A geada é um fenômeno atmosférico que se constitui da ocorrência de baixas temperaturas, geralmente noturnas, que causam o congelamento da seiva e tecidos das plantas, levando-as à morte integral ou de partes, como folhas, ramos e frutos.


Veja também: Buva sobrevive à geada? O que fazer após a geada?


Existem três fatores principais que causam geadas e, conforme sua origem, ela é classificada em geada de vento frio, geada de radiação e geada de canela.

Geada de vento frio: causada por ventos fortes constantes e com temperaturas muito baixas. Nesse caso, ocorre o ressecamento da superfície, causando a morte especificamente da área atingida.

Geada de radiação: é aquela cuja causa é o resfriamento intenso da superfície. Durante as noites de céu limpo, sem nuvens, sem vento, com baixa umidade e ar frio, ocorre a inversão térmica, onde a temperatura da relva passa a ser mais baixa que a temperatura do ar.

Geada de canela: é originada pelas brisas catabáticas (de cima para baixo), em noites que a temperatura da superfície diminui consideravelmente, levando ao congelamento da seiva no caule das plantas, próximo ao solo. Toda região acima dessa parte atingida morre, ocorrendo a brotação abaixo dessa região. (CAMARGO, O. S. 2015).

Veja, na tabela abaixo, a resistência de algumas culturas a geadas em determinadas fases do seu desenvolvimento.

Tabela 1. Resistência das culturas à geada em diferentes fases de desenvolvimento.

Fonte: ROSENBERG (1983).

Assim, podemos observar que a ocorrência deste fenômeno abrange vários setores da agricultura, além de ser um indicativo para a possibilidade ou não se semeadura e outras atividades de importância.

Contudo, no que diz respeito ao controle de plantas daninhas, muitos agricultores “esperam pela geada” para que a mesma, por si só realize o controle dessas daninhas, mas essa atividade não é agronomicamente recomendada, uma vez que a geada pode não ocorrer no momento certo e algumas plantas daninhas acabam rebrotando com uma agressividade ainda maior após a geada.

Pensando nisso, na terceira temporada do Dicas Mais Soja, Leandro Albrecht, Dr. e pesquisador da UFPR, comentou sobre a relação da geada com as plantas daninhas e as estratégias de manejo que podemos utilizar para o controle das daninhas em situações como essa.



No vídeo, realizado no mês de julho desde ano no oeste do estado do Paraná, no município de Palotina, pode-se observar uma situação após a geada em dois cenários diferentes: com e sem cobertura de solo.

Na parte que estava sem cobertura, as plantas daninhas, principalmente gramíneas foram controladas com a geada, ao passo que a área com aveia implantada não demonstrava nenhum aspecto negativo em função da geada.

Porém, o pesquisador destaca que a área descoberta, assim que tiver uma chuva e as condições favoráveis, novas plantas daninhas irão emergir, diferentemente da área com uma cultura de cobertura, onde haverá palhada, melhorando o controle dessas plantas.

Em relação às plantas daninhas, o pesquisador destaca o problema de controle das plantas de buva na região, onde um ambiente com solo descoberto é extremamente favorável para a emergência e desenvolvimento dessa espécie.



Para o controle da buva, o pesquisador destaca que o melhor manejo para as áreas sem cobertura do solo seria entrar logo após a colheita, no caso do vídeo foi a cultura do milho, e fazer o controle das plantas daninhas o quanto antes possível, utilizando, por exemplo, glifosato + auxínico.

Se caso o auxínico utilizado for o 2,4-D, devem ser tomados alguns cuidados, como por exemplo utilizar também um graminicida, pois em várias áreas tem-se uma composição mista de espécies no banco de sementes, com destaque para a buva e o capim-amargoso.

O graminicida é fundamental para o controle de daninhas como o capim-amargoso, mas não se deve aplicar juntamente com o 2,4-D, pois existe antagonismo entre esses dois herbicidas quando aplicados simultaneamente.

Considerando-se as plantas de buva, a aplicação do graminicida deve ser após a aplicação do auxínico e do glifosato, sendo recomendado fazer essa aplicação cerca de 3 a 5 dias depois, com graminicida + glifosato pensando-se no manejo como um todo e garantindo uma semeadura no limpo.

Para ouvir a conversa do pesquisador com o Mais Soja, assista o vídeo abaixo.



Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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