Ao longo do ciclo de desenvolvimento das culturas agrícolas, diversos fatores podem influenciar o crescimento, o desenvolvimento, a produtividade e a qualidade da produção, contribuindo tanto para o aumento quanto para a redução dessas variáveis. Além da influência de fatores abióticos, fatores bióticos, como a ocorrência de pragas e doenças, podem impactar diretamente o rendimento das plantas e a qualidade dos grãos, tornando necessário um manejo mais criterioso e consistente para preservar o potencial produtivo da lavoura.

Dependendo da espécie da praga, do período de convivência com a cultura e do estádio de desenvolvimento das plantas, perdas expressivas de produtividade podem ser observadas. Lagartas como a Spodoptera frugiperda, assim como a lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis) e a falsa-medideira (Chrysodeixis includens), estão cada vez mais presentes em áreas de cultivo de soja, especialmente em sistemas de produção que contemplam a sucessão soja-milho e milho-soja.

O período de maior sensibilidade da soja ao ataque dessas lagartas pode variar de acordo com a espécie da praga, podendo se estender do estabelecimento da lavoura até o final do período reprodutivo, com maior intensidade dos danos quando os ataques ocorrem durante o enchimento de grãos (Durli et al., 2020). Embora a soja apresente elevada capacidade de compensação aos danos, característica relacionada à sua plasticidade, a resposta à desfolha pode variar de acordo com a cultivar e o estádio de desenvolvimento das plantas.

De modo geral, a soja apresenta maior tolerância à desfolha durante a fase vegetativa (Figura 1). No entanto, conforme observado por Lacerda et al. (2024), cultivares mais sensíveis podem apresentar redução da produtividade em resposta à desfolha, mesmo quando o dano ocorre durante a fase vegetativa da cultura. É, contudo, durante a fase reprodutiva que os danos à área foliar tendem a resultar nas maiores perdas de produtividade, especialmente quando a desfolha ocorre em períodos críticos para a formação e o enchimento dos grãos.

Figura 1. Dano causado por lagartas em soja, durante a fase vegetativa da cultura. Fonte: NORTOX.

Quantificando os impactos da desfolha sobre a produtividade da soja, Durli et al. (2020) observaram que níveis de desfolha superiores a 16,6% durante o período reprodutivo já podem resultar em perdas substanciais de produtividade. Os resultados evidenciam a importância da manutenção da área foliar durante essa fase, especialmente por sua contribuição para a interceptação da radiação solar e a produção de fotoassimilados necessários à formação e ao enchimento dos grãos.

Figura 2. A – Rendimento de grãos por planta de cultivares de soja sob diferentes níveis de desfolha em R3. Cultivares avaliadas: BMX Veloz (GMR 5.0, hábito de crescimento indeterminado), NA 5909 (GMR 5.9, hábito de crescimento indeterminado) e TMG 7262 (GMR 6.2, hábito de crescimento semideterminado). B – Controle; 16,6% de desfolha; 33,3% de desfolha; 50% de desfolha e 66,6% de desfolha. As barras verticais indicam a média ± erro padrão do tratamento Adaptado: Durli et al. (2020). Imagem com qualidade otimizado com o uso de IA.

Na cultura do milho, além dos danos decorrentes da redução da área foliar, a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), pode causar danos diretos às estruturas reprodutivas e aos grãos em formação, comprometendo o rendimento e a qualidade da produção. Dependendo da intensidade da infestação e do período de ocorrência da praga, as perdas de produtividade podem chegar a 60% (Rossato et al., 2020).

Figura 3. Lagarta Spodoptera frugiperda atacando espiga de milho. Fonte: NORTOX.

A ocorrência da lagarta tende a ser ainda mais relevante em sistemas de produção nos quais o milho sucede a soja, especialmente quando há falhas no controle da praga ao final do ciclo da cultura antecessora. Em função do hábito alimentar, as lagartas alojam-se preferencialmente no cartucho das plantas, o que pode dificultar o controle à medida que a cultura avança para os estádios mais desenvolvidos. Dessa forma, o monitoramento da lavoura e a adoção de medidas de controle no momento adequado são fundamentais para evitar a evolução das infestações e a intensificação dos danos.

Para o manejo da lagarta-do-cartucho na cultura do milho, recomenda-se a aplicação de inseticidas quando 10% das plantas apresentarem folhas do cartucho com pequenas lesões circulares e algumas pequenas lesões alongadas, em formato de retângulo, de até 1,3 cm de comprimento (Oliveira et al., 2024). Na cultura da soja, por sua vez, os níveis de controle variam de acordo com a espécie da lagarta e com a fase de desenvolvimento da cultura.

Para a lagarta-falsa-medideira, a lagarta-da-soja e as lagarta-do-cartucho do milho, recomenda-se a adoção de medidas de controle quando a desfolha atingir 30% durante a fase vegetativa e 15% durante a fase reprodutiva da cultura (Roggia et al., 2020). Contudo, conforme mencionado anteriormente, a resposta à desfolha pode variar entre cultivares, reforçando a importância do monitoramento criterioso da lavoura e da consideração das características específicas de cada situação.

Sobretudo no manejo de pragas de difícil controle, como as lagartas, o sucesso do manejo fitossanitário não depende exclusivamente do momento de aplicação dos inseticidas. A escolha e o posicionamento adequado dos produtos são igualmente importantes para garantir maior eficiência de controle. Esse cuidado é particularmente relevante em sistemas agrícolas intensivos, nos quais diferentes culturas hospedeiras podem ser cultivadas em sucessão, favorecendo a permanência e a multiplicação das populações de pragas.

Nesse contexto, o uso de inseticidas de amplo espectro e elevada eficácia pode contribuir para o manejo de diferentes espécies de lagartas presentes nas culturas agrícolas. Pensando nisso, a NORTOX desenvolveu o TEMPUS NORTOX, um inseticida de amplo espectro e alta performance, que combina dois ingredientes ativos em sua formulação, proporcionando ação rápida sobre as lagartas que acometem as culturas da soja, milho, milheto e sorgo, além da broca-da-cana (Diatraea saccharalis), uma das principais pragas da cultura da cana-de-açúcar.

Além da eficácia no controle das lagartas, o amplo espectro de ação do TEMPUS NORTOX, associado à rapidez de efeito do inseticida, contribui para reduzir os danos ocasionados pelas pragas, interrompendo rapidamente a alimentação delas. Essas características tornam o TEMPUS NORTOX uma ferramenta versátil e precisa para integrar programas de manejo fitossanitário em diferentes culturas, ampliando suas possibilidades de utilização nos sistemas de produção agrícola, especialmente em ambientes intensivos, nos quais mais de uma safra de verão é cultivada na mesma área.

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Referências:

DURLI, M. M., et al. NÍVEIS DE DESFOLHA NAS FASES VEGETATIVA E REPRODUTIVA DE CULTIVARES DE SOJA COM DIFERENTES GRUPOS DE MATURAÇÃO RELATIVA. Rev. Caatinga, Mossoró, v. 33, n. 2, pág. 402-411, abr.- junho de 2020. Disponível em: < https://periodicos.ufersa.edu.br/index.php/caatinga/article/view/8999/10209 >, acesso em: 05/10/2026.

LACERDA, K. L. et al. PRODUTIVIDADE DA SOJA COM DESFOLHA ARTIFICIAL EM DIFERENTES ESTÁDIOS FENOLÓGICOS. PEER REVIEW, 2024. Disponível em: < https://peerw.org/index.php/journals/article/view/1753/1024 >, acesso em: 05/10/2026.

OLIVEIRA, I. R. et al. MONITORAMENTO E MANEJO DE PRAGAS NA FASE AGRÍCOLA DO SISTEMA INTEGRAÇÃO LAVOURA-PACUÁRIA. Embrapa, Quinze anos de integração lavoura-pecuária e dez anos de integração lavoura-pecuária-floresta na Embrapa Milho e Sorgo. Cap. 8., 2024. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/handle/doc/1167572 >, acesso em: 05/10/2026.

ROGGIA, S. et al. MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS. Embrapa, Tecnologias de Produção de Soja, Sistemas de Produção, n. 17, cap. 9, 2020. Disponível em:< https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/223209/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 05/10/2026.

Redação: Equipe Mais Soja.

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