Períodos de estresse hídrico, associados a solos de baixa fertilidade (ou manchas isoladas na lavoura), compactação do solo e ajuda do agente dispersor (vento), são fatores importantes quando se fala em estabelecimento de tripes em áreas sojicultoras.

Em soja podem ser encontradas várias espécies de tripes. A maior frequência fica com as espécies Caliothrips braziliensis e Frankliniella schultzei.



Visualmente, o tripes quando adulto mede cerca de 1 a 1,5 mm de comprimento, apresentam nesta fase de vida a cor escura. Com aparelho bucal raspador, danifica a epiderme da folha para se alimentar de exsudatos. Contudo, o dano com maior impacto no rendimento do cultivo é provocado pelas ninfas, e isso porque elas permanecem cerca de três semanas se alimentando na parte inferior da folha.

Sinalizando a presença da praga na área, podem ser observadas manchas com coloração branca na superfície foliar, que mais tarde evoluem para cores mais escuras. Assim, como sintoma clássico em lavouras de soja atingidas por tripes, temos as folhas prateadas ou cinzentas e que tão logo tomam cor bronzeada. A eficiência fotossintética da planta é afetada conforme surgem e aumentam os danos da praga. O dano de raspagem além de prejudicar a planta diretamente na perda de água, torna-se porta de entrada para agentes patogênicos.

O alerta quanto a esta praga circunda em torno de que sua reprodução acontece de forma rápida, o que proporciona em poucos dias uma população numerosa, fazendo com que o controle também seja dificultado.



Como controlar?

Em geral a forma mais eficiente de controle tripes se dá por meio  do controle químico: especialmente produtos que atuam de forma translaminar. Mas é importante manejar o recurso hídrico na lavoura, atentando para previsão de chuva, o que pode alertar surtos da praga na lavoura, além de rotação de culturas com gramíneas.

Informações fornecidas pelo Laboratório de Entomologia da Universidade de Cruz Alta/ Grupo de Pesquisa em Fitotecnia – UNICRUZ, via Eduardo Engel, ressaltam que: “Dados da região norte do Rio Grande do Sul (Brasil)(Cotripal, safras 2011 a 2017), dão conta de até 5 sacas de soja/hectare de incremento na produtividade quando comparam-se áreas com uso de inseticidas (piretróides, organofosforados e neonicotinóides) em relação a testemunha (sem aplicação)”.

Gamundi, J.C. e Perotti, E. (2009) em seu trabalho, encontraram que rendimentos de soja submetida ao ataque por tripes foram 11,3% maiores nos tratamentos com irrigação. Quando os mesmos autores avaliaram controle da praga, atestaram com base nos resultados que o tratamento com controle em todo ciclo de colheita vs nenhum controle registrou uma diferença de 1682 kg/ha. O que reflete na importância de se monitorar e controlar o tripes.

Figura 1. Evolução da população de C. phaseoli, em tratamento de testemunha sem controle, e a relação com a disponibilidade de água para a cultura da soja. Olivares (2008/09)

Quando se fala em eficiência econômica do inseticida no controle de tripes em soja, o trabalho dos autores MINUZZI et al. (2018), avaliou a eficiência de diferentes princípios ativos para C. brasiliensis na cultura da soja.

Tabela 1 – Eficiência média (Abbott) e índice de eficiência econômica de princípios ativos aplicados indiretamente sobre Caliothrips brasiliensis (Thysanoptera: Thripidae) na cultura da soja. Área Experimental da Universidade de Cruz Alta. Cruz Alta, 2018

Os resultados elencam o princípio ativo Imidacloprido como de eficiência superior a 80% para o controle da população de tripes, além da alta eficiência o tratamento a base de imidacloprido obteve maior custo/benefício em relação aos demais tratamentos.

Assim, o Manejo Integrado de Pragas é uma prática indispensável, principalmente tratando-se de uma praga com potencial de transmissão de viroses, “a chamar atenção para a queima-do-broto-da-soja que pode gerar perdas de até 100% nas lavouras quando não controladas” (Laboratório de Entomologia da Universidade de Cruz Alta, via Eduardo Engel).

Monitorar áreas de cultivo, atentar para manejo da irrigação, principalmente em períodos de escassez de chuva, intensificando o monitoramento neste período, utilização de controle químico, são algumas premissas básicas, mas extremamente relevantes para o manejo de tripes.

Elaboração: Daniela Moro – Equipe Mais Soja

Créditos à bibliografia suporte:

O pequeno grande devorador da Soja, Crop Life – Latin América. Acesse o texto original aqui.

Para mejorar la produccion 42, INTA EEA OLIVEROS (2009). Gamundi, J.C. e Perotti, E. Acesse o trabalho clicando aqui.

Trabalho dos autores Minuzzi, et al. EFICIÊNCIA ECONÔMICA DE INSETICIDAS SOBRE Caliothrips brasiliensis NA CULTURA DA SOJA. Revista Interdisciplinar de pesquisa, ensino e extensão. Publicação de vol 6, 2018. Disponível para acesso aqui.


Consulte o site do AGROFIT acessando aqui para consultar os produtos registrados para controle de tripes.

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