O manejo de plantas daninhas na entressafra é considerado o mais importante no sistema de produção de grãos, visto que, neste período existe um número maior de ferramentas e alternativas que podem ser utilizadas, como herbicidas de diversos mecanismos de ação, além de técnicas de controle mecânico e cultural.

Quando se trata da soja, é de extrema importância que o cultivo inicie no limpo, pois a cultura tolera o convívio com plantas daninhas por um período de tempo muito curto, de cerca de 18 dias após a emergência ou de 7 dias em condições adversas, após a emergência.

Pesquisas realizadas pela Embrapa destacam que plantas infestantes são mais facilmente controladas na entressafra, quando ainda estão pequenas e mais suscetíveis aos herbicidas. O controle posterior é dificultado pela alta infestação, dada a grande capacidade de multiplicação da maioria das invasoras.


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 A dessecação pré-semeadura em Sistema Plantio Direto (SPD) é importante para implantar as culturas de primavera/verão no limpo, facilitando o manejo no período após a emergência. A semeadura só deveria ocorrer após a completa dessecação da vegetação presente na lavoura e, considerando que a quase totalidade da soja cultivada no Brasil é realizada no SPD, a área de plantio deveria estar totalmente livre de plantas infestantes na data da semeadura.

A razão de se realizar esse manejo se justifica em virtude de que as invasoras competem com a soja por água, luz e nutrientes podendo, ainda, ser hospedeiras de pragas e doenças na lavoura. Controlá-las, portanto, é fundamental, começando pelos cuidados para não introduzi-las no espaço produtivo junto com os fertilizantes ou com as sementes de plantas de cobertura ou até mesmo, da soja.

Não existe herbicida capaz de controlar todas as invasoras, durante todo o ciclo da cultura da soja. É normal que, num universo de bilhões de indivíduos de determinada invasora, alguns sobrevivam à dose que seria letal à espécie, gerando populações de biótipos resistentes.

É interessante salientar que o uso de cultivares de soja tolerantes ao glifosato (soja RR) facilitou muito o manejo de plantas daninhas em função, principalmente, do amplo espectro de controle desse herbicida. Contudo, o uso excessivo e indiscriminado do herbicida promoveu o surgimento de plantas daninhas resistentes ao glifosato, como a buva e o capim amargoso, exigindo muitas vezes o uso de outros herbicidas, mesmo na soja RR.



As plantas daninhas continuarão a ser um problema de difícil manejo, embora o setor produtivo da soja possa contar com a expectativa de soluções tecnológicas futuras capazes de amenizar as contrariedades, igual aconteceu com a soja transgênica resistente ao herbicida glifosato.

O controle cultural é outra importante ferramenta para evitar que as plantas daninhas apareçam, que é o uso de boas práticas agrícolas aplicadas na época da semeadura, como o espaçamento e a adubação realizados de forma correta. Essas práticas favorecem o desenvolvimento da soja e dificultam a sobrevivência das plantas invasoras.

Os especialistas elegeram duas espécies como as mais preocupantes: a buva e o capim amargoso. A presença destas e de outras plantas daninhas nas lavouras de soja pode refletir em perdas de qualidade dos grãos, no rendimento e, até mesmo, inviabilizar uma colheita. O alerta dos pesquisadores é que o controle seja feito o ano todo, incluindo o período entressafra.

O pesquisador Dionísio Gazziero, da Embrapa Soja, destacou: “Se não fizermos um bom controle antes da semeadura, ficaremos com uma situação de planta mal controlada, que vai entrar na cultura da soja e assim as coisas começam a se complicar cada vez mais. Então, se nós mantivermos esta área limpa neste período de entressafra, nós podemos começar com mais tranquilidade o cultivo da soja no momento adequado para cada região”


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Ao se usar o mesmo herbicida, por um longo período de tempo, o produto elimina a maioria das plantas daninhas, mas seleciona as que são mais tolerantes e as resistentes a ele. Dessa forma, a médio e longo prazos, as plantas resistentes selecionadas aumentam nas lavouras e começam a causar problemas para seu controle.

A utilização de herbicidas na pré-emergência, de diferentes mecanismos de ação, nos sistemas de produção de grãos é uma das alternativas para enfrentar problema de resistência. Hoje, existem vários produtos pré-emergentes no mercado, que controlam tanto as folhas largas quanto as estreitas, abrangendo um amplo espectro de ação.

Entre os herbicidas pré-emergentes que podem ser utilizados, pode-se destacar:

  • Diclosulam – herbicida com ação residual para controle de banco de sementes, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal ou no sistema de aplique plante da soja, utilizado para folhas largas (ex: buva) e algumas gramíneas (ex: capim-amargoso);
  • Flumioxazin – herbicida com ação residual para controle de banco de sementes, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal ou no sistema de aplique plante da soja, utilizado para folhas largas (ex: Buva) e algumas gramíneas (ex: capim-amargoso);
  • S-metolachlor –herbicida com ação residual utilizado no sistema de aplique plante da soja, controla gramíneas de semente pequena (ex: capim-amargoso, capim-pé-de-galinha);
  • Trifluralina – herbicida com ação residual, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal ou no sistema de aplique plante da soja. Controla gramíneas de semente pequena (ex: capim-amargoso, capim-pé-de-galinha).
  • Sulfentrazone – herbicida com ação residual para controle de banco de sementes, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal. Atua no controle de plantas daninhas de folhas largas e de algumas gramíneas.

Em trabalho realizado por Grigolli, 2016, onde avaliou-se a eficiência de diferentes herbicidas pré-emergentes no controle de buva e capim amargoso, obteve-se os seguintes resultados:

Tabela 1. Eficiência de controle (%) de buva com diferentes herbicidas pré-emergentes aos 14, 21, 28, 35 e 42 dias após a aplicação dos tratamentos. Maracaju, MS, 2016.

Fonte: Grigolli, 2016.

Tabela 2. Eficiência de controle (%) de capim-amargoso com diferentes herbicidas pré-emergentes aos 14, 21, 28, 35 e 42 dias após a aplicação dos tratamentos. Maracaju, MS, 2016.

Fonte: Grigolli, 2016.

Pensando nisso, na terceira temporada do Dicas Mais Soja, André Ulguim, professor da Universidade Federal de Santa Maria na área de herbologia comentou sobre o manejo da dessecação e uso de herbicidas pré-emergentes, destacando a importância do manejo em pré-semeadura e como garantir o estabelecimento da lavoura no limpo.

O professor destaca que o manejo das dessecações em pré-semeadura é um momento importante e fundamental para o controle de diversas espécies de plantas daninhas de difícil controle, principalmente a buva, que é a principal planta daninha resistente no sul do país.

André destaca que algumas das espécies daninhas não possuem alternativas eficientes de controle em pós emergência, destacando-se, mais uma vez, a importância de utilizarmos a janela que há antes da semeadura para o controle dessas espécies.


Veja também:Pré-emergente é uma das alternativas para manejo de plantas daninhas resistentes


Para garantir uma boa dessecação e um bom estabelecimento da cultura da soja, André destaca a importância de se escolher um herbicida efetivo para a população de plantas daninhas estabelecidas na área; quando necessário, fazer-se aplicações sequencias, caso as plantas daninhas estejam em infestações e estaturas que inviabilizem o manejo; em alguns casos, a pré-semeadura é o único momento que se tem para controle de espécies daninhas, evidenciando que o manejo nesse momento deve ser realizado e também deve ser efetivo.

Além disso, o professor ressalta que após a semeadura ou mesmo em plante e aplique é fundamental escolher herbicidas com ação residual ou então pré-emergentes para garantir que a lavoura venha a se estabelecer no limpo e que as plantas daninhas que por ventura vierem a emergir, essa emergência seja retardada e posteriormente prejudicada com a ação do sombreamento da cultura que foi beneficiada com esse tipo de manejo.

Para ouvir a conversa do professor com o Mais Soja, assista o vídeo abaixo.

Leitura complementar utilizada: EmbrapaManejo e controle de plantas daninhas na cultura da soja.



Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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