Por serem pragas de solo de difícil detecção e manejo, os fitonematoides estão atualmente entre os principais problemas fitossanitários da cultura da soja. Os danos causados variam de acordo com a cultura e a espécie do fitonematoide presente na área, enquanto a severidade depende da suscetibilidade da cultivar e da densidade populacional da praga no solo. De modo geral, o sistema radicular é o principal órgão afetado, comprometendo a absorção de água e nutrientes e, consequentemente, o desenvolvimento e a produtividade das plantas.

Quadro 1. Suscetibilidade de algumas plantas componentes dos sistemas de produção de culturas anuais às principais espécies de fitonematoides.
Fonte: Asmus (2025)

Dentre as principais espécies de expressão econômica na soja, destacam-se o nematoide de cistos (NCS), Heterodera glycines, os nematoides de galhas, Meloidogyne spp., o nematoide das lesões radiculares, Pratylenchus brachyurus, o nematoide-reniforme, Rotylenchulyus reniformis e o nematoide da haste verde, Aphelenchoides besseyi (Castro; Meyer; Seixas, 2024).

Com o aumento populacional dos fitonematoides, tem-se a redução da produtividade das culturas agrícolas, fato intensificado pelo monocultivo de espécies agrícolas. Em números gerais, populações do nematoide Pratylenchus brachyurus podem reduzir em média de 12% a 19% da produtividade da soja, dependendo do sistema de cultivo utilizado (Ferreira et al., 2015).

Vale destacar que o potencial destrutivo dos fitonematoides pode variar de acordo com a espécie da praga, suscetibilidade da cultivar e densidade populacional como supracitado. Nesse contexto, identificar as principais espécies infestantes de fitonematoides é essencial para embasar estratégias de manejo, sendo fundamental para tanto, realizar a amostragem dos nematoides.



Quando e como realizar a coleta de amostras?

A amostragem de nematoides ocorre mediante coleta de amostras de solo em ambientes infestados. Contudo, para melhor assertividade e detectação da praga, a amostragem deve ocorrer em período adequado, seguindo algumas orientações técnicas. Na cultura da soja, recomenda-se que a amostragem seja realizada quando a cultura atingir o estádio R1 (uma flor aberta em qualquer nó na haste principal).

Deve-se então coletar amostras de solo e raízes com umidade natural, evitando condições de encharcamento ou ressecamento excessivo. Além disso, não se deve hidratar o solo para coleta e nem adicionar água a amostra. As amostras de solo e raízes devem ser coletadas de 0 a 30 cm de profundidade, na rizosfera, onde há maior concentração de nematoides. Recomenda-se abrir o solo em forma de V para retirar a subamostra e, no caso das raízes, coletar preferencialmente radicelas, ou seja, raízes secundárias e terciárias (abcLab, 2025).

Figura 1. Representação esquemática do procedimento de coleta de amostras para análise de nematoides em áreas agrícolas.
Fonte: (abcLab, 2025)

De acordo com as recomendações técnicas da Fundação ABC, a coleta de amostras deve ser realizada de forma representativa nas áreas com sintomas de fitonematoides, evitando plantas ou raízes fortemente deterioradas. Em áreas com reboleiras, recomenda-se amostrar preferencialmente nas bordas, sobretudo quando os sintomas no interior forem muito severos.

As subamostras devem ser misturadas em um balde para formar uma amostra composta representativa, da qual se deve separar 500 g de solo e cerca de 100 g de raízes para envio ao laboratório. Após a coleta, as amostras devem ser acondicionadas em caixa de isopor e mantidas à sombra, evitando a incidência direta de raios solares, que podem aquecer o material e comprometer a sobrevivência dos nematoides. Caso seja necessário armazená-las em geladeira, não devem ser colocadas no congelador (abcLab, 2025).

Vale destacar que a amostragem de nematoides é determinante para o posicionamento de estratégias de controle, que incluem inclusive o controle químico e a diversificação de culturas no campo, sendo, portanto, uma ferramenta essencial no manejo dos fitonematoides.

Confira o guia completo de amostragem de nematoides clicando aqui!

Referências:

ABCLAB. AMOSTRAGEM DE NETAOIDES. Fundação ABC, 2025. Disponível em: < https://abclaboratorios.com.br/wp-content/uploads/2025/03/nematoides.pdf >, acesso em: 10/03/2026.

ASMUS, G. L. MANEJO DE FITONEMATOIDES: ALÉM DA REDUÇÃO DOS NÍVEIS POPULACIONAIS. Informações Agronômicas Proteção De Plantas, N. 10, 2025. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1178084/1/37778.pdf >, acesso em: 10/03/2026.

CASTRO, J. M. C.; MEYER, M. C.; SEIXAS, C. D. S. PRINCIPAIS NEMATOIDES EM ÁREAS PRODUTORAS DE SOJA NO BRASIL. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 202, 2024. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1164703/1/Circ-Tec-202.pdf >, acesso em: 10/03/2026.

FERRARI, E. et. al. POPULAÇÃO DE Pratylenchus brachyurus NO CULTIVO DE SOJA SOBRE SOJA E SUA INFLUÊNCIA NA PRODUTIVIDADE DE GRÃOS. Resumos da IV Jornada Científica da Embrapa Agrossilvipastoril, 2015. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/142828/1/pages11-15.pdf >, acesso em: 10/03/2026.

Foto de capa: Cristiano Bellé.

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