Erysiphe diffusa, conhecido popularmente como oídio-da-soja, é um parasita obrigatório que depende do hospedeiro vivo para sobreviver e normalmente desenvolve em toda a parte aérea da planta (folhas, hastes, pecíolos e vagens). É uma doença potencialmente perigosa em períodos de estiagem e as perdas de rendimento chegam até 40%. O principal sintoma é a presença de uma camada esbranquiçada pulverulenta que pode cobrir toda a parte aérea da planta. As folhas secam e caem prematuramente. Esse patógeno é mais conhecido atacando soja, mas já foi encontrado em mamão (Carica papaya), feijão-de-lima (Phaseolus limensis), feijão-comum (P. vulgaris), casco-de-vaca (Bauhinia variegata), dentre outras fabáceas ornamentais, medicinais e florestais.

Os propágulos são disseminados pelo vento, água e a infecção pode ocorrer em qualquer estádio de desenvolvimento da planta, sendo que quanto mais cedo ocorrer a infecção, maior será a perda causada pela doença. Não sobrevivem em restos culturais e não são transmitidos por sementes. As condições favoráveis para a ocorrência da doença são temperaturas amenas (entre 18 e 24ºC). A prática de manejo deve ser empregada para tentar reduzir os danos provocados a níveis economicamente aceitáveis, mantendo o equilíbrio do agroecossistema. A mais usada é a utilização de plantas resistentes. O uso de produtos químicos, plantio em época menos favorável ao patógeno, adubação e irrigação adequada são outras formas de controle. No Brasil, foi reportado causando danos expressivos a partir da década de 1990.



Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa encontraram plantas de Mimosa caesalpiniifolia localizadas em Ouro Preto (MG) e em Viçosa (MG) infectadas severamente pelo oídio-da-soja. A identificação foi feita com base na morfologia e análise filogenética molecular do fungo coletado de amostras foliares.

M. caesalpiniifolia é uma espécie florestal de uso diverso que vem sendo adotada como planta de cobertura e ocorre também de forma natural no Brasil. As doenças incidentes ainda são pouco conhecidas. Essa planta pode ser utilizada para alimentação animal, celulose e papel, energia (produção de carvão vegetal e lenha), madeira serrada e roliça, medicinal, paisagístico, plantios em recuperação e restauração ambiental, substâncias tanantes e planta apícola (produção de pólen e néctar, planta melífera de interesse econômico para a apicultura).

De acordo com as informações apresentadas, plantas de M. caesalpiniifolia podem gerar condições favoráveis para que Erysiphe diffusa sobreviva na ausência e na presença do hospedeiro principal, servindo como hospedeiro alternativo e fonte de inóculo da praga. Isso mostra a importância do manejo integrado para obtenção de uma produção agrícola sustentável.

Para saber mais: Luz et al. (2019)

Foto: Luz et al. (2019)]

Fonte: Portal Defesa Vegetal.Net

Texto originalmente publicado em:
Portal Defesa Vegetal.Net
Autor: Portal Defesa Vegetal.Net

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