A adubação nitrogenada é uma das principais práticas de manejo da cultura do milho, pois visa suprir a demanda de nitrogênio (N) das plantas e contribuir para o alcance de elevadas produtividades. Entretanto, a dose de fertilizante nitrogenado a ser utilizada deve ser ajustada de acordo com fatores como o sistema de produção, a cultura antecessora, a expectativa de produtividade e a capacidade de resposta do híbrido cultivado.
Sendo assim, definir o período de aplicação do fertilizante bem como a necessidade de fracionar ou não a adubação é crucial para assegurar a manutenção do potencial produtivo do milho e potencializar a formação dos componentes de produtividade. No sistema plantio direto, recomenda-se aplicar entre 20 e 40 kg/ha de N na semeadura, quando esta for feita sobre resíduos de gramíneas, e entre 10 e 20 kg/ha de N, quando a semeadura for sobre resíduos de leguminosas (Eicholz et al., 2024). Quando a adubação em cobertura for realizada em dose única na pós-emergência do milho, recomenda-se que a aplicação dos fertilizantes nitrogenados ocorra entre os estádios de três a cinco folhas (V3 a V6).
Quando fracionar a adubação nitrogenada no milho?
O fracionamento da adubação nitrogenada é recomendado quando a dose do nutriente a aplicar é elevada, podendo-se aplicar 50% da dose quando as plantas estiverem nos estádios fenológicos V4 a V6 e os 50% restantes, nos estádios V8 a V9 (Eicholz et al., 2024). O fracionamento da adubação nitrogenada no milho deve ser realizado quando a dose a ser aplicada de nitrogênio na cultura for maior que 120 kg/ha, e/ou em solos de textura arenosa ou áreas sujeitas a chuva de alta intensidade (Cruz et al., 2011).
Por que fracionar a adubação nitrogenada de cobertura?
Embora exija uma operação agrícola adicional, o parcelamento da adubação nitrogenada no milho busca reduzir as perdas de nitrogênio por lixiviação e aumentar o aproveitamento do nutriente pelas plantas, disponibilizando-o em períodos estratégicos para a formação dos componentes de produtividade da cultura.
Durante os estádios vegetativos iniciais, o milho passa por etapas decisivas para a definição do potencial produtivo. Em V3, ocorre a formação das estruturas que darão origem às folhas e espigas, influenciando o número potencial de grãos (Magalhães & Durães, 2006). Em V4, o desenvolvimento foliar torna a fase estratégica para o manejo da adubação nitrogenada, enquanto em V6 começa a definição do número de fileiras por espiga. Entre V8 e V10, ocorre a diferenciação dos óvulos e, após V10, intensificam-se o crescimento, o acúmulo de nutrientes e a formação de massa seca, preparando a planta para a fase reprodutiva (Ribeiro et al., 2020).
Figura 1. À esquerda, planta de milho em estádio de seis folhas completamente desenvolvidas. À direita, planta no estádio V6, mostrando o ponto de crescimento acima da superfície do solo. Imagem com qualidade otimizada pelo uso de IA.

Sendo assim, o fracionamento da adubação nitrogenada, nas fases supracitadas, especialmente se tratando de altas doses de N, contribui não só para reduzir as perdas do nutriente no sistema de produção, como também para otimizar a formação de componentes de produtividade do milho, e aumentar o rendimento da cultura.
Referências:
CRUZ, J. C. et al. BOAS PRÁTICAS AGRÍCOLAS: MILHO. Embrapa Milho e Sorgo, Documentos, n. 119, 2011. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/908225/1/doc119.pdf >, acesso em: 16/10/2026.
EICHOLZ, E. D. et al. INFORMAÇÕES TÉCNICAS PARA O CULTIVO DE MILHO E SORGO NA REGIÃO SUBTROPICAL DO BRASIL: SAFRAS 2023/24 E 2024/25. Associação Brasileira de Milho e Sorgo: MISOSUL, Reunião Técnica Sul-Brasileira de Pesquisa de Milho e Sorgo, 2024. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1168111/1/Reuniao-tecnica-sul-brasileira-de-pesquisa-de-milho-e-sorgo-Eberson-Diedrich-Eicholz.pdf >, acesso em: 16/10/226.
MAGALHÃES, P. C.; DURÃES, F. O. M. FISIOLOGIA DA PRODUÇÃO DE MILHO. Embrapa, Circular Técnica, n. 76, 2006. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/CNPMS/19620/1/Circ_76.pdf >, acesso em: 16/10/2026.
RIBEIRO, B. S. M. R. et al. ECOFISIOLOGIA DO MILHO: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 1, 2020.





