Aviação agrícola brasileira é a segunda maior do mundo, com cerca de 2,2 mil aeronaves e cresceu 3,74% em 2018, mais do que o dobro do ano anterior

A cada ano, o Brasil voa mais na lavoura, literalmente. Acorda antes do sol raiar, desloca equipes de solo e aeronaves para centenas de pistas no interior do País ou parte em voos das bases de empresas aeroagrícolas ou de fazendas que têm seus próprios aviões. Pilotos chegam a fazer mais de 50 pousos e decolagens em um único dia, carregando e aplicando produtos ou fertilizantes sobre plantações, ou ainda semeando pastagens e outras culturas. Técnicos especializados acompanham o trabalho em solo e agrônomos coordenam cada operação, assinando relatórios detalhados que são enviados mensalmente ao Ministério da Agricultura. Rotina diária em uma força aérea altamente tecnificada e especializada. No Brasil, a segunda maior frota do mundo, que cresceu 3,74% em 2018.

Segundo o relatório do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), o setor incorporou 74 aviões e cinco helicópteros no ano passado, iniciando 2019 com 2.194 aeronaves. Ritmo semelhante teve o incremento no número de empresas aeroagrícolas, que passaram de 244 em 2017 para 253 em 2018 (aumento de 3,7%), e de operadores privados (agricultores ou cooperativas que têm suas próprias aeronaves), que eram 565 em 2017 e chegaram a 585 no ano passado (+ 3,5%). Os dados fazem parte do levantamento anual feito pelo agrônomo e consultor Eduardo Cordeiro de Araújo, divulgado no início de 2019.

Ainda segundo o levantamento, a frota nacional é dividida entre 253 empresas aeroagrícolas (1.461 aeronaves ou 66,59% do total) e 585 operadores privados (produtores rurais ou cooperativas que têm seus próprios aviões), que operam 709 aeronaves (32,32%). Entre os 23 Estados com aviação agrícola, Mato Grosso segue liderando o ranking, com 494 aeronaves agrícolas. A segunda maior frota estadual está no Rio Grande do Sul, com 427 aviões. Depois, vêm São Paulo, com 317 aeronaves, Goiás (287), Paraná (134) e o restante da lista.

CRESCIMENTO NA CARONA DA PRODUTIVIDADE

De um modo geral, o incremento na frota aeroagrícola no País foi mais do que o dobro do 1,53% de aumento (32 aeronaves) em 2017. O que pode significar o ensaio de uma retomada para índices como o de 2014, que havia sido de 4,25% – de lá para cá, o crescimento anual ficou no máximo na casa dos 2%. De qualquer maneira, pelo menos desde 2008, quando Araújo começou a avaliar os números anuais da frota, o setor nunca teve um ano negativo.

“A própria ministra Tereza Cristina (da Agricultura), já declarou que o Brasil deve a uma safra de grãos deve pular dos atuais 240 milhões para 300 milhões de toneladas na próxima década, destaca o presidente do Sindag, Thiago Magalhães. “Um dos principais trunfos da aviação é conseguir aumento de produtividade, ou seja, maior produção sem precisar avançar a fronteira agrícola, que que se traduz em preservação ambiental”, completa.

“Um dos principais trunfos da aviação é conseguir aumento de produtividade, ou seja, maior produção sem precisar avançar a fronteira agrícola, que que se traduz em preservação ambiental”

No horizonte próximo, o raciocínio de busca tecnologias e profissionalização para otimizar os resultados no campo ganha fôlego a partir dos dados do PIB do Agronegócio Brasileiro (janeiro a novembro de 2018) divulgados também em fevereiro pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Com um PIB-Volume de apenas 1,89% em 11 meses e um PIB-Renda negativo em 0,65% no período, a ordem é otimizar recursos e estrutura. Com isso, o plano do Sindag em 2019 é incentivar a terceirização por parte do produtor, destacando vantagens como evitar custos de manutenção e pessoal somados à imobilização de patrimônio na entressafra em cada propriedade.

Além da capacitação constante de pessoal e aperfeiçoamento tecnológico promovidos pelas empresas, dentro dos programas de melhoria contínua do Sindag – também se traduzindo em segurança operacional e ambiental. “Para aquele empresário que estiver organizado, documentação em dia e empresa com um bom processo de gestão será um ano excelente para crescer”, arremata o diretor-executivo do sindicato aeroagrícola, Gabriel Colle.

FABRICANTES

Entre os fabricantes de aeronaves presentes nos campos, a brasileira Embraer continua dominando quase 60% do mercado nacional, com suas variantes do modelo Ipanema. Trata-se de projeto dos anos 70, de um avião com motor convencional (a pistão), que em 2015 lançou sua sétima geração (Ipanema 203) e desde 2004 sai de fábrica movido a etanol (Ipanema 202 A). Os motores a pistão representam 83,36% da frota aeroagrícola brasileira, com grande participação também de modelos norte-americanos.

Porém, entre os 45 modelos de aeronaves que compõem a aviação agrícola nacional, ressalte-se a entrada cada vez maior dos aviões turboélices, de fabricação estrangeira e novos – especialmente os norte-americanos. Mais potentes e com maior capacidade de carga, eles já são 16,64% da frota brasileira e representaram 57 das 79 aeronaves acrescentadas na frota em 2018. O motivo principal seria a maior produtividade dos aviões grandes em áreas maiores – mais rapidez e carga por voo = menos pousos e decolagens para atender grandes extensões, por exemplo.

A título de comparativo, enquanto a frota aeroagrícola total cresceu 51,6% nos últimos 10 anos, a parcela de turboélices aumentou quase o mesmo percentual na metade desse tempo. Nesse segmento, liderada pela texana Air Tractor, maior fabricante mundial de aviões agrícolas e que ocupa 16,18% do mercado brasileiro – segunda no ranking das 14 indústrias presentes entre os operadores do País.

Texto originalmente publicado em:
SINDAG
Autor: SINDAG

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