As variações ambientais decorrentes das estações do ano em algumas regiões do Brasil criam condições desfavoráveis para o cultivo de algumas plantas de alto valor nutritivo como o milho, especialmente em condições de frio como as encontradas na região Sul do pais nos períodos de inverno. Quando se trabalha com produção animal, a exemplo do gado leiteiro e de corte, é necessário buscar alternativas para suprir as necessidades nutricionais dos animais durante os períodos de baixa disponibilidade de alimentos, visando isso, segundo DE OLIVEIRA et al. (2010) a silagem de milho é uma das principais alternativas para o manejo nutricional do gado.

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Porém, somente a execução do processo de ensilagem de forma correta não é suficiente para garantir a qualidade nutritiva do produto. Semelhante a qualquer outra cultura agrícola, o milho silagem apresenta exigências nutricionais e se não supridas podem comprometer a produtividade da lavoura.

Figura 1. Colheita do milho silagem.

Foto: Jacqueline Shibata.

Assim como o milho grão, o milho silagem apresentam elevada extração de nutrientes do solo para seu adequado desenvolvimento (tabela 1), em especial de macronutrientes como Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K).

Tabela 1. Quantidades de nutrientes exportados pela cultura do milho silagem (kg/ha) para diferentes produtividades. Valores estimados com base na matéria seca da cultura.

Adaptado: COELHO et al.

Na tabela 1 estão apresentados os resultados de pesquisas de COELHO et al. ainda não publicados, diante da atualidade dos dados, contudo auxiliam na compreensão das quantidade requeridas de macronutrientes para distintas produtividades de silagem. Cabe destacar que com exceção do K, todos os demais macronutrientes avaliados tiveram extração aumentada com o aumento da produtividade.

 

Além disso, alguns nutrientes além de apresentarem ligação com a produtividade da cultura, também apresentam relação com a qualidade da silagem. O Nitrogênio por exemplo, conforme avaliado por BASI et al. (2011), apresentam relação direta com a qualidade da silagem, produção de massa seca e produtividade do milho. JANSSEN (2009) avaliando doses de N em cobertura para o milho silagem, observou que aumentando a quantidade de N também é aumentada a proteína bruta da silagem, o que pode ser uma alternativa interessante na obtenção de silagens de melhor qualidade (figura 2).

Figura 2. Teor de proteína bruta (%) na massa seca da planta inteira de milho em função dos níveis de nitrogênio aplicados na cultura.

Fonte: JANSSEN (2009).

Contudo, cabe ressaltar que muitas vezes a produção de milho silagem não é vista como uma cultura de interesse para investimento em adubação, porém conforme apresentado na tabela 1, devido à alta exportação de nutrientes do solo, caso a adubação não seja realizada corretamente, será necessário aumentar a adubação para correção ou manutenção da fertilidade do solo em cultivos sucessores.



Referências:

DE OLIVEIRA, L. B. et al. PERDAS E VALOR NUTRITIVORGO –SUDÃO, SORGO FORRAGEIRO E GIRASSOL. R. Bras. Zootec., v.39, n.1, p.61-67, 2010.

COELHO, A. M; DE FRANÇA, G. E. NUTRIÇÃO E ADUBAÇÃO DO MILHO. Embrapa. Disponível em: http://ccpran.com.br/upload/downloads/dow_5.pdf, acesso em 18/04/2020.

BASI, S. et al. INFLUÊNCIA DA ADUBAÇÃO NITROGENADA SOBRE A QUALIDADE DA SILAGEM DE MILHO. Pesquisa Aplicada & Agrotecnologia. V.4, n.3, set/out. 2011.

Redação: Maurício Siqueira dos Santos – Eng. Agrônomo, equipe Mais Soja.

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