A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é o principal vetor da transmissão dos enfezamentos para o milho, e, portanto, o controle dessa praga é de suma importância para a manutenção do potencial produtivo da cultura. Sabe-se que dependendo da suscetibilidade do híbrido e período de desenvolvimento do milho em que ocorre a infecção dos enfezamentos, perdas de produtividade de até 70% podem ser observadas (Cota et al., 2021).

A capacidade de transmissão dos enfezamentos está relacionada a quantidade de cigarrinhas infectadas, e não a necessariamente a densidade populacional da praga, o que dificulta a definição de um nível de ação, dada a dificuldade de identificar indivíduos infectados. Nesse contexto, a presença da cigarrinha durante a fase crítica do desenvolvimento do milho justifica o controle da praga, principalmente em áreas com histórico de ocorrência dos enfezamentos, e/ou áreas próximas a outras lavouras de milho mais adiantadas.

O período crítico para o controle da praga varia de VE a V5, podendo se estender a V8 para híbridos mais suscetíveis. Sobretudo, as recomendações de manejo, sugerem que o controle da cigarrinha-do-milho deve ocorrer até os 40 dias após a emergência. Após esse período, não são observadas vantagens em função do controle do vetor (Cota et al., 2021).

Figura 1. Período Crítico de controle da cigarrinha-do-milho.

Considerando a importância do controle da cigarrinha-do-milho nos estádios iniciais de desenvolvimento da cultura, o tratamento de sementes com inseticidas é uma das estratégias que podem integrar o manejo da praga. Essa prática proporciona proteção inicial às plantas, contribuindo para o estabelecimento da lavoura e para a redução dos danos associados à transmissão dos enfezamentos. Além disso, o tratamento de sementes pode ampliar a janela de proteção inicial da cultura, favorecendo o planejamento e o posicionamento das aplicações foliares subsequentes.

O tratamento de sementes deve ser realizado com inseticidas registrados e específicos para essa finalidade. De ação sistêmica, esses produtos são liberados no solo após a semeadura, sendo absorvidos pelas raízes durante o desenvolvimento inicial da planta e posteriormente translocados pelo sistema vascular para diferentes tecidos, incluindo raízes, colmo e folhas, proporcionando proteção inicial contra insetos.

Conforme destacado por Maneira (2021), o tratamento de sementes de milho com inseticidas, especialmente aqueles pertencentes ao grupo dos neonicotinoides, pode contribuir para a proteção inicial da cultura contra a cigarrinha-do-milho, com destaque para a eficiência e o efeito residual do imidacloprido. Entre os principais grupos químicos com produtos registrados no MAPA para o controle de Dalbulus maidis na cultura do milho estão carbamatos, piretróides e neonicotinóides, devendo-se observar, para cada produto, a indicação de cultura, alvo biológico e modalidade de aplicação constante no registro.

Além da escolha de um inseticida eficiente para o tratamento de sementes do milho, é importante considerar que o período de proteção proporcionado por essa modalidade de aplicação é limitado e pode variar conforme o produto, as condições ambientais e a pressão da praga. De modo geral, para fins de manejo, considera-se que o efeito residual dos inseticidas aplicados via tratamento de sementes se estende, em média, por 10 a 15 dias após a emergência da cultura. A partir desse período, aplicações de inseticidas em pós-emergência podem ser necessárias para manter a proteção das plantas, especialmente sob elevada pressão da cigarrinha-do-milho.

Em situações de alta infestação, a rápida capacidade de multiplicação e o curto ciclo de desenvolvimento da cigarrinha-do-milho exigem maior atenção ao monitoramento e ao intervalo entre aplicações. Nesses casos, as pulverizações podem ser realizadas em intervalos de 5 a 7 dias, conforme a ocorrência da praga, a eficiência e o residual do inseticida utilizado e as condições da lavoura. Embora apresente período de proteção limitado, o tratamento de sementes constitui uma importante ferramenta para o manejo inicial da cigarrinha-do-milho, contribuindo para a proteção das plantas nos primeiros estádios de desenvolvimento e para a redução dos riscos associados à transmissão dos enfezamentos.


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Referências:

COTA, L. V. et al. MANEJO DA CIGARRINHA E ENFEZAMENTOS NA CULTURA DO MKILHO. Embrapa milho e Sorgo, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1130346/manejo-da-cigarrinha-e-enfezamentos-na-cultura-do-milho >, acesso em: 14/09/2026.

MANEIRA, R. FERRAMENTAS PARA O CONTROLE DA CIGARRINHA-DO-MILHO. Informativo Técnico Nortox, 2021. Disponível em :< https://portal-api.nortox.com.br:3000/technical-information/file/25516c6b-edba-47ce-ba1f-4d3d3dcea4e3.pdf >, acesso em: 14/09/2026.

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