O desenvolvimento da cultura foi moderado no período, variando conforme a ocorrência das chuvas nas regiões. Nas áreas onde as precipitações atingiram volumes adequados, as perspectivas de produtividade são normais; já nos locais onde o volume foi menor ou nas quais não ocorreram precipitações, a soja apresenta sintomas de déficit hídrico e aponta para redução na produtividade.

As primeiras lavouras começam a ser colhidas. As fases são as seguintes: 8% na fase de desenvolvimento vegetativo, 27% em floração, 58% na fase de enchimento de grãos, 6% maduro, e 1% das lavouras já foi colhido.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, que corresponde a 16,3% da área com soja do Estado, 9% das lavouras estão em fase de desenvolvimento vegetativo, 18% em floração, 66% em enchimento de grãos e 7% na fase de maturação. A cultura evoluiu rápido para o estádio reprodutivo, com a maior parte das lavouras em floração e enchimento de grãos. No período ocorreram altas temperaturas e baixos volumes de chuvas.

Em municípios onde as precipitações foram reduzidas, já se observa morte de plantas nos locais de solo raso ou altamente compactados; nas lavouras em floração, constatou-se grande queda de flores. Em outras lavouras em início de maturação, houve queda acentuada de vagens e folhas baixeiras, reduzindo o potencial produtivo. Já para as lavouras implantadas em setembro e que foram irrigadas, a previsão é de alta produtividade.

As lavouras cultivadas nessa mesma época em sequeiro também apresentam queda no rendimento. Continua baixa a incidência de doenças e lagartas, mas é elevada a infestação de tripes e ácaros. Os produtores fazem o manejo fitossanitário, mas há dificuldades devido às condições climáticas desfavoráveis para a realização da aplicação de fungicidas, com temperaturas acima do ideal e umidade abaixo da recomendada, reduzindo assim o período para execução das operações.

Na região de Santa Rosa, onde há 11,8% da área de soja do Estado, 9% das lavouras implantadas estão na fase de desenvolvimento vegetativo, 36% em floração, 52% em enchimento de grãos, 3% das áreas encontram-se em maturação e 1% foi colhido. As altas
temperaturas verificadas durante a semana, aliadas à falta de chuvas, preocuparam os agricultores, mas o período não se refletiu em perdas significativas. O início da semana foi de alta evapotranspiração para a cultura, que apresentou estresse hídrico nas horas mais quentes do dia, com murchamento das folhas.

A situação melhorou com a volta das chuvas e maior nebulosidade do final da semana. A cultura avança rapidamente para o estágio reprodutivo. Na região das Missões, as precipitações têm sido muito heterogêneas, e o déficit hídrico é maior. Há localidades bem menos favorecidas por chuvas, com maiores perdas, diferenciadas entre diferentes municípios em mesmo em cada município.

Também influencia na produtividade o tipo de solo das lavouras: em solos rasos, as perdas por falta de umidade têm sido bem mais elevadas do que nas lavouras cultivadas em solos profundos (latossolos). O período de plantio e o ciclo da variedade também têm sido determinantes; as lavouras semeadas bem no cedo com variedades precoces apresentam elevado percentual de perdas em relação à expectativa inicial, se comparadas às lavouras semeadas em final de outubro e durante novembro.

Atualmente os serviços de manejo das lavouras se concentram no monitoramento das pragas e doenças e na realização de pulverizações preventivas de fungicidas para ferrugem e inseticidas para tripes, ácaros e percevejos; muitos produtores não puderam realizar as necessárias devido ao tempo seco. No geral, os tratamentos fitossanitários mantêm a boa sanidade das plantas.

Na de Santa Maria, com 16,7% da área de soja do Estado, a maior parte da cultura encontra-se no período reprodutivo, durante o qual a planta é mais exigente em termos de umidade e nutrientes. Há muitas lavouras onde houve problemas de germinação ou morte de plântulas; algumas áreas foram replantadas e outras estão desuniformes, com baixo estande de plantas, afetando negativamente o potencial produtivo das lavouras.

Na de Pelotas, que conta com 6,8% da área de soja do Estado, a cultura está presente em 21 dos 22 municípios que compõem a região administrativa da Emater/RSAscar. As lavouras estão predominantemente nas fases de floração e enchimento dos grãos, que são as mais críticas em relação à falta de água. As precipitações que aconteceram na semana foram novamente esparsas, localizadas e com volumes bastante variados.

Em geral, foram insuficientes para as necessidades da cultura. As perdas de produtividades já acontecem, devendo se intensificar se as precipitações se mantiverem em baixos volumes nas próximas semanas. Na região são estimadas até o momento perdas de 17% na produtividade. Em municípios como Capão do Leão, as perdas já atingiram 45% da produção esperada inicialmente e 40% em Santana da Boa Vista e Pinheiro Machado. Os produtores seguem com os manejos na cultura monitorando percevejos e outras pragas; onde necessário, são aplicados inseticidas para controle.

Não há relatos de ocorrência da ferrugem asiática da soja, e prossegue o monitoramento da doença no coletor de esporos instalado em Capão do Leão. As aplicações de fungicidas estão sendo adiadas ao máximo, ocorrendo com intervalos maiores do que 21 dias.



Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, que corresponde a 13,1% da área de soja no Estado, a área de plantio vem aumentando ano a ano; na safra atual já são  Informativo Conjuntural. Porto Alegre, n. 1594, p. 7, 20 fev. 2020 mais de 750 mil hectares plantados com a cultura, com entrada de áreas novas de plantio em municípios como Quaraí, onde não havia cultivo de soja até então.

A cultura é plantada mais cedo na Fronteira Oeste, onde 2% das áreas já estão maduras. O estádio é reprodutivo em 80% das lavouras (floração e enchimento de grãos) e outros 18% estão em desenvolvimento vegetativo. No restante dos municípios da região, estima-se que 40% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo e 60% em floração e enchimento de grão.

Apesar de esparsa e com pouco volume, a ocorrência de precipitações no final da semana na maior parte dos municípios da região trouxe alívio para os agricultores, pois a estiagem já estava causando perdas na parte sul da região. Os maiores acúmulos foram em São Borja, Itacurubi e Itaqui, na Fronteira; em áreas da região Sul, próximas a Bagé, os volumes foram reduzidos ou sequer houve precipitação.

Em Manoel Viana, as lavouras foram prejudicadas pela falta de chuva e por temperaturas muito altas, principalmente nas áreas mais arenosas; em algumas delas, ocorreu morte de plantas. Em relação ao estado fitossanitário, o registro de doenças é restrito às manchas foliares no terço inferior das plantas; a incidência de lagartas é reduzida, mas há aumento de percevejos. O clima seco favorece a ocorrência de ácaros e tripes. As aplicações de defensivos são realizadas em pequenas janelas de tempo devido à sequência de dias de calor associado a ventos fortes.

Dessecações estão sendo canceladas, considerando que o benefício do controle das ervas daninhas pode ser menor do que o prejuízo causado pela aplicação de defensivos na soja em floração e sob condições climáticas adversas. Alguns produtores realizam aplicações de fungicidas nas lavouras em estágio mais adiantado de desenvolvimento, mas muitos ainda não realizaram a primeira aplicação, aguardando para tal a ocorrência de chuvas.

Na de Passo Fundo, onde a cultura representa 11% da área do Estado, 98% das lavouras estão na fase de enchimento de grãos e 2% estão maduras e por colher. A falta de chuvas nas últimas semanas está prejudicando a cultura, mais afetada nos municípios de Camargo, Casca, Ernestina, Nova Alvorada e São Domingos do Sul. Os produtores continuam realizando a aplicação de fungicidas. A ocorrência de pragas é limitada, com incidência de lagartas, mas abaixo dos níveis de controle. Há relatos de ocorrência de percevejos, predominantemente do percevejo-marrom (Euschistus heros).

Na regional da Emater/RS-Ascar de Soledade, a área de soja corresponde a 7,3% dos cultivos no Estado, e as fases da cultura são as seguintes: 5% em desenvolvimento vegetativo, 34% em floração, 60% em enchimento de grãos e pequenas áreas colhidas. As
lavouras em florescimento, formação de vagens e enchimento de grãos recuperaram altura
e área foliar com as chuvas de janeiro, porém em fevereiro praticamente não choveu e em
muitas lavouras as folhas de baixo começam a cair. Em áreas de lavouras onde o sistema radicular da soja é pouco profundo, as plantas apresentam as folhas murchas, característica de estresse hídrico.

Da área total cultivada na região, não chegam a 1% as lavouras implantadas no cedo com variedades superprecoces e precoces, atingidas pela estiagem nas fases de formação de vagens e enchimento de grãos e tiveram grandes perdas. Por conta disso, muitos agricultores que financiaram as lavouras estão procurando as agências bancárias para acionar o seguro agrícola. O clima na semana novamente não favoreceu o aparecimento de doenças, mas os tratamentos fúngicos continuam sendo realizados de forma preventiva e com intervalos regulares de aplicação. Em relação às pragas, registrou-se novamente a presença pontual das lagartas Spodoptera, da falsa medideira e da lagarta elasmo.

Também foram constatadas baixas infestações de percevejos e, de forma mais geral,de ácaros e tripes; vêm sendo monitoradas e controladas com aplicações de inseticidas. Na de Frederico Westphalen, onde a cultura representa 7% da área de soja implantada no Estado, as lavouras se encontram nas seguintes fases: 8% em desenvolvimento vegetativo, 22% em floração, 52% em enchimento de grãos, 15% em maturação e 3% das lavouras já foram colhidas. As lavouras semeadas em início de outubro representam 20% da região e são as mais adiantadas. A produtividade está entre 30 e 45 sacos por hectare. Nas lavouras semeadas em novembro, o desenvolvimento é bom e a expectativa de redução na produtividade devido ao estresse hídrico é restrita a determinadas áreas. Até o momento, no panorama geral das lavouras da região, estimam-se perdas de 10% na produtividade da cultura.

Quanto ao manejo fitossanitário da cultura, as principais ocorrências são de tripes e ácaros, controlados pelos produtores. Na de Erechim, com 4% da área da cultura no Estado, 5% das lavouras estão na fase de floração, 80% em enchimento de grãos, 13% em maturação e 2% delas já foram colhidas.

O aspecto geral é muito bom, porém, nas primeiras lavouras colhidas, a produtividade ficou
abaixo do esperado; nas variedades precoces houve redução no número de vagens e de grãos por vagem e no peso dos grãos. As perdas nessas lavouras são significativas em relação à expectativa inicial, mas tais áreas representam menos de 10% da área total cultivada na região. A produtividade obtida variou entre 40 e 50 sacos por hectare. Para as cultivares de ciclos normal e nas tardias, a produtividade poderá ficar comprometida caso não ocorram precipitações adequadas nos próximos dias.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, onde há 3,7% da área de soja do Estado, a fase de desenvolvimento predominante é a de enchimento de grãos, algumas áreas estão em floração e outras semeadas mais no cedo com variedades precoces entram em maturação. As lavouras têm bom desenvolvimento, mas o prolongamento da seca, com a semana sem ocorrência de chuvas nos principais municípios produtores, fez com que as lavouras apresentassem sintomas de falta de água e consequente perda de potencial de rendimento.

É baixa a incidência de pragas e doenças; em quase todas as áreas monitoradas ainda não foi necessário fazer uso de inseticidas até o momento. Em relação à ferrugem asiática, não há condições para a instalação da doença, pois o período de molhamento foliar registrado em Vacaria foi inferior a seis horas diárias.

Na de Porto Alegre, que representa 2% da área com soja no RS, com cerca de 150 mil hectares plantados, os principais municípios produtores são Camaquã, Cristal, Tapes,Sentinela do Sul, Barra do Ribeiro, Guaíba, Glorinha, Santo Antônio da Patrulha, Viamão, Capivari do Sul, Palmares do Sul e Mostardas.

Nesta safra houve expansão da cultura na região para áreas de várzea de arroz e em algumas áreas de campo nativo. Das lavouras implantadas, 32% encontram-se em desenvolvimento vegetativo, 38% em floração, 28% em enchimento de grãos e 2% em maturação e por colher. Devido às chuvas registradas nos últimos dias, as lavouras apresentam sinais de retomada no desenvolvimento, embora a expectativa de rendimento continue prejudicada em função do excesso de chuvas em outubro e novembro – que atrasou a semeadura e provocou estande de plantas desuniformes – e em função da estiagem de dezembro e janeiro, que prejudicou o florescimento, a formação de vagens e o enchimento de grãos.

De forma geral, estimam-se perdas de 20% na região. Quanto ao estado fitossanitário, não há presença significativa de pragas e doenças, e os agricultores monitoram as lavouras e realizam controle preventivo de doenças.

Mercado (saca de 60 quilos)

Segundo o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar para a soja comercializada no Estado, a cotação média foi de R$ 78,53/sc., com aumento de 1,47% em relação à da semana anterior.

Na região de Passo Fundo, a soja foi comercializada a R$ 77,00/sc. e na de Santa Rosa, a R$ 74,92; em Caxias do Sul, a R$ 78,00 e na região de Ijuí ao preço médio de R$ 76,46; em Santa Maria, é de R$ 77,43 e na de Porto Alegre, de R$ 80,20. Na região de Bagé, o preço continuou oscilando entre R$ 71,00 e R$ 86,00; em Erechim, entre R$ 79,00 e R$80,50 e na de Soledade, entre R$ 77,00 e R$ 81,00; na região de Frederico Westphalen, a variação foi entre R$ 76,50 e R$ 77,50; na de Pelotas, os preços tiveram ligeira elevação, e o grão é comercializado entre R$ 75,50 e R$ 87,50/sc.



Fonte: Emater/RS

Texto originalmente publicado em:
Informativo Conjuntural n° 1594
Autor: Emater/RS

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