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Percevejo-marrom: cuidados com o manejo da praga em soja

Uma das principais pragas da cultura da soja, especialmente no Sul do Brasil é o percevejo Euschistus heros popularmente conhecido como percevejo-marrom. Embora não seja considerado o percevejo com a maior capacidade em causar danos à soja (figura 1), o percevejo marrom é uma preocupante praga polífaga, capaz de causar danos tanto quantitativos, como qualitativos, reduzindo a qualidade das sementes, e seus atributos fisiológicos como germinação e vigor.

Figura 1. Danos causados pelos principais percevejos na cultura da soja.

Ainda que possa ocorrer em qualquer estádio do desenvolvimento da soja, principalmente em sistemas de produção cujas culturas de inverno como o trigo antecedem a soja, há um período mais delicado da incidência dessa praga, em que, os danos podem ser significativos caso as devidas medidas de manejo não sejam adotadas.

Trata-se da fase reprodutiva da soja, mais especificamente durante o enchimento dos grãos (R5.1 a R5.3), período em o ataque dos percevejos podem não só causar a redução da massa de grãos, como também o abortamento dos grãos e a redução da qualidade deles. Normalmente, a evolução populacional do percevejo na soja começa em R1 com início da colonização, e o início da reprodução acontece entre R2 e R3 (Embrapa, 2021). Caso não seja devidamente controlada, a densidade populacional da praga vai aumentando até R7, conforme corroborado por Sangiovo & Basso (2021).

Figura 2. Flutuação populacional de percevejos nos diferentes estádios fenológicos da soja, durante todas   as épocas de semeadura.  Frederico Westphalen – RS, Safra 2019/2020.

Fonte: Sangiovo & Basso (2021)

Conforme observado na figura 2, o pico populacional do percevejo-marrom ocorre em R6-R7, entretanto, a partir do estádio fenológico R5.3, já é possível observar níveis populacionais que indicam a necessidade de controle da praga, ainda mais se tratando de um momento crítico para a cultura.

Conforme recomendações de manejo, o nível de ação para o controle do percevejo-marrom é de 1 ou mais percevejos ≥0,5cm por metro linear de soja para a produção de sementes, e de, 2 ou mais percevejos maiores de 0,5 cm por metro linear para a produção de grãos de soja (IRAC-BR).



Conforme orientações do Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas – Brasil, é essencial adotar estratégias que permitam reduzir os riscos de desenvolver novos casos de resistência da praga a inseticidas. Uma dessas estratégias, é segregar o ciclo de colheita em janelas de aplicação. Cada janela de aplicação deve ser o tempo necessário para a praga passar por uma geração (ovo/juvenil a adulto) ou a duração do efeito de uma única aplicação do inseticida usado (o que for mais longo). Além disso, é fundamental rotacionar inseticidas, principalmente com relação aos mecanismos de ação (IRAC-BR).

O IRAC-BR, visando o manejo da resistência do percevejo-marrom em soja, recomenda que os inseticidas com o mesmo modo de ação ou com resistência cruzada não sejam utilizados em janelas adjacentes ou sequenciais. No entanto, o mesmo modo de ação pode ser usado em janelas alternativas (figura 3).

Figura 3. Sugestão de manejo para o controle do percevejo-marrom em soja. Programas de rotação de inseticidas.

Adaptado: FRAC-BR

Em soja, o controle do percevejo-marrom é realizado basicamente por meio da aplicação de inseticidas químicos e/ou biológicos, via pulverização. No caso do controle químico, para aumentar a eficiência de controle, a Embrapa sugere adicionar 0,5% de sal (NaCl) a calda inseticida (500 g/100 L de água), pois essa ação pode incrementar de 10% a 15% a mortalidade dos percevejos na pulverização.

Atualmente, 104 produtos estão cadastrados no Ministério da Agricultura e Pecuária para o controle do percevejo-marrom em soja. Os principais grupos químicos são: Organofosforados, neonicotinóides, piretróides, tetranortriterpenóides e  fenilpirazol, havendo ainda, algumas associações entre eles e outros grupos.

Contudo, além do adequado posicionamento de inseticidas, é imprescindível atentar para o monitoramento da lavoura, seguindo as orientações estabelecidas para isso, e agindo quando atingido o nível de controle da praga.


Veja mais: Ocorrência de pragas comuns na sucessão soja/milho



Referências:

AGROFIT. SISTEMA DE AGROTÓXICOS FITOSSANITÁRIOS. Ministério da Agricultura e Pecuária, 2024. Disponível em: < https://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons >, acesso em: 11/01/2024.

ÁVILA, C. J. ARTIGO – OCORRÊNCIA DE PRAGAS COMUNS NA SUCESSÃO SOJA/MILHO. Embrapa, News, 2024. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/86286227/artigo—ocorrencia-de-pragas-comuns-na-sucessao-sojamilho?p_auth=OXQ1sHVu >, acesso em: 11/01/2024.

EMBRAPA. COMO MANEJAR PERCEVEJOS NA CULTURA DA SOJA. Embrapa, News, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/63509003/como-manejar-percevejos-na-cultura-da-soja#:~:text=O%20percevejo%20verde%2Dpequeno%20%C3%A9,dos%20gr%C3%A3os%20e%20o%20rendimento. >, acesso em: 11/01/2024.

IRAC-BR. MANEJO DA RESISTÊNICA DO PERCEVEJO MARROM A INSETICIDAS. Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas – Brasil. Disponível em: < https://www.irac-br.org/_files/ugd/6c1e70_23289b96aa09446f8e8a4091352aecaf.pdf >, acesso em: 11/01/2024.

SANGIOVO, M. J. R.; BASSO, C. J. ÉPOCA DE SEMEADURA E SUA INFLUÊNICA SOBRE A FLUTUAÇÃO DE PERCEVEJOS NA SOJA. Rev. Terra & Cult., Londrina, v. 37, n. 72, 2021. Disponível em: < http://periodicos.unifil.br/index.php/Revistateste/article/view/1469/1733 >, acesso em: 11/01/2024.

Equipe Mais Soja
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