A competição provocada pelas plantas daninhas em uma lavoura de soja pode resultar em perdas significativas, reduzindo em mais de 90% a produção da cultura. Também pode dificultar a operação de colheita, prejudicando a qualidade do grão ou da semente.

Contudo, a necessidade pelos recursos como a água, a luz e os nutrientes variam dentro do ciclo da cultura, razão pela qual torna-se importante conhecer as fases onde a interferência das plantas daninhas pode ser mais prejudicial para a soja.


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Trabalhos nessa área são denominados de estudos de matocompetição ou de períodos de interferência. Basicamente os experimentos são realizados diretamente no campo, com os tratamentos sendo compostos por intervalos de tempo onde a cultura é deixada “no limpo”, isto é, sem a presença de plantas daninhas, complementado por períodos de convivência entre a cultura e as infestantes.

O tempo em que a cultura está sofrendo matocompetição pode ser dividido em três períodos:

1º) PAI (Período Anterior a Interferência) – período inicial de desenvolvimento da cultura, onde há presença de plantas daninhas, mas sem causar prejuízos.

2º) PTPI (Período Total de Prevenção a Interferência) – período após emergência, onde a cultura deve se desenvolver livre da matocompetição, a fim de não promover perdas na produtividade. Após esse período, a cultura é capaz de se desenvolver livre da interferência das plantas daninhas.

3º) PCPI (Período Crítico de Prevenção a Interferência) – esse período ocorre entre o PAI e o PTPI e corresponde a fase em que as práticas de controle devem ser adotadas de forma efetiva. Caso não seja feito um manejo eficiente nesse período, haverá perdas na produtividade da cultura.


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Os fatores relacionados à matocompetição são dinâmicos e isso não tem sido diferente na cultura da soja. Estudos mais recentes mostram que não tem havido muita mudança no Período Total de Prevenção da Interferência, mas apontam em uma diminuição do Período Anterior a Interferência, para algo próximo dos quatorze dias após a emergência, o que alteraria o Período Crítico de Prevenção da Interferência, tendo o agricultor a necessidade de realizar o controle das infestantes mais cedo do que anteriormente era o recomendado.

No Brasil, os principais trabalhos de matocompetição com a soja foram realizados entre as décadas de 60 e 80, cujos resultados obtidos permitiram generalizar como o período crítico de prevenção da interferência (PCPI) o intervalo de 20 a 50 dias após a emergência da cultura. Contudo, recentemente o grupo do Supra Pesquisa da Universidade Federal do Paraná realizou um experimento visando identificar a redução da produtividade da soja causada por densidades populacionais de buva.



Pensando nisso, na terceira temporada do Dicas Mais Soja, Leandro Albrecht, Dr. e pesquisador da UFPR, e Juliano Lorenzetti, Engenheiro Agrônomo e aluno de doutorado da UFPR, comentaram a respeito da matocompetição de plantas daninhas na cultura da soja, enfatizando sobre os prejuízos que as plantas daninhas podem ocasionar ao produtor.

Conforme destacado pelo professor, o foco do assunto está nas plantas de buva, já que essa planta daninha causa grandes prejuízos aos produtores e se trata de uma planta daninha extremamente competitiva quando presente em uma lavoura de soja.

Leandro destaca que a matointerferência se refere a um conjunto de elementos que estão envolvidos na relação que há entre a planta cultivada e as plantas daninhas, no que se refere à competição por água, luz, nutrientes, além da liberação de aleloquímicos, preservação de patógenos, entre outros.



Com isso, Juliano ressaltou alguns pontos que foram observados durante a realização de sua dissertação de mestrado, cujo tema foi a própria matocompetição de buva na cultura da soja, destacando que foi observada uma interferência muito alta da buva sob a cultura da soja, sobretudo sobre sua produtividade.

Nesse experimento, foi observado que uma planta de buva em um metro quadrado, consegue reduzir a produtividade da soja em 14%. Quando essa quantidade de plantas daninhas aumenta para 4 plantas por metro quadrado, a redução da produtividade sobe de 14 para 33%, e 8 plantas por metro quadrado já chega em uma redução de 48% na produtividade de soja.

Veja esse resultado no gráfico abaixo.

Dessa forma, Juliano destaca que é possível observar que a buva possui um potencial de agressividade muito grande, devendo-se atentar e adotar os mecanismos de controle dessa planta daninha.

Todo esse potencial de redução da produtividade, também pode ser explicado pelo alto teto produtivo presente nas cultivares atualmente, por apresentarem um ciclo mais estreito e nesse período, estarem mais sujeitas à perda caso a buva não seja controlada, já que esse período é menor. Como o investimento com esses materiais é alto, o controle se justifica e se faz necessário, acrescentou o pesquisador.

Em relação a esse investimento, o professor Leandro destaca que nós temos que encarrar o manejo de plantas daninhas como um investimento de fato, porque se analisarmos os dados que foram colocados, com uma única planta de buva por metro quadrado ocasionando uma perda de até 14% na produtividade da soja, isso pode implicar em números reais para o produtor rural, como por exemplo, a perda de uma camionete Hilux a cada 300 ha de soja.

Com isso, podemos nos dar conta do quanto o produtor pode estar perdendo quando não realiza um bom manejo da buva, que seja eficiente, na hora certa e do jeito certo, devendo-se tratar sempre o manejo de plantas daninhas como um investimento.

Para ouvir a conversa do pesquisador com o Mais Soja, assista o vídeo abaixo.



Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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