InícioDestaqueMilho tiguera: Como controlar plantas com diferentes tecnologias OGMs?

Milho tiguera: Como controlar plantas com diferentes tecnologias OGMs?

Proveniente principalmente das perdas de colheita, o milho tiguera (voluntário) tem se tornado um problema em lavoura de soja, causando perdas de produtividade significativas na cultura em função da matocompetição. Segundo resultados de pesquisa, 0,5 plantas de milho m-2 pode reduzir em média 9,3% a produtividade da soja, sendo maior essa redução a medida em que há o aumento da população do milho tiguera (figura 1).

Figura 1. Perdas de rendimento de grãos de soja em função da população de plantas de milho.

Fonte: Rizzardi et al. (2012), apud Piasecki & Rizzardi (2022).

Tendo em vista o impacto negativo causado pela presença do milho tiguera em meio a cultura da soja, o controle dessa planta daninha é fundamental para evitar maiores perdas produtivas. No passado, o glifosato (inibidor da EPSPs) era o herbicida mais empregado para a controle químico do milho tiguera, entretanto, com o advento de novo hídricos, com genes de resistência a esse herbicida (milho RR), novas estratégias de manejo necessitaram ser adotadas a fim de proporcionar um controle eficiente do milho tiguera.

Uma das estratégias é o uso de herbicidas inibidores da ACCase, mecanismo de ação que contempla três grupos químicos distintos: os ariloxifenoxipropionatos (FOPs e PROPs), as ciclohexanodionas (DIMs) e as fenipirazolinas (DENs).

Contudo, cabe destacar que embora em um primeiro momento os herbicidas inibidores da ACCase proporcionassem um controle satisfatório do milho tiguera, a eficiência desses herbicidas está condicionada ao momento de aplicação (estádio de desenvolvimento do milho). Além disso, com a chegada de novas tecnologias de resistência a herbicidas, como por exemplo resistência a glifosato + glufosinato de amônio e haloxifop (Milho Enlist), o manejo e controle do milho tiguera tornou-se mais complexo (Oliveira Junior et al., 2022).



Em relação ao controle de milho voluntário, os FOPs apresentam-se como uma ferramenta de maior eficácia quando comparada aos DIMs, entretanto, pensando no manejo e controle do milho Enlist, o qual apresenta resistência ao haloxyfop (FOP), os DIMS constituem uma importante ferramenta de manejo, proporcionando controle satisfatório do milho tiguera, sendo mais indicados com esse propósito.

Maiores diferenças de eficiência entre os FOPs e os DIMS são observadas à medida que as plantas de milho se desenvolvem e normalmente, apenas os FOPS apresentam níveis satisfatórios de controle para plantas a partir de V6 (Figura 2). Para o controle de plantas voluntárias de milho nos estádios iniciais (até V4-V5), além de uso de doses mais baixas dentro de bula, tanto os herbicidas inibidores da ACCase do grupo dos DIMs quanto do grupo dos FOPs apresentam bons controles quando aplicados em estádios iniciais V2-V3, (Oliveira Junior et al., 2022), desde que o milho não apresente resistência a FOPs como o milho Enlist.

Figura 2. Porcentagens de controle de milho voluntário (milho RR) de três estádios de desenvolvimento (V2-V3; V4-V5 e V6-V8) aos 21 dias após aplicação do herbicida, com o uso de diferentes inibidores da ACCase.

Fonte: Pertile et al. (2018), Apud Oliveira Junior et al. (2022)

Dessa forma, fica evidente a necessidade de conhecer o material genético do milho a ser controlado, a fim de maior assertividade na escolha do herbicida, bem como atentar para o momento ideal de aplicação para a obtenção de maiores níveis de eficácia de controle, dando preferência para o controle do milho nos estádios iniciais do desenvolvimento da planta.


Veja mais: Estratégias de sucessão trigo-soja para maximizar a produção de grãos e o retorno econômico


Referências:

SILVA, R. P. et al. O DESAFIO DO MILHO TIGUERA. HRAC-BR, Informe Técnica, n. 2, 2022. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/12R39cZdrCmOH83q_Lgwugvv_-msTzO4g/view >, acesso em: 08/07/2022.

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Equipe Mais Soja
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