Santa Catarina encerrou 2025 com resultado recorde nas exportações, que cresceram 4,4% no ano e totalizaram receita de US$ 12,2 bilhões, mesmo em um cenário desafiador marcado pelo tarifaço dos Estados Unidos e pela barreira sanitária da China.
De acordo com o Observatório da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), o tarifaço norte-americano reduziu em 15,7% as exportações aos EUA, representando perda de cerca de US$ 275 milhões. Já a restrição chinesa decorrente do caso de gripe aviária no Rio Grande do Sul provocou uma queda de 6,74% nas vendas à China, com impacto de US$ 87 milhões.
Apesar disso, o aumento das vendas a outros mercados compensou amplamente as perdas, assegurando o melhor desempenho da história catarinense no comércio exterior.
“Mesmo num ambiente bastante adverso, Santa Catarina obteve recorde nas exportações. Isso é explicado pela diversificação de destinos, com aumento significativo de vendas para a União Europeia, que inclusive passou a ser o segundo principal mercado de exportação do estado, superando a China em dezembro. Outro fator importante é a recuperação da economia da Argentina, que é fortemente integrada com a catarinense, permitindo o retorno das exportações de diversos produtos”, explica Pablo Bittencourt, economista-chefe da Fiesc.
Setor agropecuário segue liderando a balança comercial
A balança comercial catarinense continuou sendo liderada pelos produtos do agronegócio.
O principal item exportado em 2025 foi a carne de ave, que registrou faturamento externo de US$ 2,3 bilhões, um crescimento de 7,7% no ano. O bom desempenho foi sustentado pela diversificação de mercados, que compensou as restrições impostas pela China. Santa Catarina aumentou suas vendas para Arábia Saudita, outros países do Oriente Médio, Coreia do Sul, Chile e Reino Unido.
Em segundo lugar, destacou-se a carne suína, com alta de 9% e receita de US$ 1,7 bilhão, impulsionada principalmente pelas vendas ao México e ao Japão.
A soja manteve resultado estável, com leve alta de 1% e receita de US$ 660 milhões.
Câmbio favoreceu desempenho das exportações
Além da diversificação de mercados e produtos, o resultado positivo da balança comercial catarinense foi favorecido pelo comportamento do câmbio.
Segundo o economista Pablo Bittencourt, “a taxa de câmbio do Brasil está um pouco desvalorizada frente aos fundamentos do comércio internacional, o que contribuiu para aumentar a competitividade das exportações catarinenses”.
Importações registram leve alta
As importações de Santa Catarina em 2025 tiveram alta modesta de 0,7% em relação a 2024.
Entre os principais produtos importados, segundo o Observatório Fiesc, estão:
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Cobre refinado (-9,4%)
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Partes e acessórios para veículos (+12,9%)
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Polímeros de etileno (-15%)
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Pneus de borracha (-16,2%)
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Fertilizantes nitrogenados (+37,2%)
O desempenho confirma a resiliência e a capacidade de adaptação da indústria e do agronegócio catarinense, que mesmo diante de barreiras comerciais e desafios climáticos, encerram o ano com recorde histórico nas exportações e perspectivas positivas para 2026.
Fonte: Gazeta do povo, disponível em Fecoagro




