na sua produtividade ou até mesmo comprometendo o estande de plantas. Sendo assim, além de realizar o correto monitoramento das áreas de cultivo, e a aplicação de defensivos agrícolas no momento adequado com o produto correto, é necessário atentar para outras práticas que possibilitam a diminuição da incidência de doenças na culturas da soja, sendo uma delas o manejo cultura.

Segundo o professor da UTFPR Daniel Debona, o manejo cultura não é restrito ao cultivo da soja, tendo início desde os períodos entressafra da cultura. O planejamento do sistema de rotação de culturas, bem como a escolha das espécies a compor o sistema é fundamental para um adequado manejo fitossanitário, sendo possível utilizar espécies de cobertura que possibilitem o controle de nematoides entre outras pragas.

Veja também: Uso de crotalária como alternativa no controle de nematoides

Daniel destaca que dentre as práticas de manejo cultural, a eliminação das plantas espontâneas (tiguera) de soja da área de cultivo nos períodos entressafra é fundamental, pois plantas de soja tiguera podem servir como hospedeiras de fungos biotróficos, “a exemplo da Phakopsora pachyrhizi causadora da ferrugem asiática na soja. Além dos fungos, as plantas de soja tiguera, assim como espécies de plantas daninhas podem servir como ponte verde para pragas, sendo assim, o controle de plantas daninhas no período entressafra nas áreas de cultivo e bordaduras é uma das práticas fundamentais visando um adequado manejo fitossanitário da soja.

Figura 1. Plantas de soja tiguera com ocorrência de Melanagromyza sojae.

Foto: Eng. Agr. Alessandro Braucks.

Outro fator fundamental abordado por Daniel é a qualidade das sementes utilizadas para semeadura das áreas de cultivo. O professor destaca que a utilização de sementes de boa sanidade é fundamental para evitar a entrada de patógenos na cultura da soja, visto que doenças como mofo-branco, cercosporiose, antracnose e mancha-alvo podem ser inseridas no sistema de produção através de sementes contaminadas com o inoculo do fungo.

Figura 2. Sementes de soja contaminadas com Cercospora kikuchii.

Na Foto: INTA Informa

Outra prática de manejo cultura interessante segundo Daniel é a semeadura da soja no início do período recomendado para a cultura, utilizando cultivares de ciclo curto “precoce”, possibilitando menor tempo de exposição da soja a pragas e doenças. Já com relação ao manejo de doenças de solo, Debona recomenta cautela com a profundidade de semeadura da soja, sendo que maiores profundidades tendem a promover maior tempo para a emergência das plântulas, expondo as sementes por maior tempo a patógenos de solo. Áreas com histórico de doenças de solo devem ser trabalhadas com cautela, uma das alternativas é o tratamento de sementes com fungicidas.

Com relação a densidade de semeadura e espaçamento entre linhas, a adoção de densidade elevadas, em conjunto com a utilização de espaçamento reduzidos pode promover condições microclimáticas no dossel da cultura favoráveis ao desenvolvimento de doenças, especialmente doenças foliares e após o fechamento das entre linhas de cultivo.

Sendo assim, é indispensável que se adote medidas adequadas de manejo nos períodos entressafra da cultura da soja, visando um melhor manejo fitossanitário, utilizando praticas culturais como aliadas no controle de doenças da soja.

Confira a baixo o vídeo com as dicas do professor Daniel Debona.


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