A colheita da soja no Brasil vem avançando nos últimos dias. De acordo com a última atualização de progresso da safra da Conab de 9 de março de 2026, cerca de 50,6% da soja brasileira já foi colhida. Enquanto o Mato Grosso se aproxima do fim da colheita com produtividades acima do esperado, o avanço ocorre em Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e algumas regiões de Santa Catarina, favorecido pelo tempo mais seco.

Já Paraná e no Rio Grande do Sul, enfrentam redução do potencial produtivo ou aceleração do ciclo por déficit hídrico, enquanto Bahia, Tocantins, Maranhão e Piauí têm atrasos na colheita devido ao excesso de chuvas. No Pará, a colheita já foi finalizada em parte das áreas e segue próxima da conclusão em outras, com boas produtividades (Conab, 2026).

Embora a colheita de soja tenha avançado de forma significativa nos últimos dias, no Sul do Brasil ainda existem lavouras tardias em estádios sensíveis do desenvolvimento. No Rio Grande do Sul, grande parte das áreas encontra-se entre as fases de florescimento, enchimento de grãos e maturação. Em Santa Catarina e no Paraná, apesar do início da colheita em algumas regiões, ainda há lavouras em pleno enchimento de grãos.

Nesse cenário, o monitoramento das áreas, principalmente das lavouras mais tardias, deve ser intensificado para minimizar perdas causadas por fatores bióticos, como a ferrugem-asiática. Embora parte da região Sul, especialmente o Rio Grande do Sul, esteja enfrentando baixos volumes de precipitação e períodos de déficit hídrico, o aumento recente dos registros da doença acende um alerta para a necessidade de reforçar as estratégias de manejo e controle. A intensificação dessas medidas é fundamental para evitar perdas adicionais na produtividade da soja decorrentes da ferrugem.

As atualizações do Consórcio Antiferrugem demonstram que atualmente 334 casos da ferrugem-asiática já forma relatados em lavouras comerciais na safra 2025/2026. O Paraná concentra a maioria dos casos (156), entretanto, 60 casos já foram relatados no Rio Grande do Sul (figura 1). Considerando que grande parta das lavouras ainda estão em pleno desenvolvimento, reforçar os cuidados com o manejo da ferrugem é determinante para reduzir o impacto da doença na produtividade da soja, especialmente em lavouras próximas as áreas de ocorrência da doença.

Figura 1. Ocorrência da ferrugem-asiática na safra 2025/2026 por Estado (UF) de ocorrência. Atualização do Consórcio Antiferrugem de 12 de março de 2026.
Fonte: Consórcio Antiferrugem (2026)

Vale destacar que, visando maior eficiência no controle e um manejo mais adequado da resistência do patógeno aos fungicidas, recomenda-se que as medidas de controle da ferrugem-asiática sejam adotadas de forma preventiva, antes do estabelecimento da doença nas lavouras. Essa estratégia contribui para aumentar a eficácia dos fungicidas e reduzir o risco de perdas produtivas.

Clique aqui para ver as atualizações do Consórcio Antiferrugem e confira se há algum caso relatado próximo de você.



Referências:

CONSÓRCIO ANTIFERRUGEM. MAPA DE DISPERSÃO. Consórcio Antiferrugem: Parceria público-privada no combate à ferrugem asiática da soja, 2026. Disponível em: < http://www.consorcioantiferrugem.net/#/main >, acesso em: 12/03/2026.

CONAB. ACOMPANHAMENTO DAS LAVOURAS: 02/3 A 08/03/2026; MONITORAMENTO DAS CONDIÇÕES DAS LAVOURAS. Companhia Nacional de Abastecimento, 2026. Disponível em: < https://www.gov.br/conab/pt-br/atuacao/informacoes-agropecuarias/safras/progresso-de-safra/acompanhamento-das-lavouras-02-03-a-08-03-26/monitoramento-das-condicoes-das-lavouras >, acesso em: 12/03/2026.

 

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