A cultura da soja manifesta heterogeneidade de desenvolvimento no Estado, em função da irregularidade espacial e temporal das precipitações, associada às temperaturas elevadas. Observam-se lavouras com adequado crescimento vegetativo e alto potencial produtivo, contrastando com áreas sob estresse hídrico, inclusive dentro de uma mesma região ou até no mesmo município.
A maior parte das lavouras se encontra em fases de elevada exigência hídrica —floração (46%) e formação de vagens e enchimento de grãos (27%) —, o que amplia a sensibilidade à redução da umidade do solo. As áreas de várzea, de solos mais profundos ou com boa cobertura de palhada mantêm melhores condições hídricas e térmicas, refletindo em maior uniformidade e potencial produtivo. Em áreas de solos rasos, compactados ou de menor capacidade de armazenamento de água, os sintomas de estresse são mais evidentes, como murcha temporária, queda de flores e abortamento de vagens.
O manejo fitossanitário segue concentrado, sobretudo, em aplicações preventivas e curativas de fungicidas, diante da pressão de doenças fúngicas, especialmente ferrugem asiática, já detectada em diferentes regiões do Estado.
Para a Safra 2025/2026 no Rio Grande do Sul, a projeção da Emater/RS-Ascar indica o cultivo de 6.742.236 hectares e produtividade média de 3.180 kg/h Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, a irregularidade das chuvas intensificou o déficit hídrico em alguns municípios, como em Rosário do Sul, São Borja, Maçambará e Itacurubi, inclusive em áreas que registraram precipitações pontuais.
As lavouras em coxilhas e solos rasos ou arenosos apresentam estresse mais acentuado, agravado por limitações químicas e físicas do solo, que restringem o aprofundamento radicular. Em parte dos cultivos em fase reprodutiva, já se registra redução de potencial produtivo, mas de forma localizada. Já em áreas de várzea e em lavouras com boa cobertura de palhada, o potencial está elevado. Na região da Campanha, há diferenças consideráveis no desenvolvimento e o potencial produtivo das lavouras. Após o último evento de chuva uniforme, em 09/01, a combinação de ventos e altas temperaturas reduziu a umidade do solo, causando murcha temporária em reboleiras. Em Hulha Negra, as áreas semeadas após a colheita de coentro no final de dezembro e início de janeiro apresentam desenvolvimento expressivo.
No entanto, em função do tempo mais seco, há ocorrência de ácaros em reboleiras. Os produtores também seguem atentos ao manejo de doenças, considerando a formação frequente de orvalho e o risco de infecção por ferrugem. Na de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, a segunda quinzena de janeiro foi marcada por chuvas abaixo do ideal e de distribuição muito irregular. As lavouras apresentam sintomas de deficiência hídrica, como murchamento foliar e abortamento de flores e vagens, o que pode comprometer significativamente o rendimento de grãos, caso não chova de forma significativa.
Na de Erechim, 70% da área cultivada se encontra em floração e enchimento de grãos, e o restante em desenvolvimento vegetativo. Em áreas sobre solos mais rasos, especialmente aquelas em enchimento de grãos, são observados sintomas de estresse hídrico. Na de Frederico Westphalen, 10% da área está em desenvolvimento vegetativo, 65% em floração e 25% em enchimento de grãos. Após o desenvolvimento inicial favorecido por boa disponibilidade de umidade nos solos, as lavouras passam a sentir os efeitos da redução das precipitações. São realizadas aplicações preventivas de fungicidas, mas não há registro, até o momento, de doenças com severidade elevada.
Na de Ijuí, 20% estão em desenvolvimento vegetativo, 48% em floração e 32% em granação. Em grande parte da região, a baixa ocorrência de chuvas já impõe restrições ao potencial produtivo. As áreas beneficiadas por precipitações periódicas mantêm bom desenvolvimento, o que favorece a fecundação e a formação inicial dos grãos. O controle preventivo de doenças continua intenso após a ocorrência de chuvas localizadas.
Na de Passo Fundo, as lavouras se distribuem entre desenvolvimento vegetativo (20%) e floração/formação de vagens (80%). As chuvas do período proporcionaram boas condições de umidade e temperatura, sustentando o potencial produtivo, o qual ainda depende de novas precipitações para sua manutenção.
Na de Pelotas, 68% da área está em desenvolvimento vegetativo, 28% em floração e 4% em enchimento de grãos. O desenvolvimento está, em geral, compatível com o período. Porém, observa-se murcha temporária das plantas em locais com menor disponibilidade hídrica, especialmente durante os períodos de maior radiação e temperatura. Na de Santa Maria, as lavouras apresentam emergência e estande satisfatórios, além de crescimento vegetativo vigoroso como reflexo das chuvas bem distribuídas em dezembro.
Aproximadamente metade da área já se encontra em fase reprodutiva, mais sensível à deficiência hídrica. Em algumas localidades, a ausência de chuvas no período já compromete o potencial produtivo de forma pontual.
Na de Santa Rosa, 98% foram semeados; desses 41% estão em desenvolvimento vegetativo, 48% em floração e 11% em enchimento de grãos. O atraso na colheita do milho retardou a implantação de parte dos cultivos de soja, que enfrentaram condições de calor intenso e chuvas irregulares, resultando em germinação desuniforme e necessidade de replantio em áreas específicas. As lavouras mais adiantadas apresentam estresse hídrico e térmico, como queda prematura de folhas do baixeiro em solos de menor retenção de água.
Em áreas sobre resteva de milho, o estresse hídrico está menos evidente, mas há registro de altas populações de lagartas, exigindo controle químico. Em áreas irrigadas, as cultivares precoces já iniciam a formação de legumes, elevando a demanda hídrica, e há suspeita de ocorrência de ferrugem-asiática.
Na de Soledade, após cerca de 10 dias sem precipitações, ocorreram chuvas nos dias 28 e 29/01, em volumes variáveis e, em muitos locais, pouco expressivos. Antes do evento, eram evidentes os sintomas de estresse hídrico, sobretudo em solos rasos ou compactados. A maior parte da área se encontra em fase reprodutiva, e são necessárias chuvas regulares para a manutenção do potencial produtivo. O manejo fitossanitário foi intensificado com aplicações preventivas e curativas de fungicidas. Há registros de percevejos e vaquinhas, com maior preocupação com incidência de percevejo na fase de formação dos grãos, fase onde a cultura é mais sensível ao inseto praga.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, reduziu 2,47 %, quando comparado à semana anterior, passando de R$ 121,22 para R$ 118,23.
Fonte: Emater/RS




