Os preços internos do milho subiram cerca de 6,67% nesta semana e saltaram 0,75% na B3, todos acima do nível psicológico de R$ 80,00. No mercado futuro ultrapassaram os níveis mais altos em que tinham estado até outubro passado. É que os motivos de alta são muitos, afirmam analistas da T&F Consultoria, enquanto os de baixa, são apenas um e fraco.

FATORES DE ALTA

  • Alta do dólar na semana, de 4,4% na primeira semana do ano, a quarta consecutiva de valorização;
  • Alta de Chicago na semana, de 2,53% na semana, passando de $ 484,0 para 496,25/bushel;
  • Aumento da demanda externa de milho: China consultando EUA para novas compras;
  • Aumento da demanda interna para atender crescente demanda chinesa de carne;
  • Pouca disponibilidade brasileira; provável necessidade de importação dos EUA: com a quebra da safra 2020, as importações que normalmente viriam da Argentina podem ser direcionadas para os EUA, encarecendo o preço final.

FATORES DE BAIXA

  • Iminência da entrada da safra de verão nos três estados do Sul. O RS já colheu 8% da sua safra e o PR já tem mais de 1% da sua em maturação, com perspectiva de colheita iminente.

Conclusão

Segundo os analistas da T&F, com estoques de milho insuficientes para chegar até a próxima Safrinha, os preços do milho no Brasil tem ainda um espaço para subir. Até onde, não sabemos, vai depender da demanda de carnes e da reabertura ou não das exportações da Argentina; se elas ocorrerem os preços podem não subir tanto, se elas não ocorrerem os preços podem subir mais porque o milho americano chegaria mais caro no Brasil.

Mas, não nos surpreenderíamos se os preços atingissem algo ao redor de R$ 90,00/saca, eventualmente R$ 95,00 (não vemos nada ainda a R$ 100,00) nos meses entre março e junho de 2021.

RIO GRANDE DO SUL: Preços sobem 2 reais/saca com comprador a R$ 83,00 e vendedor a R$ 85,00

Milho comprador indicando R$ 83,00 interior e vendedor manteve R$ 85,00 interior. As novas altas do dólar e de Chicago voltaram a assustar os grandes compradores, que trataram de adequar os preços para se manterem competitivos. Mesmo com as últimas altas do dólar, o milho paraguaio manteve o seu preço em dólares na Origem e se tornou fortemente competitivo nos dois principais estados consumidores do Sul do Brasil.

Santa Catarina: Milho paraguaio continua competitivo

Os compradores de Santa Catarina subiram suas pedidas para oferecendo R$ 78,00 no Oeste do estado e R$ 77,00 o Meio Oeste, eventualmente até R$ 80,00, contra vendedores ao redor de R$ 82,00 ou mais.

Os compradores estão atentos às fortes oscilações do dólar e de Chicago, que poderá enxugar as disponibilidades internas. Isto deverá manter os preços firmes em 2021 porque o estado é um grande produtor de carnes e as exportações de suínos estão aumentando significativamente.

No Paraná compradores a R$ 80,00/saca com vendedores acima de R$ 83,00

Preço de comprador do milho spot recuperou um real/saca nesta sexta-feira para R$ 78,00 nos Campos Gerais, mas poucas ofertas. Vendedor acima de R$ 83,00/saca. Sem indicação nas fabricas dos Campos Gerais.  Milho futuro continua a R$ 80,00 em Paranaguá para fevereiro/março de 2021. Indicação de R$ 65,00 para março/abril de 2021, posto fábrica.

Indicações para a Safrinha na Ferrovia, em Maringá, entrega Agosto com pagamento 04/09/21 R$ 61,20. No Porto de Paranaguá, milho Safrinha entrega 15/06 a 15/07 com pagamento 30/08/21 R$ 67,70; entrega Agosto com pgto 05/09/21 R$ 68,00.

MATO GROSSO DO SUL: Preços se estabilizaram com a queda da demanda dos estados do Sul

Os preços do milho continuaram inalterados nesta sexta-feira no Mato Grosso do Sul, diante da redução de demanda dos estados do Sul – RS e SC – que começam a colher a sua safra de verão.

O Rio Grande do Sul já colheu 8% do seu potencial produtivo, reduzindo a demanda que tinha no MS. O mesmo acontece com Santa Catarina, que está na iminência de iniciar a colheita em locais estratégicos.

A safra do MS também foi a que apresentou o maior percentual de aumento de volume em 2020, passando de 8,78 MT para 9,43 MT, alta de 7,3%.

MATO GROSSO: Forte pressão de compra, mas vendedor se mostra recuado

Da safra 2020/2020 foram negociadas 30.000 toneladas nesta semana, com retomada de negócios, necessidade de liberar espaço em armazéns para recebimento de soja 2021. Preços de R$ 67 a R$ 70,00/saca. Vendedor da mão para boca apenas para atender necessidade.

Da safra 2021/2021 não houve negócios reportados. Cerca de 60% já está vendido. Mercado travado no momento. Preços para embarque em julho de 2021, com pagamento em 30.08.2021 entre R$ 53,00 e R$ 55,00. Da safra 2022/2022 também não houve negócios reportados; preços para embarque em julho e pagamento em agosto de 2022 entre R$ 47,00 e R$ 52,00.

MINAS GERAIS: Vendedores puxando o mercado para cima, seguindo alta do dólar e de Chicago

Como grande parte da disponibilidade do estado vai para exportação, é natural que os vendedores estejam atentos às cotações de Chicago e do dólar, ambos em boa alta nesta semana. Com isto, os vendedores mineiros agora pedem o mínimo de R$ 80,00/saca, não raro chegando a R$ 83,00-85,00 FOB.

Não vimos relatos de vendas nesta sexta-feira, embora os preços tenham mantido a boa alta do dia anterior.  Minas Gerais foi um dos raros estados onde a produção da safra 2021 tem previsão de aumento, devendo passar de 7,52 milhões de toneladas para 7,70milhões de toneladas, alta de 2,4%.

GOIÁS/BAHIA: Região com maior disponibilidade, negociou 23,7 mil tons nesta semana

Em Goiás, milho da safra 2020 foram negociadas apenas 7.000 toneladas; da safra 2021 foram negociadas 16.700 toneladas e da safra 2022 não foi negociado nada. Os preços ficaram ao redor de R$ 72,00 e R$ 75,00/saca. Na Bahia, o mercado tem rodado ao redor de R$ 68,00 em Luiz Eduardo Magalhães. A previsão de produção de milho na Bahia teve uma quebra de 4,1%, com a expectativa de produção passando de 2,48 MT na safra anterior para 2,37 MT nesta safra.



Fonte: T&F Agroeconômica

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