Uma das principais doenças fúngicas da soja, o mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum) vem se destacando pela frequência com que vem ocorrendo em lavouras de soja. Segundo Meyer et al. (2020), os danos ocasionados pelo mofo branco podem representar perdas produtivas de até 70%.

Entretanto, além do adequado posicionamento de fungicidas, o manejo e controle eficiente do mofo branco requer uma série de cuidados, começando pela aquisição de sementes da cultura a ser semeada, seja ela de inverno ou verão. Isso porque o mofo branco possui a capacidade de produzir estruturas reprodutivas resistentes denominadas escleródios as quais possibilitam a disseminação da doença.

Figura 1. Escleródios de mofo branco em soja.

Foto: Josefa Neiane Goulart Batista.

Esses escleródios podem estar presentes nas sementes de soja colhidas ou até mesmo em sementes de culturas de outono-inverno como o nabo-forrageiro. Ao adquirir sementes sem a devida limpeza e classificação, seja para a implantação da cultura de outono-inverno ou verão, pode-se utilizar sementes com escleródios, possibilitando assim a entrada da doença na lavoura.



Figura 2. Escleródios de mofo branco em sementes de nabo-forrageiro.

Fonte: Marcelo Gripa Madalosso – Madalosso Pesquisas

Os esclerócios caídos ao solo, sob alta umidade e temperaturas entre 10 ° C e 21 °C, germinam e desenvolvem apotécios na superfície do solo. Estes produzem ascosporos que são liberados ao ar e são responsáveis pela infecção das plantas (Henning et al., 2014).

Figura 3. Escleródio de mofo branco germinando e dando origem a apotécio.

Em áreas onde não há o histórico de ocorrência da doença, a utilização de sementes contendo escleródios de mofo branco pode ser o ponto inicial para o desenvolvimento da doença na lavoura, doença essa que após seu estabelecimento apresenta difícil controle quando manejada de forma inadequada.


Veja também: Mofo Branco em Soja – Aspectos gerais


Em vídeo o professor e pesquisador Marcelo Madalosso chama atenção para a utilização de sementes livres de escleródios, “o melhor fungicida é não deixar a entrar na área”. Tendo em vista a dinâmica de disseminação da doença e a capacidade dos escleródios em se desenvolver dando origem a novos focos de mofo branco, além das boas práticas agronômicas, tais como rotação de culturas e utilização de culturas tolerantes a doença, o uso de sementes livres de escleródios é de fundamental importância para a redução da pressão de inoculo da doença e seu estabelecimento na lavoura. Já quanto com relação a utilização de fungicidas, as aplicações podem ser realizadas preferencialmente no início do florescimento e durante a floração (Hinning et al., 2014).

Confira o vídeo abaixo com as dicas do professor e pesquisador Marcelo Madalosso.


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Referências:

HINNING, A. A. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa, Documentos, n. 256, 2014. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/105942/1/Doc256-OL.pdf >, acesso em: 19/04/2021.

MEYER, M. C. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA CONTROLE DE MOFO-BRANCO (Sclerotinia sclerotiorum) EM SOJA, NA SAFRA 2019/2020: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS EXPERIMENTOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 165, 2020. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/217684/1/Circ-Tec-165.pdf >, acesso em: 19/04/2021.

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