Há tempos, o aumento da produção de alimentos tem sido definida pelo aumento da área cultivada e pelo aumento da produtividade devido a adição de insumos, como fertilizantes e defensivos químicos. Durante os últimos anos, em alguns locais do globo a produtividade estagnou (arroz na Ásia, milho nos EUA e trigo em alguns países da Europa), ou seja, mesmo com a adição de insumos, a produtividade não tem aumentado. Dessa forma, estudos iniciaram ao redor do mundo, para buscar novas práticas para aumentar a produtividade e/ou manter a produtividade com menor custo de produção. Esses estudos ficaram conhecidos como “estudos sobre as lacunas de produtividade” ou Yield Gap.

Um dos primeiros estudos publicados sobre o tema foi desenvolvido por Mueller e colaboradores em 2012. Nesse estudo os autores mapearam os principais locais produtores de alimentos no mundo, analisando e identificando os fatores mais importantes para aumentar a produtividade. Entre os fatores avaliados, dois foram os principais: água e nitrogênio (N). O N apresentou maior variabilidade e desbalanço global, pois em alguns países há uso excessivo de N (China) enquanto em outros há um déficit imenso (Nigéria).

Figura 1. Estimativa de nitrogênio necessário para atingir 75% do potencial produtivo nos sistemas de produção de arroz, milho e trigo no mundo. Adaptado de Mueller et al. (2012), publicado na Nature. Para mais informações clique aqui

Na figura 1 foram destacados os principais locais produtores de arroz, milho e trigo no mundo. De acordo com o mapa, em boa parte do continente asiático a adubação nitrogenada é maior que o requerido pelos sistemas de produção, sendo possível reduzir a adubação entre 50 e 100 kg de N ha-1 (algo que varia entre 100 e 220 kg de ureia ha-1). Já no continente africano, a adubação nitrogenada pode ser aumentada em 50 a 150 kg de N ha-1, de acordo com a região do continente.

No Brasil, também é possível aumentar a produtividade de arroz, milho e trigo com adição de N sobre os cultivos. A atual demanda varia entre 50 kg e 100 kg ha-1 na região sul do Brasil, e de mais de 100 kg a 150 kg ha-1 na região nordeste. De acordo com o estudo de Mueller, alterando a distribuição e o balanço de nitrogênio e fósforo no planeta, seria possível aumentar a produção de arroz, milho e trigo e atingir 75% do potencial produtivo. Análise de solo e adubação realizada de acordo com a expectativa de produtividade são peças chave para balancear a adubação nitrogenada dos cereais.

 

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