Em busca de altas produtividades, diversas estratégias de manejo são adotadas ao longo do cultivo da soja, englobando desde o posicionamento adequado de cultivares, a um manejo fitossanitário assertivo da lavoura. No entanto, visando garantir a manutenção da produtividade alcançada, é crucial reduzir as perdas de colheita.
Ainda que colhedoras modernas priorizem um menor nível de perdas, possibilitando um melhor ajuste dos sistemas de corte, alimentação e trilha, níveis de perda de até 1 sc ha-1 (60 kg ha-1) são considerados aceitáveis na colheita da soja (Embrapa, s. d.).
Dentre as principais causas relacionadas as perdas de colheita, destaca-se a velocidade inadequada de trabalho. De acordo com Bandeira (2017), o aumento da velocidade de colheita contribui para o crescimento das perdas. Além da velocidade de deslocamento da colhedora, é importante ressaltar que as maiores perdas de produtividade na colheita da soja ocorrem no sistema de corte e alimentação, e não no sistema de trilha.
Visando minimizar as perdas no sistema de corte e alimentação da colhedora, ajustes como a rotação, a posição do molinete e a velocidade de trabalho podem ser realizados. A velocidade periférica do molinete deve ser um pouco superior à da colhedora e que o mesmo opere com seu eixo central um pouco à frente da barra de corte (de 15 a 30 cm, Figura 1), de modo que os pentes do molinete toquem o terço superior das plantas (Silveira & Conte, 2013).
Figura 1. Sistema de corte e alimentação de colhedoras de grãos.

Com relação a velocidade de colheita, mesmo que colhedoras modernas possibilitem uma maior velocidade de trabalho, as recomendações de manejo para a cultura da soja orientam que a colheita seja realizada a velocidades entre 4,0 e 6,5 Km h-1, ajustando-a a necessidade e topografia do terreno.
Ainda assim, diversos fatores podem atuar de forma isolada ou conjunta refletindo no aumento das perdas de colheita, como por exemplo, o ponto de colheita da soja, o índice de plantas acamadas, vibrações excessivas na barra de corte, sobrecarga do cilindro de trilha, alta porcentagem de grãos quebrados e perdas de grãos pelas peneiras.
Confira abaixo os principais problemas relacionadas as perdas de colheita da soja, causas e possíveis soluções.
Tabela 1. Principais problemas observados na colheita mecanizada de soja, suas possíveis causas e as soluções recomendadas para a diminuição das perdas/desperdícios de grãos e a conservação do equipamento de colheita.

Vale destacar que reduzir as perdas de colheita é uma medida que visa não só a manutenção da produtividade alcançada, como também reduzir as populações de plantas voluntárias de soja, contribuindo indiretamente para o manejo fitossanitário do sistema de produção.
Além de servir como ponte verde para a sobrevivência de pragas e patógenos, pesquisas demonstram que a soja tiguera (voluntária) pode desempenhar papel de planta daninha em culturas sucessoras como o milho safrinha, impactando negativamente a produtividade da lavoura. De acordo com Rizzardi (2020), populações de apenas 4 plantas de soja/m², podem resultar em perdas de produtividade de até 14% no milho. Nesse contexto, reduzir as perdas de colheita é crucial não só para a manutenção da produtividade alcançada de soja, como também para reduzir a matocompetição nas culturas sucessoras.
Figura 2. Efeito de diferentes densidades de soja voluntária na redução da produtividade do milho.

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Referências:
BANDEIRA, G. J. PERDAS NA COLHEITA DA SOJA EM DIFERENTES VELOCIDADES DE DESLOCAMENTO DA COLHEDORA. Universidade Federal da Fronteira Sul, Trabalho de Conclusão de Curso, 2017. Disponível em: < https://rd.uffs.edu.br/bitstream/prefix/1895/1/BANDEIRA.pdf >, acesso em: 13/01/2026.
EMBRAPA. COPO MEDIDOR PARA A DETERMINAÇÃO DA PERDA E DO DESPERDÍCIO DE GRÃOS NA COLHEITA MECANIZADA DE SOJA. Embrapa, Soluções Tecnológicas, s.d. Disponível em: < https://www.embrapa.br/busca-de-solucoes-tecnologicas/-/produto-servico/93/copo-medidor-para-a-determinacao-da-perda-e-do-desperdicio-de-graos-na-colheita-mecanizada-de-soja >, acesso em: 13/01/2026.
FARIA, A. CONTROLE DE MILHO E SOJA TIGUERA. II Seminário Mato-Grossense sobre Manejo da Resistencia. Cuiabá, jul. 2019. Disponível em: <https://b73f4c7b-d632-4353-826f-b62eca2c370a.filesusr.com/ugd/48f515_dba25b8d58fb48ffab6ca47c599bd0d5.pdf>, acesso em: 14/01/2026.
RIZZARDI, M. A. QUAIS OS DANOS DAS PLANTAS VOLUNTÁRIAS DE SOJA NA PRODUTIVIDADE DO MILHO? Up. Herb: Academia das Plantas Daninhas, 2020. Disponível em: < https://www.upherb.com.br/int/quais-os-danos-das-plantas-voluntarias-de-soja-na-produtividade-do-milho#:~:text=Trabalhos%20conduzidos%20por%20Rizzardi%20et,%2D2%20(Tabela%201). >, acesso em: 14/01/2026.
SILVEIRA, J. M.; CONTE, O. DETERMINAÇÃO DE PERDAS NA COLHEITA DE SOJA: COPO MEDIDOR DA EMBRAPA. Embrapa, 2013. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/97495/1/Manual-Copo-Medidor-baixa-completo.pdf >, acesso em: 13/01/2026.





