O manejo adequado das plantas daninhas na cultura da soja tem se tornado mais difícil a cada ano. Novos casos de resistência são relatados todos os anos, e os problemas de resistência múltipla, ou seja, resistência de uma planta daninha a mais de um mecanismo de ação de herbicidas assombra o Brasil. Esse cenário só vai reduzir quando toda a cadeia da soja começar a tratar o assunto de plantas daninhas de forma responsável, pensando-se em um manejo de sistema.

Esse manejo se torna indispensável do ponto de vista agronômico, pois a ação das plantas invasoras já é bastante conhecida, competindo por água, luz, nutrientes e espaço, causando muitos prejuízos às culturas. Essas perdas se acentuam à medida que não são devidamente controladas.


Veja também: Manejo de plantas daninhas na entressafra


Atualmente no Brasil encontramos diversas plantas daninhas resistentes ao mecanismo de ação de alguns dos principais herbicidas disponíveis no mercado. Devido a este motivo, devemos utilizar diferentes estratégias de manejo no controle de plantas invasoras, tais como: plantio direto, rotação de diferentes mecanismos de ação durante o processo produtivo/safras; rotação de culturas; redução do banco de sementes das plantas daninhas durante a entressafra, entre outras.

Como exemplos clássicos de algumas plantas invasoras que já adquiriram resistência ao mecanismo de ação do Glifosato, temos: Conyza bonariensis (Buva); Digitaria insularis L. (Capim Amargoso); Lolium multiflorum (Azevém).

A cobertura de solo, fundamental no manejo de plantas daninhas, tem como função inibir a emergência de algumas espécies de plantas daninhas (principalmente gramíneas e espécies de ciclo anual) que necessitam mais luz para germinar. Entretanto, para que a cobertura tenha efeito sobre a emergência é necessária uma quantidade mínima de palhada que dependerá da espécie que escolhemos para nosso sistema. Por exemplo, se a cobertura escolhida para a supressão de plantas daninhas for milheto, são necessárias aproximadamente 8 ton/ha.


Veja também: Manejo de plantas invasoras


Observe no trabalho desenvolvido por Lima et al. (2014) como algumas plantas de cobertura conseguem reduzir a infestação das plantas daninhas.

Figura 1: Porcentagem de cobertura vegetal sobre o solo proporcionada pelas plantas de cobertura e pelas plantas daninhas.

Fonte: Lima et al. (2014) .

 BR- Braquiária ruziziensis; M- Milheto; CJ- Crotalária juncea;
CS- Crotalária espectábilis; MP- Mucuna-preta; FP- Feijão-de-porco; FG- Feijão guandu; E- Estilosantes Campo Grande

Quando se trata da soja, é de extrema importância que o cultivo inicie no limpo, pois a cultura tolera o convívio com plantas daninhas por um período de tempo muito curto, de cerca de 18 dias após a emergência ou de 7 dias em condições adversas, após a emergência, por isso, o uso do pré-emergente também é um fator fundamental para o controle de plantas daninhas e a garantia de que a cultura semeada será estabelecida no limpo.

No estudo realizado por Grigolli, (2016) sobre manejo e controle de plantas daninhas na cultura da soja, objetivando estudar diferentes opções de pré-emergentes no mercado para o controle de plantas de buva de até 20 cm, a Fundação MS desenvolveu um experimento em Amambaí, MS, com diversos herbicidas aplicados na dessecação pré-plantio da soja e os resultados podem ser observados na figura abaixo:



Figura 2. Rendimento de grãos (sc ha-1) de plantas de soja com diferentes manejos herbicidas. Amambai, MS, 2016. Médias seguidas pela mesma letra maiúscula na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade. ns não significativo, * e ** significativo a 5% e 1% respectivamente.

Fonte: Grigolli, (2016).

Para acessar o trabalho completo, clique aqui.

Pensando nisso, na terceira temporada do Dicas Mais Soja, Alfredo Albrecht, Dr. e pesquisador da UFPR, comentou sobre o manejo de plantas daninhas nos sistemas produtivos, ressaltando a importância do manejo na entressafra e as principais alternativas para controle de plantas daninhas que não sejam fundamentadas apenas no manejo com herbicidas.

O pesquisador mostra no vídeo, uma lavoura de trigo, onde enfatiza a importância do cereal de inverno, para não ficarmos sempre utilizando o mesmo ciclo de culturas, como a soja e após o milho segunda safra, podendo-se assim diversificar o manejo, facilitando o controle de plantas daninhas.

Além disso, conforme destacou o pesquisador, esse manejo além de beneficiar o controle de plantas daninhas também é importante para o controle de pragas e doenças, uma vez que com a rotação de culturas, o sistema produtivo como um todo acaba sendo modificado.



Contudo, quando o produtor utiliza uma cultura de inverno, seja ela trigo, ou até mesmo aveia e outras culturas de cobertura, não se deve esquecer e deixar de lado o manejo de plantas daninhas, pois quando uma cultura é estabelecida em uma área que já possui plantas daninhas presentes e desenvolvidas, eliminá-las posteriormente acaba sendo um grande desafio, como é o caso da planta de buva.

Dessa forma, conforme destacado pelo pesquisador, a cultura de inverno deve entrar na área em um ambiente limpo, porque a planta daninha que emergir junto ou após essa cultura  ainda tem chances de ser controlada, porém, aquela que já estava presente na área, com um tamanho maior, dificilmente será controlada em meio à cultura de inverno.

Como provavelmente não teremos novas opções de moléculas ou mecanismos de ação nos próximos 10 anos para o controle de plantas daninhas, o produtor terá de manejar sua lavoura pensando no sistema produtivo como um todo, sem deixar a lavoura “abandonada” no período da entressafra, rotacionando culturas para poder utilizar diferentes mecanismos de ação e mantendo sempre a cobertura do solo para evitar que as plantas daninhas germinem e se desenvolvam, ressaltou o pesquisador.


Veja também: Cobertura de solo e o manejo de plantas daninhas


É claro que nesse período teremos novas tecnologias sendo lançadas, como a Soja EnlistTM, que permite o uso de 2,4-D, Glifosato e Glufosinato na lavoura e a Soja Xtend®, que permite o uso de Glifosato e Dicamba, sendo de grande importância para o controle de plantas daninhas, porém novos mecanismos não serão lançados a curto prazo, cabendo a nós, sabermos manejar e rotacionar esses produtos que temos hoje no mercado, acrescentou o pesquisador.

Para ouvir a conversa do pesquisador com o Mais Soja, assista o vídeo abaixo.

https://www.facebook.com/maissoja/videos/814688305648002/?t=212



Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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