O sistema de produção milho-soja safrinha é realizado em regiões no Sul do Brasil, como o oeste de Santa Catarina (SC) e o noroeste do Rio Grande do Sul (RS). Nessas regiões, devido à ocorrência de geadas durante o inverno o estabelecimento do milho após soja como é realizado no Centro-Oeste, se impossibilita, a isso se soma que a oscilação anual do fotoperíodo e as baixas temperaturas nos meses de agosto e setembro (meses frios e com dias curtos), geralmente, impedem a semeadura da soja neste período. Dessa forma, buscando otimizar o uso da terra, os produtores optam por semear a cultura do milho como primeira safra (agosto e setembro) e a soja como segunda (a partir de janeiro) (Figura 1).
Figura 1. Representação do sistema de produção milho-soja safrinha no Sul do Brasil.

Para viabilizar o sistema, são geralmente utilizados híbridos de milho de ciclo hiperprecoce e cultivares de soja com um ciclo de 115 dias. Nesse contexto, o potencial de produtividade do milho é reduzido pela duração do ciclo dos híbridos e pelas semeaduras mais precoces, que fazem com que o período crítico do milho não coincida com o melhor coeficiente fototérmico (Q). Embora neste sistema a soja seja cultivada em um ambiente de menor potencial, em condições de sequeiro essa época de semeadura apresenta uma lacuna de produtividade por água menor, com uma maior estabilidade na produtividade.
Um desafio, no entanto, é a dificuldade de implantação da lavoura de soja em condições de sequeiro. Visto que, frequentemente, existem períodos longos sem precipitação no mês de janeiro no Sul do Brasil, que somado a alta disponibilidade de radiação e alta evapotranspiração, diminui o período com condições ideais de semeadura. Porém, geralmente esse sistema é adotado em áreas irrigadas, onde a irrigação traz segurança na produção de milho e supera os desafios do estabelecimento da soja.
A Equipe FieldCrops analisou uma série de fatores que atuam em conjunto para construir uma lavoura de alta produtividade no sistema milho-soja safrinha e os apresenta como os degraus para altas produtividades (Figura 2). A base desses degraus é a disponibilidade de água, que permite o estabelecimento inicial da soja e sua máxima taxa de crescimento durante o período vegetativo. Em seguida, a formação de um estande de plantas adequando as populações e garantindo o primeiro componente de produtividade, visando assegurar o uso eficiente dos recursos naturais (garantir máxima interceptação de radiação solar). Posteriormente, a escolha correta de cultivares, que sejam adaptadas às condições locais, com alto potencial genético e presença de juvenilidade, fundamental para altas produtividades em ambiente de safrinha.
A disponibilidade de nutrientes também é um fator essencial, principalmente relacionado a alta taxa de crescimento das plantas de soja e o seu menor ciclo de desenvolvimento, pois a semeadura ocorre no mês de janeiro, sendo necessário manter níveis mais elevados de nutrientes para suprir a demanda das plantas. Por fim, as produtividades são altamente relacionadas à época de semeadura caso não ocorra deficiência hídrica Tagliapietra et al. (2021) estimou que a cada dia de atraso da semeadura da soja no mês de janeiro pode resultar e perdas de −40 kg ha-1 dia-1 de soja, sendo intolerável o atraso na semeadura da soja após a colheita do milho.
Figura 2. Degraus visando alta produtividade no sistema de produção milho-soja.

Fonte: Equipe Field Crops
Referências:
WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 2025.
TAGLIAPIETRA, E. L. et al. Biophysical and management factors causing yield gap in soybean in the subtropics of Brazil. Agronomy Journal, v. 113, n. 2, p. 1882–1894, 2021. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/agj2.20586 >, acesso: 21/03/2026





