Um dos fatores que mais afetam a produtividade da soja é a infestação de plantas daninhas. Essas plantas, quando não controladas, podem causar perdas de até 70% nas lavouras, com danos diretos ou indiretos no rendimento, como dificuldade de colheita, depreciação da qualidade do produto e hospedagem de pragas e doenças.

Aproximadamente 250 plantas são universalmente consideradas daninhas, das quais cerca de 40% pertencem a apenas duas famílias: Poaceae (gramíneas) e Asteraceae (compostas). Essas plantas são capazes de se adaptar a lugares e condições climáticas adversas, o que as tornam grandes competidoras em meio às culturas.

O manejo adequado dessas plantas na cultura da soja tem se tornado mais difícil a cada ano. Novos casos de resistência são relatados todos os anos, e os problemas de resistência múltipla, ou seja, resistência de uma planta daninha a mais de um mecanismo de ação de herbicidas vem assombrando o país.


Veja também: Manejo da dessecação e uso de herbicidas pré-emergentes


Esse cenário só vai reduzir quando toda a cadeia da soja começar a tratar o assunto de plantas daninhas de forma responsável novamente. A utilização isolada do glifosato já não é mais garantia de uma boa dessecação e plantas daninhas resistente a este herbicida, como a buva, o capim-amargoso e o capim pé-de-galinha necessitam de um manejo mais específico para um controle eficaz.

Neste sentido, experimentos que visam analisar o controle destas plantas daninhas são de estrema importância para que se possa levar a informação ao agricultor a fim de que o manejo seja realizado no momento certo e da maneira correta.

Em experimento realizado pelo Supra Pesquisa, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde objetivou-se verificar a redução de produtividade ocasionada por populações de buva e capim-amargo na soja, obteve-se os resultados a seguir:

Fonte: Lorenzeti, et. al., (2016).

Acesse o trabalho completo clicando aqui.

Fonte: Lorenzeti, et. al., (2016).

Acesse o trabalho completo clicando aqui.

Verifica-se no trabalho que com a presença de apenas uma planta da buva por metro quadrado a soja deixou de produzir 14% ou 9,4 sacas por hectare. Sob a interferência de 2 e 3 plantas de buva houve redução da produtividade de 21% e 23%, perda de 14,3 e 15,5 sacas/ha, respectivamente.

Já em relação ao capim-amargoso, essa interferência na produtividade foi ainda maior, onde constatou-se que uma planta de capim-amargoso por metro quadrado reduz em cerca de 21% a produtividade média da soja, e 8 plantas de capim-amargoso chegam a reduzir a produtividade em até 59%.

No estudo realizado por Grigolli, (2016) sobre manejo e controle de plantas daninhas na cultura da soja, objetivando estudar diferentes opções no mercado para o controle de plantas de buva de até 20 cm a Fundação MS desenvolveu um experimento em Amambaí, MS, com diversos herbicidas aplicados na dessecação pré-plantio da soja e os resultados podem ser observados nas tabelas abaixo:

Tabela 1. Eficiência de controle (%) dos herbicidas aos 7, 14, 21, 28, 35 e 42 dias após a primeira aplicação dos tratamentos. Amambai, MS, 2016.

Fonte: Grigolli, (2016).

Figura 3. Rendimento de grãos (sc ha-1) de plantas de soja com diferentes manejos herbicidas. Amambai, MS, 2016. Médias seguidas pela mesma letra maiúscula na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade. ns não significativo, * e ** significativo a 5% e 1% respectivamente.

Fonte: Grigolli, (2016).

Para acessar o trabalho completo, clique aqui.

Ainda é possível se evitar a resistência de outras plantas daninhas com algumas ações, como:

  • Rotação de culturas, com rotação de herbicidas;
  • Utilizar sementes isentas de infestantes resistentes;
  • Acompanhar as mudanças na flora;
  • Evitar a reprodução e disseminação inicial de plantas daninhas resistentes;
  • Fazer o manejo antecipado e reduzir os fluxos de emergência de plantas daninhas no solo, controlando-as com manutenção de cobertura do solo;
  • Realizar a limpeza de tratores, implementos, colheitadeiras e semeadoras.


Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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